DENTRO DA MINHA MENTE, PELO MENOS SUPOSTAMENTE...
Meu amigo, isto já tinha de ser
Pois ele pouco fez para me merecer
Sabes que sou muito egocêntrica
Sinto-me bem em ser autêntica
Isto tinha mesmo de ter um fim
Eu não podia continuar assim...
Contigo descobri a verdade
Não é comum a nossa amizade
É tão boa e é tão sincera,
Algo de que não estava à espera...
Sortuda em te ter encontrado
Passo contigo um excelente bocado
Só te sinto e não te vejo
Só te ouço não te aleijo
Também eras incapaz de o fazer
Tens pela vida outro prazer
Vês tudo de maneira diferente
Tens o optimismo sempre presente
Confesso que me sinto bem contigo
Mas não te conheço e é um perigo
Serã que isso aumenta a tentação?
Nunca outrora tive esta sensação...
Creio haver algo em ti que me atrai
Mas o desconhecido também retrai
Se ao menos eu tivesse mais respostas
Porque sinto que de mim gostas
Erros cometem-se e com eles cescemos
Mas também é bom que os evitemos
Dizes que eu sou a tua musa
A inspiração que a arte te recusa
Dizes-me a mais perfeita do mundo
És exagerado mas sincero lá no fundo
Embora às vezes não te compreenda
Pareces querer que de ti dependa
Tenho medo que nada resulte
E que tudo em vão se exulte...
Serão os erros ou a futilidade?
Porque é tão difícl saber a verdade?
Será só mais uma coincidência?
Não conheces o sabor da desistência
És persistente e tão confuso...
Confundes-me porque não te acuso...
Confundes-me com a tua poesia
A tua mente não está vazia
Fazes-me pensar o contrário
Mas basta ler o teu poemário...
Tens capacidades incríveis
Mas foges desses níveis
Dizes coisas tão bonitas
Mas nem em ti acreditas
Ensinaste-me uma felicidade
Da qual só por vezes tens vontade
Abriste-me o caminho para o paraíso
Pois para ti não é preciso
Haverá melhor exemplo de bondade
Que a tua falta de perplexidade
Que a tua calma profunda
Que no mundo já não abunda?
E páro um pouco no verso sessenta
Pois o meu coração já não aguenta...
(21/2/2005)