quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nada dizendo...

Nada, não digas nada, não vale a pena
porque não adianta nem mereço
a atenção, a amizade e o apreço
que prestas a esta alma tão pequena...

Mas e se eu quiser dizer?

Não dizes! Devias tê-la perdido!
A sério, muito mau, foi impensado!
Onde tinha a cabeça? É escusado
e vais dar o tempo como perdido...

Não és só tu que tens medo...
Não és mesmo...
Não sei por que pensas assim...
Não sei mesmo...

Também não sei...

Eu não sei o que te diga
mas digo sempre a verdade:
não há mal que não persiga
a quem sofra de ansiedade,
não há vitória alcançada
quando não vais competir,
pensas que não vales nada
se tens medo de existir.

E por mais que me digas o contrário
esses teus olhos são sempre sinceros,
se vivesses num mundo imaginário
os comentários não eram austeros,
mas vives neste, finito e precário,
e à sua semelhança são feros!

Zangas-te? Ou te zangaste?
Tempo, sempre relativo...
Recordas-te ou recordaste?
Pararia mas se vivo
mais é por ter atenção
ao sal que se adiciona,
e que blinda a repulsão
que tanto me condiciona.

E se acreditasses no que te digo
esses momentos eram poesia,
por mais que tente sei que não consigo
pregar sozinho a esta freguesia,
mas vivo nesta e sinto-me em perigo
por poder ouvir tudo o que dizia!

A tensão superficial, nada superficial, atenção, blindada!,
no seu canto escuro onde a vigia é constante, não vá haver interrupções...
Não posso ver, não quero ver, há monstros escondidos e de tez zangada,
prontos a visitar-me em sonhos para roubar a memória das emoções!

Sim!
Não!
Sim, pode ser...
Não há monstros...
Sim, tens de perceber...
O quê?
Monstros e seus rostros...
Certo.
Esquece...
Não!
Sim!

Em fase de negação...
Em fase...
Faz!
Faz bem!
Bem não faz...
Mas faz...
E...

A água escorre e...

E não vale a pena e...

E volta ao início e...

E volta ao fim e...

Deu uma volta.

Um nó.

Cego.

Seco.

Que por incúria
descurou a cura
e apenas por fúria
destilou secura
e retirou a essência
por não ter paciência...

Cheira-me...

Cheira a mar. E a mar
é que se quer,
e cheira a incêndio...
E o ar tem fumo...
Acende-o.
Mas como?
Parece um jogo,
combater fogo com fogo,
mas se resulta...
Resulta?

Envidam-se esforços...
Com reforços...
Sem remorsos...
Ou com...
Com...
Contente.
Queres que tente?
Eu tento.
Aguento!
O unguento.
É forte.
É.
Até é.
Sim.
Pois.
Exacto.
Isso.
Ora...

Ora bem, vamos lá ver onde encaixa.
A menina Pandora, o que é que acha?
- Hmm... Tudo te dou e tudo te tiro:
deixa-me em paz, que é o que prefiro.

Certo. Em paz. Te deixo.
Hoje já não me queixo.
Hoje já não te chamo.
Hoje já não te sei dizer o que disse outrora.
Olha lá para fora.
O céu está cinzento.
Mas como se é Verão?
Oh, porque eu cimento
assim o teu serão.
Não há Sol.
Nem Lua.
Nem luz.
Nem mais...

Quem quer mais porque hoje a liquidação é total?
Ouçam as minhas palavras pois é fundamental!
Percebam que nada tenho a ganhar com tal oferta!
A vitória é vossa, a vitória e fácil e certa!
Fecha os olhos... Vou-te vendar...
Tenho uns segredos a desvendar...
Podes ouvir mas não olhar,
quer dizer, se calhar...
Se calhar é injusto...
Mas a verdade é que tudo tem um custo...

E uma vez
eram duas,
ou até três,
luas
e estranhava-se,
entranhava-se,
alinhava-se
pelo mesmo diapasão
toda a frequência
sonora e luminosa...
Goza, goza...
Mundo paralelo?
Era bem belo...
Azul, verde e amarelo,
e estrelas saltitantes!
Antes fosse, antes...

Antes ainda havia uma cancela
que abria o caminho à Verdade
e ela saltava por uma janela
para encontrar a Mentira,
uma relação proibida,
o Amor a foder a Vida,
e a Justiça cega vira
que ali não havia Futuro
e a Desgraça sorriu!
E a Luz caiu no escuro
e apagou-se e fugiu
e ainda hoje não voltou
a ser vista e mais ninguém gostou
das trevas assim lançadas!
Populações assustadas,
pânico lançado,
Desgraça e Morte lado a lado
a beber a água estagnada
da lagoa alterada
pelos corpos putrefactos:
é um facto que são factos,
tudo deitado pelo chão
pela imprudência duma paixão...

Não interrompes,
muito pelo contrário...
Nem sequer me corrompes
quando é necessário
porque os rios correm numa só direcção...
Os rios são como são...
Açudem-nos, barragem-nos, esterilizem-nos
e mesmo assim correm em direcção ao mar...
Porque há sempre um destino que nos vem chamar...

Não! Não! Nããããããão!
Eu quero subir o rio!
Com esta jangada de ideias!
Xiu!
Aqui não há panaceias
para a tua doença...
A tua doença chamada crença.
Que se trata num asilo,
aquilo
a que os povos chamam realidade!
Uma nulidade!
Exactamente!
A sociedade!
Efectivamente!
A realidade,
sempre aparente,
é que não há unidade
e que só tu estás doente
quando só tu estás minimamente são...
Chamam-lhe teorias da conspiração...

Corre!
Dá-lhe brita!
Dar brita inspira muita gente!
E a gente anda descontente!
Porque a gente não acredita!
E morre...

Um manual de auto-destruição,
sempre actual...
Factual...
Irrepreensível,
irresponsável,
incrível,
improvável
mas possível...

Até ao dia, ou à noite, em que o acto se consuma...

Não há razão nenhuma que possa justificar o acto que tens em mente,
jovem,
tu estás doente!
Olha à tua volta e tudo o que temos para te oferecer!
Betão, alcatrão, poluição e outras maravilhas da civilização
que com toda a certeza farão as delícias dos teus sonhos capitalistas!
Não desistas!
O comunismo acabou para bem dos nossos pecados!
Agora somos felizes e bem educados!
É tudo tão transparente e puro e correcto que nunca há enganos!
Perfeitos! Megalómanos! Deus nos abençoe! Olé!
Duas bandarilhas e festa brava durante uma dúzia de anos!
Porco no espeto e outras iguarias gratuitas para todos! Ah pois é!
Ah...
Ah pois...
É...
- Digam-me só uma coisa, se não for muita a maçada,
mas por que é que tudo o que dizem é nada de nada?!

Nada de nada...
Nada...
Nada mais...
Atravessa o mar se for preciso...
A nadar...
Nada...
Nada...
Nada...
Nada...
Nada...

A nadar nada dizendo
alcanças o porto
e daí tens um cruzeiro de luxo
até um belo horizonte
onde o sol não se põe...

E as feiticeiras que aparecem no caminho
para incomodar a tua saga
são apenas ilusões
que aparecem nos teus receios
e que evaporam no ar
à medida que percebes
que não estás só.

Toda a determinação que te acompanha
e que nada contigo
nunca te apanha
porque o que te digo
é tão simples se o puderes compreender...
Só te falta aprender...
A ouvir...
E tu ouves nada...

E tu...
Tu...

Tu...

E eu...

E...

Nada...

Não digas nada...




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Três meses e sempre...

Fevereiro, Setembro, Outubro,
meses de sentimento rubro,
dou voltas e nunca descubro
o mês, destes três, em que habito...

Ora frio, ora quente e morno,
cheguei a um ponto sem retorno,
regressar seria um transtorno,
se possível, mas não admito...

Dia e noite e sempre celeste,
não sei se te ame ou te deteste,
se simulo que estou a leste
é porque rumo ao infinito...

Invisto no nunca antes visto,
é um hábito em que insisto,
revisto-me no que acredito
e imortalizo-o por escrito...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O isqueiro branco...

Nem sempre o conforto do lar nos deixa menos tristes;
se não te posso abraçar, para quê saber que existes?
Acende uma vela e reza para que não se repita;
a melhor religião é aquela em que se acredita...
Toma, guarda este isqueiro que tiro do bolso, branco,
já não me faz falta e usa quando estiveres de banco,
não se sabe quando precisamos de atear o fogo
assim como não se mudam as regras a meio do jogo
e como não se sabe quando temos de ir em viagem
para um destino distante e com pouca bagagem...

Por mais que tentes, as lentes amplificam a luz,
que emana dos corpos que deixam o peso da cruz
que sempre carregaram desde o sagrado baptismo,
turvam a visão, que ironia, e o meu cepticismo...
Foi verdade, foi mentira, parece fantasia,
uns dias erva, outros quatro paredes, outros maresia,
todos eles uma companhia e momentos de paz,
o que uma cara bonita, jovem e imatura faz,
há cheiro, há cor, rosa e baunilha e coco em perfume,
pega nesses voláteis, no isqueiro e chega-lhes lume!

Arde... Arde... Arde... E faz-se tarde para o resto da nossa vida...
Siga! Em frente! Contente cantando no meio da gente!
Falso, tudo falso, siga em frente, amanhã futuro!
Dei-te o meu isqueiro branco e agora estou no escuro...
Não preciso mais dele porque tu é que me escapaste,
não há luz acesa pois a tua hoje mesmo a apagaste,
há esperança... Num raio de Sol... Mas nem há Lua...
Há a realidade e essa é descolorida, crua,
estéril... e contigo chegou a ser tão bela...
Guarda o meu isqueiro para um dia me acenderes uma vela...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A observação atenta da arte de lavar o chão.

Movimentos circulares,
ciclos circadianos,
opiniões angulares,
inverdades, desenganos
e muita água corre...

Lixo outrora residente,
um sem-abrigo forçado,
entranha-se mais, impotente
à força de ser lavado,
e pelo cimento escorre...

É preciso um detergente,
menos tensão superficial,
fosse vista a não aparente
e este dia seria especial
pelos caminhos que percorre...

Ainda é pouca a altura
quando não há certeza
e até magoa a brancura
quando não significa beleza
e em pecado incorre...

Maculam a calçada imaculada
a água, vassoura e trabalho:
para quê se logo fica manchada
a cada passo dado no soalho?
Tal como se nasce e logo se morre...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mentira, verdade, sonho, esperança e fim.

Mentiras, que tu vais negar,
mesmo mentindo devagar,
um dia o dia há-de chegar
mas nunca se vai apagar
a memória do nosso ougar...

Contarás toda a verdade,
até lá vivo na ansiedade
que é a eterna saudade
desta já mais do que amizade
que o meu peito aperta e invade...

O sonho, que o tempo esmorece,
que cada vez mais me parece
que a espera ninguém merece,
afinal ele até se esquece
ainda que não o quisesse...

Para quê a alegre esperança
caída triste na lembrança?
Se este meu braço não te alcança,
e se a luta é duma criança,
quero crescer com confiança!

Restam sempre as doces memórias,
amargadas, mesmo vitórias,
em poesias aleatórias
pois circunstâncias peremptórias
findam as mais belas histórias...






quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O tempo em que com mau tempo ainda arde

O tempo, que é num momento oportuno,
noutro com contratempos me importuna
("amor ardente, erros meus, má fortuna"),
ligeiro passa e se não me afortuno.

Na cronologia fui bom aluno,
mas sentindo-lhe o peso na coluna,
nada é certo e em mim não se coaduna,
ligeiro passa e como me premuno?

"Dá-lhe tempo", mas como se escasseia?,
para a erosão haverá panaceia?,
sei que receio que a solução tarde!

Sequência, consequência, coincidência,
não há definição em toda a ciência:
pinga o mau tempo e ainda assim arde?!






sábado, 17 de agosto de 2013

À lareira, a recordar o tempo que há-de vir...

Realidade, abstracta mas em concreto
estudo, aprofundo e não tenho conceito,
"Para quê?", pergunto, se nada é perfeito,
"Porquê?", penso, mas não sei o que é correcto.

Verdade, ilusão, uma casa sem tecto,
os pilares abanam mas fi-los a direito,
as fundações são boas mas perdi o jeito
de construir, imaginar, ou tudo é recto?

As linhas de fuga são longas e curvas,
os esboços esbatem-se em folhas turvas,
a chuva cai ácida e limpa o horizonte...

Arquitectura sem função mas com beleza,
arriscar é com vontade mas sem certeza:
edificar!, outra história, queres que a conte?


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Fecha-se uma porta, abre-se uma janela

Fecha-se uma porta, abre-se uma janela:
fecha, está frio! Vem aí o desconforto...
Que me interessa ser rico se estou morto,
rilho os meus ossos secos à luz da vela.

Abrem-se os olhos, outros fecham-se, os dela:
fecha, está feio! Vomito-me, um aborto,
atrasado e ausente pois sempre absorto
negligencio o velho amor da cautela.

Não tapa buracos a manta de retalhos
quando esta se estica até ao impossível:
abrange mais e menos o fim alcança.

Passam os dias, não findam os trabalhos,
ergo a testa e o horizonte é invisível:
a luta continua, sempre, mas cansa...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A revolução é um estado de espírito, não uma efeméride.

Após algumas palavras das múmias da revolução, ausentes nos seus templos, aqui deixo o que geralmente sinto relativamente às comemorações alusivas à nossa revolução dos cravos:

.

Ou seja, um grande vazio, porque a revolução é um estado de espírito, não uma efeméride.

quinta-feira, 21 de março de 2013

I CAMPEONATO NACIONAL DE POESIA - Jornada V

"Eis o desafio desta semana:
Um homem está diante de si dizendo que vai suicidar-se. Escreva, usando não mais de 300 palavras, o poema que gostaria de lhe ler para que mudasse de ideias."


Sabes que eu já estive desse mesmo lado
e alguém teve comigo esta mesma conversa?
Tens tanto talento e vai ser desperdiçado,
tens tanto a viver e estás com tanta pressa…
Hoje e aqui sou o mesmo raio de luz,
tu és as mesmas trevas impenetráveis,
a dois é mais fácil carregar a cruz
e o destino é cheio de imponderáveis:
como se pode perder a curiosidade!?,
saber o que amanhã nos vai despertar,
hoje é negro e sufoca-te de ansiedade,
amanhã será puro prazer e bem-estar!
Por que pensas que é tudo mau na tua vida?
Será que já viveste tempo suficiente?
Claro que não pode haver quem por ti decida
mas podes ter uma decisão consciente!
Eu sei que dói e que não vês esperança,
nem um motivo para enfrentar o presente,
mas lembra-te que um dia foste uma criança
e essa alegria pode voltar de repente!
Essa corda laçada é só um brinquedo
e há brincadeiras que são tão perigosas…
Não há problema algum em ter medo
e até há espinhos nas mais belas rosas!
“Viver assim infeliz não há quem possa,”
- pensas agora e vasculhas a memória -
“não há desgraça maior do que a nossa!”:
acalma-te! e escuta bem a minha história:
Um dia eu estive desse mesmo lado,
hoje considero-me uma pessoa feliz,
tive sorte, um amigo!, e por ele fui ensinado:
o melhor que me aconteceu? Não ter o que quis!
E um dia também vais passar esta mensagem:
viver pode ser difícil mas tu tens essa coragem!

(3-1-2013)

quinta-feira, 14 de março de 2013

I CAMPEONATO NACIONAL DE POESIA - Jornada IV

"Eis o desafio desta semana:
Escreva, usando não mais de 300 palavras,um poema que contenha a seguinte expressão: “sou do tamanho de todo o mundo”."


Ora, essa é mesmo a grande questão!
É uma nova forma de estar na vida,
talvez um regresso ao primitivo,
o contacto com a natureza, o respeito mútuo…
Uma parte anarquia, uma parte comunismo;
ainda estou a pensar como o definir
e se é de facto novo ou algo que já existe…
Sou uma pessoa e penso que posso mudar:
evitar as guerras, acabar com a fome;
talvez seja demasiado idealista, aceito,
talvez nunca possa acabar com o preconceito,
e com as classes sociais e com a miséria,
mas chegam notícias que me deixam a pensar
Que mundo é este em que habito?!
O meu jardim está bem cuidado,
as flores desabrocham lindas como sempre,
mas se eu continuar a marcha até ao infinito,
até àquele rio a milhares de milhas daqui,
até àquele ecossistema fundamental para mim
e que nem sei sequer que existe,
estarão bem como eu estou?! Somos iguais!
Átomos, moléculas, poeira cósmica!
Uma gota de água? Sou eu!
Um rio? Sou eu.
Uma nuvem?
Sou eu!
E és tu!
E somos todos!
Uma erva que cospe oxigénio para mim?
Devo agradecer! Devo preservar! Amo!
É tão semelhante a mim! Morre. Nasce. Vive.
Se tenho consciência para que me serve
se não para ter consciência da realidade?!
Sou um emissário da mais cândida pradaria,
um raio de luz, um trovão, sou o vento!
Sou do tamanho de todo o mundo
e sou belo na minha essência!
Somos todos um!
Hoje vou ser feliz no mundo em que nasci,
no sistema solar que me abriga,
no universo que me aconchega,
na existência que partilho com todos
nesta mesma dimensão, neste tempo.
Sim, acredito em algo,
numa ordem natural e comum ao todo,
a todos,
penso que se pode chamar assim.
É esta a minha religião;
fui suficientemente claro?

(27-12-2012)
(este foi o meu poema mais bem classificado no campeonato)

sexta-feira, 1 de março de 2013

I CAMPEONATO NACIONAL DE POESIA - Jornada III

"Eis o desafio desta semana:
A sua melhor amiga vai partir – e ficará sem a ver
durante muitos anos.
Escreva-lhe, usando não mais de 300 palavras, um
poema de despedida."


Que se pode fazer
quando se sabe que vai acontecer
aquilo que não queremos?!

Quando nos vamos voltar a ver,
alguma vez mais?!
Talvez uns anos, dizes…
Como vou sobreviver?
Com quem vou tomar um café
e contar todas as novidades?
Já sinto saudades
de quando nos chateamos…

Aprendi de bocas fraternas
que as verdadeiras amizades são eternas…
A memória permanece
mesmo quando a noite escurece
e leva o nosso brilho no horizonte…
E eu pergunto: para quê?!
Não quero viver de memórias
e assim a tua luz apaga-se para mim!

Um dia vou acordar
e não será um pesadelo,
estarás mesmo longe…
E por mais que eu tente,
por mais que eu faça,
nada te vai trazer de volta…

Olharei para o mar
até onde a vista se perde
e não terei qualquer esperança.
Um dia vou descobrir
que perdi a minha melhor amiga
e que me vai custar imenso…

Até lá espero adormecer
na vã ilusão
de um até amanhã
mais longo do que a própria memória.
É tanta a vontade que não partas
como a vontade de te esquecer
assim que entrares naquele avião…

Se um dia voltares
e se nos encontrarmos
quem seremos nós?
Não sei se quero saber…

O mesmo destino que hoje te leva
que amanhã te traga
com todas as respostas!

Os anos serão segundos,
o café estará a arrefecer
e o mar revolto acalmar-se-á.
Vais sorrir para mim e dizer:
“Dormiste bem?”

(20-12-2012)

I CAMPEONATO NACIONAL DE POESIA - Jornada II

"Eis o desafio desta semana:
Escreva, usando não mais de 300 palavras, um poema que
comece pela palavra “tudo”."


- Tudo me pressiona, ultimamente:
crise, indecisão, “Por que não emigrares?!”,
“És a mudança!”; o primus inter pares
que salva a anciã geração, demente.

“ Tudo em mim se espera, fico doente,
tudo me deprime mas não repares…
Sim, vamos sair, assim mudo de ares;
desculpa-me, não me vais ver contente…

“ Será isto crescer? O ser adulto?
Podia não aceitar, é verdade,
e assim fugir da responsabilidade!

“ Para quê o dinheiro? Ou até ser culto?
Podia dizer que não mas fico mudo,
não se pode dizer que não a tudo…

(13-12-2012)

I CAMPEONATO NACIONAL DE POESIA - Jornada I

"Eis o desafio desta semana:
Imagine que celebra, hoje, 45 anos de união com a
pessoa que ama e sempre amou.
Escreva-lhe, usando não mais de 300 palavras, um
poema."


Bem, sempre apreciámos a sinceridade
e nada melhor há do que a amarga verdade,
e já que entre nós nunca houve cá mariquices…
Eu dizia piadas, esperava que te risses!

Se ainda tenho tudo isto na memória
vou continuar a escrever a nossa história:
eu pensei que seriam só mais umas fodas,
sempre assim foi e também não te incomodas,
a beleza nunca faltou, nem sequer o charme,
como acreditar que um dia ias amar-me?

Como tu e eu sabemos, nada é perfeito,
nem para nos aturarmos temos qualquer jeito,
tu nunca me dás paz, como é que eu relaxo?!
Ou é uma vassoura pelas costas abaixo,
ou são discussões, uma distracção frequente,
por isso temos uma filha delinquente!
E um belo rapaz, pai pela décima vez!
E a culpa é nossa, como é que não o vês?!

Quem diria que um dia seríamos avós
e os nossos filhos respeitariam a nossa voz
sem qualquer reacção contestatária?!
Há dias em que a experiência é necessária!

Não somos católicos mas casámos na igreja,
a tradição, e os pais, impõem que assim seja:
vestida de branco, qual mulher submissa,
desde então nunca mais ouvimos uma missa;
vestido de negro, à empregado de mesa,
há algumas fotos, aconteceu de certeza!

Bons e maus momentos, frios, quentes e mornos,
eu sei muito bem que já me puseste os cornos;
jurei negar-te o sexo durante todo um ano
mas então lembrei-me que eu também me engano…
Herrar é umano, perdoar-te é divino;
lembras-te quando nasceu o nosso menino!?

Nada correu mal pois nunca fizemos planos,
será que já passaram quarenta e cinco anos?!
Detesto aturar-te com esse mau humor
mas o tempo passa… e acredito que é amor!

(6-12-2012)

Campeonato Nacional de Poesia

Há uns dias participei no primeiro Campeonato Nacional de Poesia (http://campeonatodepoesia.blogspot.pt/). Fiquei na segunda metade da tabela final de pontuações. Não gostei particularmente dos desafios propostos mas teve a sua graça participar... Não gostei particularmente dos poemas vencedores em cada jornada mas a poesia é tão subjectiva... Obrigado a todos os que me acompanharam ao longo do campeonato, incentivando, inspirando, criticando e lendo... Restam dez poemas que vou aqui publicar!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Hmmm...

Hmmm...

Visitante 6000

Não apareceu ninguém a reclamar o seu poema. Estejam atentos para o vistante 7000! :)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Prisioneiro de um sonho!

Pesadelos cor-de-rosa, azuis, violeta,
mios guturais, rugidos de mansinho,
corro e corro mais e nunca chego à meta,
sou perseguido apesar de estar sozinho,
acomodado neste terrível pesadelo!
Estou livre, preso na lã deste novelo
que desnovelo ao ler novelas de novo,
estou quentinho e apertadinho no ovo
até perceber que sou da geração rasca
e então começo a bicar a minha casca
e não me deixam porque assim entra a luz!
Para muita gente é esse o caminho da cruz,
essa libertação, esse passeio, o calvário,
ter mais um dia a perder no calendário
quando após 366 tudo está na mesma!
Nem um centímetro ao lado, nem uma lesma
no seu vagar conseguia andar tão devagar!
Arrasto e deixo que o meu rasto se vá apagar
pois trilho o sarilho deste feio passeio
sem encontrar ou sequer tentar um meio
de lá voltar e aprender com o passado!
Passado, estou, sim, e mais cansado
do que um discurso sempre repetido, gasto,
estou sozinho nesta cela e cá me agasto
a fazer nada e a fazer nenhum com vontade!
Ai tenho vontade de fazer mais, de verdade,
a verdade é só uma, eu gosto desta sentença,
ao contrário do que penso que a maioria pensa,
eu sou o mais feliz de todos os prisioneiros,
eu sou o mais original de todos os pioneiros,
sinto-me o primeiro e não me envergonho
de ser, por opção, prisioneiro de um sonho!

Concurso Visitante 6000

De novo, vou oferecer um poema personalizado ao visitante 6000. Só têm de ir visitando o meu humilde blogue e provarem que são o visitante 6000. Depois disso, eu ofereço um poema personalizado. Simples e eficaz! XD

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

QUERO!

Tudo! Eu quero tudo!
Tudo o que eu puder ter eu quero!
Quero tudo, não posso ser mais sincero!
Jóias, dinheiro, felicidade, loucura,
drogas, doenças, fama, fé e bravura!
Desgraça, graça, conteúdo, futilidade,
quero dizer a mentira, o nim e a verdade!
Quero ficar doente, estou sempre saudável;
para mim mais do mesmo é desagradável
e tem de se ver o lado positivo,
só está doente quem está vivo!
E eu estou! Vivo! Vivo! E vivo tudo!
Sexo, orgias, sado-maso e genitais,
homens, mulheres, animais e vegetais!
Quero pudor, quero dogma e devoção,
quero ser o mais casto desta nação
até descambar num samba de sensações,
noite e dia, até me embriagar das reacções
daqueles que exercem a censura!
Óptimo, quero sentir a ditadura!
Quero sentir a liberdade!
A imberbe angústia adolescente,
a meia-idade que produz gente
e a decadente terceira idade!
Quero recordar e sentir a saudade,
quero esquecer e ser um ser utópico,
Uma força natural, um ser ciclópico,
pequeno e raquítico, um badameco!
Ora oro, ora agora, ora, ora peco,
peco de virtude, de consciência,
peco de leviandade e persistência!
Quero ver o mundo acabar,
quero comer até rebentar:
ah mas que grande farra!
Quero muita uva e muita parra,
quero filhos, netos, bisnetos
e não ter de aturar esses irrequietos!
Quero um emprego, quero um salário,
quero ter tempo e outro calendário,
Ler, escrever, ouvir, calar, escutar,
quero sentir-me mal e quero bem-estar,
quero paz, quero amizade,
quero solidão e rivalidade!
Quero e tenho tudo, quero e tenho nada,
tenho e quero tudo, tenho e quero nada…
Quero, tenho, não quero e desespero
pois eu simplesmente não sei o que quero…

13-12-2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Parabéns!

- Um relacionamento pode ser sério;
para quê tanto mistério?

- És capaz de brilhar no escuro;
para quê ser tão duro?

- Tanto silêncio soa-me a barulho;
para quê tanto orgulho?

- Podias dizer que tinhas saudades;
é a última das verdades?

- Podia mas não quero, compreende;
assim quem se arrepende?

- Assim? Como? Como assim?

- Assim. Como. Como assim.

- Não te percebo nem por um instante.

- Não percebes que é tudo um instante.

- Não.

- Sim.

- Talvez.

- Sim.

- Não.

- Sim.

- ...

- Parabéns!

- Obrigada.

- De nada.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Estes olhos...

Estes olhos... hmmm... cheiram a magia!
Hipnotizam... e como isso me contagia!
Serão verdadeiros ou uma pura mentira?
Olhos postos nos olhos, ninguém mos tira.

Mais do que apenas ver algumas cores,
são atentos, viperinos, caçadores,
mais do que limita a imaginação;
como descrever o que estes olhos são?

Estes olhos, que respiram desejos,
estes olhos, que são lábios e beijos,
ora castanhos-terra e verdes-mar,
contra a maré há que remar, remar...

Estes olhos dum telúrico matizado,
haja luz e nunca um pólo dilatado,
escuro, onde furtivos, até vulpinos,
perseguem suas presas, clandestinos.

Estes olhos conseguem ser algo sério,
mesmo doces e envoltos em mistério,
estes olhos que destilam os sonhos
que sugerem a outros olhos, bisonhos.

Estes olhos são vivos e curiosos,
ingénuos-bebé ou velhos-manhosos?
Como posso aferi-lo quando os venero,
será que o belo pode ser tão sincero?

Como ter a certeza sobre a realidade;
sou um sonhador e o que é a verdade?
Fecho os olhos e recuso essa visão
mas assim adormeço e é igual a ilusão...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Último dos Padrinhos - Mario Puzo

Depois de ter lido "O Padrinho", "Omertà", "A Família" e "O Siciliano" (não necessariamente por esta ordem), seguiu-se um dos livros que já tinha comprado há uns anos mas ficou sempre na prateleira. Até há dias. E depois de ler mais um de Mario Puzo, a vontade que tenho é de continuar a conhecer a obra deste autor.

"O Padrinho" é melhor, sem dúvida. E este não está muito longe em termos de ideias. Volta a haver um poderoso Padrinho (neste caso, e literalmente, o último dos Padrinhos) cuja Família é a mais poderosa da América, volta a preparação de uma nova geração que lhe sucederá e o recorrente tema da legitimação das actividades mafiosas através de receitas legais, como o jogo (apostas e casinos), o cinema, e, em menor extensão, a restauração, a construção e o jogo da bolsa, no caso Wall Street.

Algo que acho curioso neste livro, e que já estava presente n'"O Padrinho III", o filme, pois o livro só dá origem aos dois primeiros filmes da trilogia (para já), é a noção de que quanto mais se sobe na "hierarquia social" (seja lá isso o que for...), quanto mais se tenta legalizar a actividade da família, mais corruptos, oportunistas e ladrões se encontra. Talvez com outros nomes, talvez mais bem disfarçados, talvez mais bem engravatados e mais rodeados de advogados. A certa altura, os maiores mafiosos nem parecem ser os Americanos descendentes de Sicilianos mas sim os grandes produtores de Hollywood, os gestores dos casinos e, obviamente, os políticos.

Acho igualmente curioso o elevado número de personagens e histórias paralelas que encontramos neste livro. Pode-se argumentar qual será a história principal do livro; creio ser este esforço de "legalização" da Família, esta visão de Don Domenico Clericuzio, acertada, a meu ver, e de tudo o que é preciso fazer para este fim, chegando a um maquiavelismo sórdido capaz de levar um sobrinho a matar um neto que destruiria a visão do avô. Um avô que o acarinhara e lhe ensinara tudo. Não o poderia matar, obviamente, mas induz o sobrinho a fazê-lo, incoscientemente. Sublime! Tudo o resto são histórias, não menos interessantes, sobre o fascinante mundo (e submundo) de Las Vegas e Hollywood, que é como quem diz das poderosas indústrias dos casinos e do cinema.

Admiro-me como este livro deu origem a uma mini-série e não a um filme (necessariamente longo) mas claro que Hollywood teria sempre alguma resistência em expor os seus podres. Sinto sempre alguma desilusão quando vejo os filmes que chegam de Hollywood e creio que este livro tem mais "história" do que muitas das últimas produções que tenho visto...

Há um Padrinho do cinema, há um Padrinho dos casinos, há um Padrinho da última família rival e há o último dos Padrinhos que se aguenta aos rigores da passagem do tempo como um símbolo da sua própria ambição desmedida. E sempre a dar conselhos aos seus descendentes. Conselhos que se revelam sempre acertados. Apenas no final do livro todas as pontas soltas se unem e a teia é fantasticamente tecida; ao longo do livro senti-me várias vezes amarrado nesta teia, impossibilitado de me soltar, atento a todas as direcções à espera de uma qualquer aranha para me atacar. Há alturas em que a narrativa é totalmente imprevisível, o que torna o livro interessante e não apenas uma cópia ou uma continuação d'"O Padrinho". Há um estilo próprio, mais abrangente, com a acção a esticar-se de Nova Iorque a Las Vegas, com direito a umas pequenas passagens pela Europa via Sicília, Nice e Paris. Políticos corruptos, políticos alcoólicos, políticos abstémios, crianças autistas, argumentistas geniais, argumentistas desprezados, fornicadores amadores, fornicadores profissionais, proxenetas produtores, produtores de orgias, organizadores de eventos, doidos, inteligentes, esclarecidos, sapientes, artistas, vedetas, drogados, ex-drogados, drogados feitos senhores, conhecedores, polícias corruptos, ex-polícias corruptos, ex-polícias corruptos agora assassinos, futebolistas, ex-futebolistas, ex-futebolistas suicidados, gaiolas vazias, gaiolas cheias (e não de pássaros), iates no mar alto a largar gaiolas, orgias e outras festas, dinheiro, fichas, roletas, ...; isto nunca mais acaba, um livro que parece chegar a todos os cantos da sociedade americana, um livro que põe a nu as estratégias mais escabrosas para deter o poder, nas suas diferentes formas. A ler e a reflectir.

Como de costume, deixo aqui algumas das citações de que mais gostei, e sublinho a primeira, de um livro que adorei ler e que dificilmente esquecerei.


"O passado é o passado (...). Nunca lá voltes. Nem para procurar desculpas, nem justificações nem felicidade. Tu és o que és, e o mundo é o que é." (29)

"Nenhum homem consegue esconder a sua verdadeira natureza a alguém que viva próximo dele muitos anos." (72)

"Tudo parecia confirmar o velho truísmo de que uma pessoa corre sempre mais perigos com a lei quando está inocente do que quando é culpada." (81)

""O mais importante na vida é ganhar o pão de cada dia."" (88)

"Como qualquer artista, queria que o mundo a amasse." (132)

"A sorte, porém, compraz-se a desfazer os planos mais argutos (...), a mais insignificante das criaturas pode ser o agente causador da perda do mais poderoso dos homens." (162)

"O mal era que toda a gente se tornava mole por causa de uma boa vida." (179)

"Os velhos hábitos custam a morrer." (183)

"Devia ter casado outra vez. As viúvas são como as aranhas. Tecem demasiadas teias." (185)

"Para inspirar verdadeiro amor, um homem tinha igualmente de ser temido." (284)

"Toda a gente é responsável por tudo o que faz." (288)

"Os excêntricos fazem coisas esquisitas para desviar a atenção dos outros daquilo que fazem ou são. São envergonhados." (318)

"Como o Don costumava dizer, não fazia mal cometer erros, desde que não fosse um erro fatal." (360)

"Claro que, na vida real, não havia nada que estivesse exactamente na "conta certa"." (361)

"Quase todas as tragédias são estúpidas." (372)

"Toda a gente tem azar uma vez na vida." (379)

"É perigoso ser razoável com gente estúpida." (399)

"(...) um mundo sem valores e sem sentido de justiça não pode continuar a existir." (399)

"Toda a gente tem suspeitas a respeito de tudo. É próprio da natureza humana." (401)

"Mas, oh, que perverso era aquele mundo que obrigava um homem a pecar!" (476)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ilusão

Penso, num certo sentimento,
frio e duro como esta tempestade,
desconfortável como a chuva e o vento;
vem o sol e não me seca a saudade
quando descubro que uma grande ilusão
só pode acabar em uma grande desilusão.

Agacho-me, só no meu canto,
frio e duro como esta parede,
por que tive de passar por tanto
se nada há que me sacie esta sede
de vingança perante tanta injustiça?
Tenho esperança que ainda haja justiça?!

Deprimo, na minha mente,
fria e dura como eu não pensara,
serei menos gente do que a gente
que se ri enquanto a minha ferida sara?!
Pois a cicatriz que carrego será eterna,
rasgada por aquela que foi falsamente terna:
chamas-te ilusão,
venceste a razão
e tudo estaria certo
não fosse este deserto
que percorro após a tua tua transformação
em desilusão. Enfim, as pessoas são como são...

Escrevo, todo um testamento,
frio e duro; como a vida me altera ...,
dá-me um pouco de paz e alento
mas para sempre nunca se espera!
Quando sabes que tudo muda e não o controlas
só podes aprender com o como te descontrolas.

Regurgito, todo um passado,
frio e duro que nem o piloro passa,
ácido, básico, feio e ensanguentado
o meu corpo resiste à lança que trespassa:
qual cupido? Não! O meu coração dolente,
e tão empedernido, será que ainda algo sente?

Grito, e ouço a minha voz,
fria e dura a ecoar sem rumo,
quero atingir todos os que como nós
sobreviveram à chama e vêm entre o fumo
que tenta ofuscar o óbvio que todos pareciam prever,
e que nós também sabíamos mas não quisemos ver:
chamas-te ilusão,
venceste a razão
e tudo estaria certo
não fosse este deserto
que percorro após a tua tua transformação
em desilusão. Enfim, as pessoas são como são...

sábado, 13 de outubro de 2012

Chegas ao fim do passeio e atravessas a estrada...

Chegas ao fim do passeio e atravessas a estrada...

O Sol brilha com igual intensidade

O Sol brilha com igual intensidade
àquela com que brilhava na Primavera
e se queres ter uma opinião sincera
sabe que eu não digo senão a verdade!

Visto-me e revisto-me de ansiedade
à espera de sair e de te ter à espera
e espero por ti e já se desespera
porque não sei se é atraso ou maldade...

O cabelo é comprido, está atento,
um dia vamos sair e comer um gelado
e os fechinhos fechados até reluzem.

Abraçar-me-ás num dia frio de vento
e veremos que o teatro foi bem encenado
de marionetas que por nós se conduzem.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Queijo e cenoura

Esconde a tua revolta: volta!
Volta a ser o que havias sido
e deixa de ser assim tão convecido
pois eu sei que tu não és assim! Sim, não és, não!

És capaz de comer duas no mesmo dia,
tu que és um dependente do bife,
não esperes que eu espere mais por ti
porque queiras ou não há mais quem queira
e eu quero quem me quiser apesar da química
que sinto enre nós e estes nós que crias em nós
são como estas nódoas no meu pescoço
e que não reparei e que não senti
mas tu sabias e não me disseste
e agora sabes e não me dizes
e estás a atar os laços soltos deste colar
e se calhar não te vais libertar
desta prisão que tu criaste
e então vais ter a certeza que erraste!

Complexo, esta realidade não tem nexo!

A tua resposta foi muito curta,
tens de explicar melhor,
andas a brincar comigo?!
Achas que tenho idade para isto?!
Decide-te!
Até podemos ir à Itália juntos,
e voltar juntos,
e continuar juntos,
e ver as fotos juntos
e juntos discutir
e planear
a próxima viagem!

Depende da maneira como me queres conhecer,
depende do que queres ser em vez de parecer,
depende de ti, não de mim,
depende de te decidires a deixares-te conhecer,
qual o meio e qual o fim
quando és assim
e não te posso entender?

Não sou de falar muito,
sou de sentir muito
e não me deixas sentir o que quero...
Por que não!?
Que te fiz para me tratares assim,
tão mal,
tão mal,
tão mal...

Tão mal...
Estão mal...
Estão mal...
Estás mal...
Estamos mal...
Estás mal...
Está mal...
Mal...

Mal-estar...

"Dava tudo para conseguir arrancar de ti a sensação de seres tudo o que não és!" ...