Solange Campos, é para mim um grande prazer poder contar com esta entrevista no meu blogue. Já nos conhecemos há uns anos, partindo dum mal-entendido, na verdade, quando alguém confundiu Vialonga com Valongo... Vialonga, a 300 Km de Valongo, é uma freguesia do concelho que está agora na moda, Vila Franca de Xira, devido ao surto de Legionella, infelizmente. No entanto, esta entrevista vai debruçar-se no inesperado regresso aos palcos das Bellenden Ker, uma banda que, pessoalmente, admiro bastante. Depois da entrevista ao Daniel, dos Jed Dickens, com quem já partilhaste o palco, continuo a escavar no enorme mundo da música. Seis anos após o nascimento das Belenden Ker, e 15 dias depois da espectacular "ressurreição", aqui ficará o teu testemunho!
HIGH ON THE MOUNTAIN:
Vamos começar com uma questão actual e pertinente: tens tomado banho? [cliquem aqui para perceberem a questão e saber mais sobre o surto de Legionella]
Solange Campos: Ahah! Claro que sim. Disseram várias vezes para evitar o duche por causa da inalação de vapores. Comecei a ter algumas precauções mas nunca deixei de tomar banho, embora essa fosse a minha preocupação principal assim que soube da existência da bactéria no concelho onde moro.
HOTM:
Conheces alguém que tenha sido afectado? Os números começam a ser preocupantes...
SC: Não procurei saber... Recentemente faleceu uma pessoa minha conhecida de uma forma inesperada e ainda hoje estou um bocado sensível no que diz respeito a más notícias...
HOTM:
Mudaste os teus hábitos? Sentes alguma tensão no ar, as pessoas estão preocupadas?
SC: Claro! Está toda a gente com medo e extremamente preocupada. Soube-se recentemente que se vai abrir um inquérito a uma das fábricas que supostamente foi a causadora desta catástrofe ambiental mas ninguém sabe propriamente qual e se a propagação da bactéria está realmente controlada. No fim-de-semana passado, o meu pai, que está a morar em Peniche, tinha vindo a Vialonga visitar-me mas, assim que soube, regressou logo a Peniche. A água continua com muito cloro por precaução... Por isso, tenho bebido água das garrafas. :p
HOTM:
Passando agora para a nossa "doença da música" (com certeza que te lembras do spot publicitário do Blitz, antes da mudança de sexo)... Penso sempre em ti como baixista mas é algo redutor. Que diferentes comprimidos (instrumentos musicais) tocas (tomas)?
SC: Ainda hoje uma menina perguntou-me isso. :P O instrumento que tenho mais tocado tem sido o baixo eléctrico mas o instrumento que aprendi a tocar na escola de música e no conservatório é o clarinete. Acompanho as minhas aulas de Música com a guitarra clássica mas só arranho uns acordes. :) Tentei aprender contrabaixo mas não atino com o arco. :P
HOTM:
Destes, qual o teu favorito?
SC: Baixo eléctrico, claro! :)
HOTM:
Tens sido sempre baixista nas bandas rock (assim como em outros projectos). Nunca pensaste em ir para a guitarra, por exemplo?
SC: Não, nunca. Eu gosto de sons graves e adoro ouvir um bom baixo nas bandas. Para os ouvidos de uma pessoa normal, quando ouve uma banda que não tem baixo sente sempre falta de algo e, facilmente, desmotiva-se da música. Muitas pessoas não imaginam o quão é importante um baixo na banda.
HOTM:
E o quão desvalorizado é... Ainda há dias, inesperadamente (pelo menos para mim), as Bellenden Ker [cliquem aqui para a página do Facebook] regressaram do mundo dos mortos num concerto de Halloween (como escrevi na entrevista anterior). De quem partiu a ideia?
SC: Essa ideia partiu da Marta LeFay [vocalista e guitarrista]. O Zé, namorado da Marta e baixista dos Dollar Lama [Facebook aqui], era (e é) amigo do Sérgio, vocalista dos Dr. Bifes e os Psicopratas [Facebook], e o Sérgio ficou a conhecer a Marta e as Bellenden Ker através dele. O último concerto que as Bellenden Ker deram foi organizado pelo Sérgio com inúmeras bandas, incluindo os Dr. Bifes e os Psicopratas, com uma participação especial das Bellenden Ker numa música deles - "Barco do Aborto" [link para o vídeo no youtube]. Isto foi em 31 de outubro de 2011, nos Nirvana Studios.
No Verão deste ano, a Marta entra em contacto comigo e com a Margarida [guitarrista] para voltarmos a fazer o mesmo este ano. O Sérgio organizou de novo um conjunto de concertos no dia 31 de Outubro (Halloween) deste ano, com a participação das Bellenden Ker em concerto e na música deles (a meio do concerto dos Dr. Bifes e os Psicopratas).
HOTM:
Como foi possível este regresso? A Marta está nas Anarchicks [página do Facebook], e isso retirar-lhe-á tempo para um possível regresso das Bellenden Ker, mas trouxe a Catarina [baterista das Anarchicks] para a bateria...
SC: Foi um reunion show. Não sei se a Marta e a Margarida estão interessadas em continuar com a banda. Desde o dia 31 de Outubro que não tive mais contacto com elas. Como sabes, a Vânia, a baterista original das Bellenden Ker, saiu no final de Fevereiro de 2011 e, desde então, foi sempre um suplício para arranjar uma boa baterista. Como não conseguimos, pedi ao meu amigo e excelente músico André Silva para nos acompanhar. Ele foi espectacular e acompanhou-nos até ao final da banda. Neste momento, como bom músico que é e muito requisitado, não teve disponibilidade para fazer o concerto connosco, e como a Catarina mostrou-se interessada em embarcar nesta aventura avançámos! E foi muito bom. Conheci uma excelente baterista. :) Felizmente, graças às Rockalady [link para o Facebook], já conheço mais bateristas do sexo feminino que são excelentes músicos. :)
HOTM:
Como disseste, geralmente há dificuldade em encontrar bateristas (e também baixistas). Já mudaram de baterista algumas vezes... Foi essencialmente isso que levou a esta paragem da banda, a dificuldade em encontrar baterista?
SC: Na realidade, penso que isso desmotivou muito o pessoal da banda. A Marta era o génio que trazia as ideias e comigo e com a Vânia montávamos músicas num abrir e fechar de olhos. E era tudo tão mágico e funcionávamos tão bem as três. São coisas que nunca se esquecem. A Margarida apareceu mais tarde e chegou a fazer connosco a música espetacular onde fazemos a troca de instrumentos (El Mariachi and Miss Moustache in the Garage), o que trouxe riqueza e alegria às músicas.
No final, estávamos bem com o André mas penso que a Marta desmotivou-se com esta procura de baterista e queria fazer outras coisas a nível musical.
HOTM:
Este evento terá sequência ou as Bellenden Ker acabaram com este concerto?
SC: Não sei... depende da vontade da Marta e da Margarida. Percebi que a Catarina gostava de continuar (e eu também).
HOTM:
Também espero pela vontade delas! Há algum concerto que recordes com particular saudade? Algum que te marcou mais? Com as Bellenden ker ou outro projecto...
SC: Das Bellenden Ker... o primeiro que demos no Bacalhoeiro... foi mágico! :)
HOTM:
Recentemente, as Anarchicks ganharam um prémio em Espanha [aqui a notícia da Blitz]. Achas que as Bellenden Ker tiveram o reconhecimento que mereciam?
SC: Eu sou suspeita mas vou ser muito directa: acho que não. Teve reconhecimento por ti, que foste sempre muito querido para a banda, e por alguns amigos... por mais ninguém. Acho estranho na SAPO aparecer uma notícia sobre as Anarchicks e quando falam da Marta dizem que ela foi a vocalista da banda carismática Bellenden Ker [aqui encontram o artigo em causa]. Se foi carismática, porque é que fomos tão mal tratadas no Musicbox, Santiago Alquimista e afins? Porque é que nenhuma editora pegou na banda?
HOTM:
Perguntas pertinentes, de facto. E obrigado pela parte que me toca. Sempre vos adjectivaram como as L7 Portuguesas, ou como as Babes in Toyland Portuguesas(este até se adequará mais pelo cenário de bonecas que coloria o vosso palco). Já os Blind Zero eram os Pearl Jam Portugueses, por exemplo. Por que temos esta necessidade de catalogar as bandas nacionais como "Banda-americana-de-estilo-semelhante Portugueses"?
SC: Eu penso que temos essa necessidade para localizar um pouco a sonoridade da banda. E não é mentira... as nossas influências vêm praticamente de bandas que se ouvem desde as décadas de 80/90 dos EUA.
HOTM:
As bandas 100% femininas não abundam, é um facto. Porquê?
SC: A ver o lançamento da biografia do Victor Gomes dos Gatos Negros no Sabotage [notícia no Diário de Notícias], conheci a baterista dos Dirty Coal Train [Facebook da banda], a Helena, e ela disse-me que, ao contrário de Portugal, no Brasil existem muitas bandas femininas. Será que é por ser um país pequeno em que muita rapariga prefere cantar em vez de tocar instrumentos musicais? Não sei...
HOTM:
Mais uma boa questão... Vocês tinham alguma mensagem feminista, lutavam pela igualdade de direitos ou simplesmente eram amigas que gostavam de rock e queriam fazer o vosso som?
SC: Nunca definimos nada relativamente a lutas ou a causas. Juntámo-nos e fizemos o que fizemos somente pela música e pelo prazer que nos dá tocá-la. :)
HOTM:
Sentias que, por vezes, a audiência estaria mais interessada em vocês por serem mulheres do que pela vossa música? Tanto pelo lado de "Será que elas conseguem?" ou pelo lado mais "voyeurista", digamos...
SC: Depende das pessoas. Existe um pouco de tudo no público... Uma coisa é certa: nunca quisemos mostrar o "bonito" e "belo", tanto nas músicas como na imagem... Se foram pessoas assistir por sermos "gajas", possivelmente assustaram-se connosco devido à nossa imagem e música! eheh.
HOTM:
Já tocaste em bandas all female e bandas mistas. É muito diferente o ambiente nos ensaios? A dedicação à banda? Ou esta questão nem sequer faz sentido?
SC: De uma forma geral, as bandas, femininas ou mistas, comportam-se da mesma maneira nos ensaios... Só modificará um pouco as piadas (ou não, ahahah... Isto ficará no segredo dos deuses! :P). A dedicação à banda... penso que isso não tenha nada a ver com o sexo mas sim com a própria pessoa.
HOTM:
Já estiveste em diferentes projectos musicais. Queres destacar algum?
SC: Queria destacar 3: primeiro os Subic Bay [Facebook da banda], banda de originais onde toco, que tem um som extremamente agradável e que aconselho a todos a conhecerem a ouvirem. Há músicas disponíveis no Facebook e vamos fazer o lançamento de um EP! :) ; os 5 Caminhos [Facebook aqui], uma banda de Música Portuguesa com uma sonoridade extremamente agradável com guitarras acústicas, flauta transversal e percussões; e as Rockalady, banda feminina que, para além de apresentar versões bem executadas e músicos a alto nível, têm uns originais fantásticos!
HOTM:
Actualmente, em que projectos te desdobras?
SC: Actualmente, nestes 3 que mencionei. :) Tenho um projecto em acústico com a minha amiga Ana Lapa, as Keep it Calm, mas está parado.
HOTM:
Tens algum projecto musical em mente, num futuro próximo?
SC: Continuar com estes. ;)
HOTM:
Que te falta fazer na música? E por que ainda não o fizeste?
SC: Falta compor e saber improvisar no baixo. :P Ainda não me dediquei a essas coisas porque sou preguiçosa. :p
HOTM:
Preguiçosa, com tantos projectos!? E achas que é possível viver da música em Portugal? Sem ser os Xutos, por exemplo...
SC: Fiz uma vez, há alguns anos atrás, essa pergunta ao Jorge Bruto dos Capitão Fantasma [clicar para o Facebook da banda] e ele disse-me que sim, mas que muitos músicos vivem mal... Pessoalmente, conheço quem consiga viver mas não se vive desafogadamente... E, neste momento, também é um mercado muito limitado...
HOTM:
Estamos em crise (dizem...). Geralmente a cultura é quem sofre primeiro com os cortes orçamentais. Por que é que se deve apostar na cultura?
SC: O que é que um povo faz sem cultura? Nada. Penso que Portugal ainda não percebeu a importância que a cultura tem para o povo.
HOTM:
Sem dúvida... Os cortes são transversais a diversos sectores fundamentais da nossa sociedade. És professora de Música. Como vês os cortes na Educação e este periclitante início de ano lectivo? Há alguma relação?
SC: Claro que sim! Quiseram colocar mais tarde os professores por causa dos ordenados! E ninguém me convence do contrário... O problema é que isso deu barraca, e das grandes. Penso que a própria prova de conhecimentos que servia para limitar as candidaturas dos professores foi um fiasco para eles porque 85% dos professores passaram na prova.
HOTM:
Em particular, qual a situação do ensino musical em Portugal?
SC: Está uma desgraça. Em grande parte das escolas de 2.º e 3.º ciclos, só têm Educação Musical no 2.º ciclo (5.º e 6.º anos) e, com o aumento de número de alunos por turma, foram reduzindo também o número de colocações. Eu não estou colocada e estou muito longe de ficar (infelizmente). Para além disso, as "Atividades de Enriquecimento Curricular" em grande parte das escolas primárias trocaram a Música por Expressões. Penso que, de uma forma geral, existe uma grande desvalorização pelo ensino musical em Portugal.
HOTM:
Infelizmente. Tenho conversado com diferentes Professores, de diferentes disciplinas, que declaram uma diminuição na qualidade dos alunos, no seu empenho, nos seus conhecimentos. Apesar da tua carreira estar ainda no início, sentes isto?
SC: Não está bem no início... Já cá cantam com 8 anos de ensino. :) Sim, os alunos são o reflexo da sociedade. Hoje em dia ninguém valoriza um professor. Muitos pais encaram-no como aquele que quer prejudicar o seu filho e depois ouvimos e vemos coisas horríveis. Para além disso, vivemos numa sociedade que impôs o facilitismo em tudo. Confesso que, como professora, continuo a remar contra a maré...
HOTM:
Em particular no ensino da música, há alunos com "bom ouvido"?
SC: Geralmente, em cada turma, existe sempre um ou dois alunos que se destacam por terem "bom ouvido". :)
HOTM:
Os teus alunos sabiam, ou sabem, que és baixista em bandas rock?
SC: Sim, sabem. :) Eu não escondo isso. Alguns até pensam que eu sou uma pessoa famosa! ehehe.
HOTM:
Se não fosses famosa, achas que te entrevistava!? :)
E encararam o facto com naturalidade e não ligaram muito, ficaram admirados ou pediram-te um autógrafo?
SC: Ficam admirados mas eu nunca prolongo muito a conversa por causa da aula. :)
HOTM:
Tenho a certeza que o teu gosto pela música e os diferentes projectos musicais que abraçaste fazem de ti uma docente melhor. Mas achas que a nossa sociedade Portuguesa, ou parte desta, ainda olha de modo desconfiado para os músicos? Para os artistas, no geral?
SC: Sim, é possível... Quando eu conto a alguém, fora do meio musical, que dou concertos, a pessoa pensa logo em drogas e maluquices, embora não costumem comentar mas eu sei. :p O que as pessoas não sabem é que eu posso ser maluca em palco mas, fora do palco, até sou uma pessoa certinha. :p Sobre a sobrevivência, se disseres a alguém que vives de alguma forma de arte, irão logo pensar que és um miserável e que, na realidade, estás a viver dos rendimentos dos teus pais.
HOTM:
Penso que parte desta desconfiança parte do estereótipo de que os músicos são uns bêbados e uns drogados, indo directo ao assunto e como já referiste. Ainda há uns meses, um estudo inglês [link para a notícia] concluía que os músicos têm uma menor esperança média de vida do que a restante população (a par de tantos outros estudos com conclusões semelhantes). Pensas que há uma maior apetência para o consumo de substâncias psicotrópicas pela classe ou, por outro lado, uma vida psicologicamente desgastante, com muitas viagens em pouco tempo e grandes incertezas quando ao rendimento do amanhã têm também uma grande influência?
SC: Eu acho que nesse estudo tiveram mais em conta o facto do músico consumir drogas e álcool. Não te vou mentir... há muita gente que o faz mas também conheço quem não o faça e ninguém te obriga, só fazes porque queres.
HOTM:
Dando exemplos concretos: Zé Leonel (56 anos), Rui Rocker (49 anos), João Ribas (48 anos)... Ultimamente, temos perdido alguns nomes importantes do Rock Português, infelizmente. Alguns deles sei que eram mesmo teus amigos. Independentemente do estilo de vida que levavam, e das causas da morte, o truísmo confirma-se e desapareceram cedo demais... Foram personalidades importantíssimas que influenciaram imensos músicos. Achas que a sociedade reconheceu o seu trabalho e importância?
SC: Não. Definitivamente não. Grandes músicos e importantíssimos na história do rock português e nem sequer tiveram direito, em nenhum noticiário, a uma referência ao seu falecimento... é uma vergonha. O único dos três músicos com quem tive ligação foi com o Zé Leonel [primeiro vocalista dos Xutos e Pontapés]. Ainda ontem eu e o baterista de Subic Bay, o Pedro Rodrigues, estávamos a falar das músicas dos Ex-Votos [página do Facebook]. O Ribas [fundador e vocalista dos "Censurados" e "Tara Perdida", entre outros projectos] apoiava sempre as bandas nacionais. Nos concertos de punk/rock que eu via na Casa de Lafões, a casa costumava estar vazia mas o Ribas marcava sempre a sua presença e essa imagem não me sai da cabeça. Chegou a ver, inclusivé, Bellenden Ker. O Rui Rocker [fundador e guitarrista dos "Crise Total" e guitarrista dos "Asfixia"] não conheci pessoalmente, com muita pena minha... Mas tanto ele como o Zé Leonel ficarão na história da música do rock português por terem dado o último concerto já numa fase bem avançada da doença... dias depois faleceram. Só por isso, mereciam uma grande homenagem em todos os canais. Espero que um dia escrevas um livro sobre o rock português e fales sobre isto tudo. :)
HOTM:
Pretendo escrever tal livro e fazer justiça a essas e outras personalidades esquecidas pela nossa sociedade. Já no Brasil, por exemplo, o Gilberto Gil, cuja fama chegou pela música, chegou a Ministro da Cultura. Como Ministros da Cultura ligados à música, tivemos recentemente a pianista Gabriela Canavilhas, e penso ser caso único. Actualmente, nem Ministério da Cultura há... Achas que alguma vez teremos um músico como Gilberto Gil, mais conhecido pelo grande público e não tão erudito, como Ministro da Cultura em Portugal?
SC: Não prevejo num futuro próximo voltar a existir sequer Ministério da Cultura... teriam de se modificar demasiadas mentalidades. E se voltasse a existir, sei que quem vai para lá não faz aquilo que quer... por isso duvido muito que vá para lá um músico.
HOTM:
Se te dessem a escolher, e se, uma vez lá, pudesses mesmo mudar algo de acordo com as tuas ideias, preferias ser Ministra da Cultura ou Ministra da Educação?
SC: Ministra de Educação. Teria que dar alguma educação às pessoas para começarem a apreciar cultura. ;)
HOTM:
Óptima resposta! Estamos quase a acabar. Não é difícil descortinar algumas bandas que farão parte das tuas preferências musicais. Sei que chegaste mesmo a falar com o Mark Arm, vocalista dos Mudhoney, aquando dum concerto da banda em Portugal... Esta última pergunta é tão ridícula que se torna engraçada, e tu vais entendê-la particularmente bem. Como já perguntei ao Daniel (e ele safou-se bem): o grunge está morto!?
SC: Ahahah! O grunge continuará vivo enquanto houver pessoas a senti-lo. :)
HOTM:
Muito obrigado pela entrevista. Se quiseres deixar algum comentário final, está à vontade; no meu blogue não há limites editoriais!
SC: Queria só agradecer-te por me teres escolhido para uma entrevista com temas tão abrangentes. Fizeste bem o trabalho de casa. ;)
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
ENTREVISTA - Daniel Santinhos, líder dos Jed Dickens
Após um longo interregno, as entrevistas voltam ao blogue. Desta vez, fica para a posteridade a contribuição do Daniel Santinhos, frontman da banda rock Jed Dickens [cliquem aqui para a página do Facebook]. Conheci esta banda num concerto que deram no Porto, num 11 de Setembro... A Casa Viva aguentou e eis o que surgiu desta conversa, 5 longos anos depois:
HIGH ON THE MOUNTAIN:
Daniel Santinhos, é para mim um grande prazer poder contar com esta entrevista no meu blogue. Confesso aqui a minha admiração pelo EP dos Jed Dickens que ouvi pela primeira vez em 2009 e desde então tem estado em constante rotação no meu leitor de mp3 [cliquem aqui para ouvir]. A vida dá muitas voltas, creio que os Jed Dickens estão parados, estamos ambos a viver em Aveiro e aqui te faço uma entrevista sobre o teu momento actual e como cá chegaste!
Vamos começar com uma questão fácil. Como nasceram os Jed Dickens?
Daniel Santinhos:
Bem, acho que começou como começam todas as bandas. Estudávamos na mesma escola, éramos amigos e já tínhamos tocado juntos. Na altura tínhamos uma banda em que o João tocava bateria e o Eduardo guitarra. Eu já tinha tido outra banda com o Eduardo a baterista, e a experiência tinha sido boa. Tive umas ideias de músicas, falei com eles e começámos a ensaiar (se não estou em erro 15 de Dezembro, 2007 ou 2008).
HOTM:
Se tivesses dito mais cedo, esperava-se um mês e comemorava-se a efeméride! Mas siga: porquê esse nome?
DS:
Aquela ideia original de juntarmos os nossos nomes como fizeram os RAMP e os DZRT eheheh JED (João, Eduardo, Daniel), Dickens sempre foi um nome que gostei, e veio do escritor Charles Dickens. Lembro-me de ter em criança um livro dele, o "Oliver Twist", daqueles que cheiravam a mofo. Mais tarde fizeram piadas com o DICKens, e era porreiro, falavamos de nós próprios como os jed pilas.
HOTM:
Um clássico, é um dos livro na minha wishlist. Actualmente, que estás a fazer no mundo da música?
DS:
Sinceramente, é raro quando toco guitarra, muito raro. Já tive ideias e tinha algumas coisas gravadas para utilizar, mas nunca passou disso.
HOTM:
Os Jed Dickens acabaram?
DS:
Pode dizer-se que sim.
HOTM:
Ainda há dias, as Bellenden Ker [cliquem aqui que vão ter ao Facebook], com quem vocês já partilharam palco, regressaram do mundo dos mortos num concerto de Halloween. Portanto, seguindo a tendência, quando é que os Jed Dickens vão regressar?
DS:
Era um concerto que gostava de voltar a ver, as Bellenden ker têm um som muito característico e bom. Para o final da banda as coisas não estavam a correr da forma que queríamos e decidimos cancelar os últimos concertos (penso que eram 4 ou 5). Ainda voltámos a ensaiar, falámos em mudar algumas coisas, gravar músicas novas mas acabámos por desistir. Falámos nisso quando estamos numa noite de copos mas tem sido difícil estarmos os três juntos (infelizmente).
HOTM:
Falando doutra banda com quem partilharam palco, os Shivers [cliquem aqui para o Facebook]. Eles têm estado parados, nomeadamente desde que o Arroja foi viver para Londres. É possível conciliar trabalho e a vida duma banda? Chega a uma altura que a vida nos manda "cada um para o seu lado"? Estamos condenados a ter bandas rock apenas na nossa adolescência e, talvez, vida académica?
DS:
É aquela altura que cada um começa a ir para seu lado e isso acontece de uma forma muito natural. No caso dos Shivers, claro que para o Arroja vir a Portugal dar um concerto implicaria no mínimo ter a viagem paga; nem sempre acontece. São mais as vezes que perdemos dinheiro do que ganhamos.
HOTM:
É verdadeiramente algo que fazemos por gosto porque se perde dinheiro, inevitavelmente. Há algum concerto que recordes com particular saudade? Algum que te marcou mais?
DS:
Lembro-me bem dos maus eheheh. Talvez no Chá das Eiras no Porto, no festival 1.77 (Elvas), black n whitte fest (Vila Viçosa) e nos Celeiros, em Évora; foram grandes noites.
HOTM:
Dizem que o baterista é o membro da banda com mais sucesso entre o público feminino. Achas que isto se confirma, em particular sendo o vosso baterista modelo?
DS:
Ahahah sem dúvida, um grande sedutor! :) Mas isso deve ser o público feminino a falar e não eu... ahaha
HOTM:
Bem respondido! Groupies, podem comentar esta entrevista, ficamos à espera! ehehe
Continuando: João Canhão, nome de guerra, poderoso, Daniel Santinhos, nome mais angelical mas basta ouvir os teus berros para o povo ficar em sentido, e depois um baterista que é modelo?! Que banda rock é esta? Ou estamos perante preconceito?
DS:
Nunca tinha pensado nisso, fomos 3 amigos que tocávamos aquilo de que gostávamos. Nunca trabalhávamos bem a imagem mas não sei como é que eles se sentiam em relação a isso.
HOTM:
Por falar em preconceiro, a vossa música tem alguma mensagem em especial? Política, anti-preconceito ou outra? Ou simplesmente queriam fazer a vossa música sem pensar muito nas letras?
DS:
Queríamos fazer a nossa música. Nunca tínhamos um tema, as coisas surgiam nos ensaios e quando estávamos juntos "Olha, podíamos fazer uma música sobre isto!" - e ia acontecendo. A "Another Ride" [cliquem aqui para ouvir a música], parte da letra fala de um amigo nosso que adormeceu à porta de casa com a chave na fechadura. O pai ao sair de casa de manhã para ir trabalhar deu com ele a dormir de joelhos: épico!!
HOTM:
Eu diria que não há melhor inspiração do que a nossa própria vida! O que vinha primeiro, a letra ou a música?
DS:
A música. E admito que demos concertos com letras inventadas na hora. Aliás, nunca demos um concerto completo que tivesse todas as letras! Ahahahah. Eu sei que era mau, mas tínhamos músicas novas que queríamos mostrar, e ninguém 'tava para ouvir as letras, sinceramente, eu detestava cantar... Depois disso, quando começámos a gravar as músicas, já eram feitas as letras, com mais calma e com mais sentido. Gostei de fazer a "Seven Sins" [cliquem aqui para ouvir] com o João. Outros temas como a "Poor Jimmy" [esta música tem vídeo; cliquem aqui para ver e ouvir] e "Another Ride" foram escritas pelo Lupa.
HOTM:
Esta pergunta impõe-se: o grunge está morto? (eheheh)
DS:
Isso é porque nos estás a rotular com música grunge! Eheheh. Eu acho que isso não é importante, grunge foi uma época, um estilo, quando isso aconteceu eu era uma criança. Tenta-se sempre recriar ou imitar os ídolos, às vezes de forma involuntária. É onde toda a gente vai buscar inspiração. Com a experiência e maturidade as coisas ganham outra forma.
HOTM:
Sim, tudo muda. Como por exemplo, onde passamos o nosso tempo. És do Alentejo, estudaste em Tomar, vives em Aveiro e quando podes vais ao Hard Club, na Invicta. A vida tem-te puxado para Norte. Notas essa mudança? Há um sentir, uma maneira de estar diferente das pessoas em diferentes latitudes? Na música ou no quotidiano...
DS:
Foi um bocado por oportunidades de trabalho, e acabei por gostar. Sempre que posso vou ao Porto, nem que seja para passear. Gosto do Norte, apenas gostava de estar mais perto da minha família e dos meus amigos em Elvas. Já fiz alguns amigos, começo a sentir-me em casa.
HOTM:
Do que gostas mais em Aveiro?
DS:
Estar perto da praia, estar perto do Porto. Tem movimento, tem zonas calmas, bons restaurantes, bares, cinema, e concertos. E a cidade é bonita, atrai muitos turistas. Em Elvas é o que me faz falta, mais vida nocturna no centro da cidade, mais concertos com bandas que tocam originais e que se pague a entrada, porque ninguém quer dar um tostão, e especialmente cinema, que os filmes lá chegam de carroça.
HOTM:
Além da Casa Pina [ehehe cliquem aqui], que outros sítios é que o pessoal mais ligado às bandas rock (ou outras, vá) deve conhecer em Aveiro?
DS:
Mercado Negro é um espaço muito bom [Facebook aqui]. Não tem muita confusão, a musica é boa, costuma ter concertos e agora até tem uma livraria, o "Elefante Balão" [cliquem aqui para ir ter ao Facebook]: aconselho.
HOTM:
E eu também aconselho, local obrigatório para quem tiver preocupações artísticas. Tu que és artista, literalmente, na área do design, se estou correcto, que achas do estado da arte em Portugal? Há emprego? Há condições? Um designer é reconhecido pelo que faz?
DS:
Ainda sou muito novo nisto no mundo do trabalho. A pouco e pouco aprendo com o que vejo, com o que oiço e com os erros. Há condições que pouca gente as dá. Por vezes é ingrato, e é preciso ter uma paciência do caralho!
HOTM:
Qual o teu trabalho mais famoso?
DS:
De famoso não tenho nada, mas dos dois trabalhos que gostei mais de fazer e que tive um bom feedback foi com uma exposição fictícia que fiz no mestrado, o tema era sobre rockabilly. E o plusplus.collective que desenvolvi a imagem gráfica e criei o conceito. Ainda é um projeto que me dá prazer fazer.
HOTM:
Quais os teus objectivos profissionais?
DS:
Ter prazer no meu trabalho, e uma boa equipa para trabalhar; tenho muita coisa para aprender.
HOTM:
Ter passado por bandas rock ajudou-te no teu percurso académico e profissional?
DS:
Ajudou em tudo. Com os concertos conheci novas pessoas, cidades ou aldeias, experiências, e isso ajudou-me muito.
HOTM:
Por que é que ainda há muita gente a olhar de lado quando dizemos a alguém que estivemos numa banda rock? Eu sinto isso, pelo menos...
DS:
Eu também olho de lado para isso do rock, acho que kizomba é muito melhor! :)
HOTM:
Ahahah! Muito bem! Para acabar, que a entrevista vai longa, conta-nos uma história dos Jed Dickens, algo que recordes como um bom momento. Essas histórias abundam no universo musical underground (chamemos-lhe assim! ehehe).
DS:
São tantas, e em tão pouco tempo... Não consigo escolher uma mas só de pensar algumas coisas não paro de rir!
HOTM:
Muito obrigado pela entrevista. Se quiseres deixar algum comentário final, está à vontade; no meu blogue não há limites editoriais!
DS:
Obrigado eu, lembrei-me de muita coisa boa. Sorte para o Eduardo e o João que têm bandas no activo! (:
HIGH ON THE MOUNTAIN:
Daniel Santinhos, é para mim um grande prazer poder contar com esta entrevista no meu blogue. Confesso aqui a minha admiração pelo EP dos Jed Dickens que ouvi pela primeira vez em 2009 e desde então tem estado em constante rotação no meu leitor de mp3 [cliquem aqui para ouvir]. A vida dá muitas voltas, creio que os Jed Dickens estão parados, estamos ambos a viver em Aveiro e aqui te faço uma entrevista sobre o teu momento actual e como cá chegaste!
Vamos começar com uma questão fácil. Como nasceram os Jed Dickens?
Daniel Santinhos:
Bem, acho que começou como começam todas as bandas. Estudávamos na mesma escola, éramos amigos e já tínhamos tocado juntos. Na altura tínhamos uma banda em que o João tocava bateria e o Eduardo guitarra. Eu já tinha tido outra banda com o Eduardo a baterista, e a experiência tinha sido boa. Tive umas ideias de músicas, falei com eles e começámos a ensaiar (se não estou em erro 15 de Dezembro, 2007 ou 2008).
HOTM:
Se tivesses dito mais cedo, esperava-se um mês e comemorava-se a efeméride! Mas siga: porquê esse nome?
DS:
Aquela ideia original de juntarmos os nossos nomes como fizeram os RAMP e os DZRT eheheh JED (João, Eduardo, Daniel), Dickens sempre foi um nome que gostei, e veio do escritor Charles Dickens. Lembro-me de ter em criança um livro dele, o "Oliver Twist", daqueles que cheiravam a mofo. Mais tarde fizeram piadas com o DICKens, e era porreiro, falavamos de nós próprios como os jed pilas.
HOTM:
Um clássico, é um dos livro na minha wishlist. Actualmente, que estás a fazer no mundo da música?
DS:
Sinceramente, é raro quando toco guitarra, muito raro. Já tive ideias e tinha algumas coisas gravadas para utilizar, mas nunca passou disso.
HOTM:
Os Jed Dickens acabaram?
DS:
Pode dizer-se que sim.
HOTM:
Ainda há dias, as Bellenden Ker [cliquem aqui que vão ter ao Facebook], com quem vocês já partilharam palco, regressaram do mundo dos mortos num concerto de Halloween. Portanto, seguindo a tendência, quando é que os Jed Dickens vão regressar?
DS:
Era um concerto que gostava de voltar a ver, as Bellenden ker têm um som muito característico e bom. Para o final da banda as coisas não estavam a correr da forma que queríamos e decidimos cancelar os últimos concertos (penso que eram 4 ou 5). Ainda voltámos a ensaiar, falámos em mudar algumas coisas, gravar músicas novas mas acabámos por desistir. Falámos nisso quando estamos numa noite de copos mas tem sido difícil estarmos os três juntos (infelizmente).
HOTM:
Falando doutra banda com quem partilharam palco, os Shivers [cliquem aqui para o Facebook]. Eles têm estado parados, nomeadamente desde que o Arroja foi viver para Londres. É possível conciliar trabalho e a vida duma banda? Chega a uma altura que a vida nos manda "cada um para o seu lado"? Estamos condenados a ter bandas rock apenas na nossa adolescência e, talvez, vida académica?
DS:
É aquela altura que cada um começa a ir para seu lado e isso acontece de uma forma muito natural. No caso dos Shivers, claro que para o Arroja vir a Portugal dar um concerto implicaria no mínimo ter a viagem paga; nem sempre acontece. São mais as vezes que perdemos dinheiro do que ganhamos.
HOTM:
É verdadeiramente algo que fazemos por gosto porque se perde dinheiro, inevitavelmente. Há algum concerto que recordes com particular saudade? Algum que te marcou mais?
DS:
Lembro-me bem dos maus eheheh. Talvez no Chá das Eiras no Porto, no festival 1.77 (Elvas), black n whitte fest (Vila Viçosa) e nos Celeiros, em Évora; foram grandes noites.
HOTM:
Dizem que o baterista é o membro da banda com mais sucesso entre o público feminino. Achas que isto se confirma, em particular sendo o vosso baterista modelo?
DS:
Ahahah sem dúvida, um grande sedutor! :) Mas isso deve ser o público feminino a falar e não eu... ahaha
HOTM:
Bem respondido! Groupies, podem comentar esta entrevista, ficamos à espera! ehehe
Continuando: João Canhão, nome de guerra, poderoso, Daniel Santinhos, nome mais angelical mas basta ouvir os teus berros para o povo ficar em sentido, e depois um baterista que é modelo?! Que banda rock é esta? Ou estamos perante preconceito?
DS:
Nunca tinha pensado nisso, fomos 3 amigos que tocávamos aquilo de que gostávamos. Nunca trabalhávamos bem a imagem mas não sei como é que eles se sentiam em relação a isso.
HOTM:
Por falar em preconceiro, a vossa música tem alguma mensagem em especial? Política, anti-preconceito ou outra? Ou simplesmente queriam fazer a vossa música sem pensar muito nas letras?
DS:
Queríamos fazer a nossa música. Nunca tínhamos um tema, as coisas surgiam nos ensaios e quando estávamos juntos "Olha, podíamos fazer uma música sobre isto!" - e ia acontecendo. A "Another Ride" [cliquem aqui para ouvir a música], parte da letra fala de um amigo nosso que adormeceu à porta de casa com a chave na fechadura. O pai ao sair de casa de manhã para ir trabalhar deu com ele a dormir de joelhos: épico!!
HOTM:
Eu diria que não há melhor inspiração do que a nossa própria vida! O que vinha primeiro, a letra ou a música?
DS:
A música. E admito que demos concertos com letras inventadas na hora. Aliás, nunca demos um concerto completo que tivesse todas as letras! Ahahahah. Eu sei que era mau, mas tínhamos músicas novas que queríamos mostrar, e ninguém 'tava para ouvir as letras, sinceramente, eu detestava cantar... Depois disso, quando começámos a gravar as músicas, já eram feitas as letras, com mais calma e com mais sentido. Gostei de fazer a "Seven Sins" [cliquem aqui para ouvir] com o João. Outros temas como a "Poor Jimmy" [esta música tem vídeo; cliquem aqui para ver e ouvir] e "Another Ride" foram escritas pelo Lupa.
HOTM:
Esta pergunta impõe-se: o grunge está morto? (eheheh)
DS:
Isso é porque nos estás a rotular com música grunge! Eheheh. Eu acho que isso não é importante, grunge foi uma época, um estilo, quando isso aconteceu eu era uma criança. Tenta-se sempre recriar ou imitar os ídolos, às vezes de forma involuntária. É onde toda a gente vai buscar inspiração. Com a experiência e maturidade as coisas ganham outra forma.
HOTM:
Sim, tudo muda. Como por exemplo, onde passamos o nosso tempo. És do Alentejo, estudaste em Tomar, vives em Aveiro e quando podes vais ao Hard Club, na Invicta. A vida tem-te puxado para Norte. Notas essa mudança? Há um sentir, uma maneira de estar diferente das pessoas em diferentes latitudes? Na música ou no quotidiano...
DS:
Foi um bocado por oportunidades de trabalho, e acabei por gostar. Sempre que posso vou ao Porto, nem que seja para passear. Gosto do Norte, apenas gostava de estar mais perto da minha família e dos meus amigos em Elvas. Já fiz alguns amigos, começo a sentir-me em casa.
HOTM:
Do que gostas mais em Aveiro?
DS:
Estar perto da praia, estar perto do Porto. Tem movimento, tem zonas calmas, bons restaurantes, bares, cinema, e concertos. E a cidade é bonita, atrai muitos turistas. Em Elvas é o que me faz falta, mais vida nocturna no centro da cidade, mais concertos com bandas que tocam originais e que se pague a entrada, porque ninguém quer dar um tostão, e especialmente cinema, que os filmes lá chegam de carroça.
HOTM:
Além da Casa Pina [ehehe cliquem aqui], que outros sítios é que o pessoal mais ligado às bandas rock (ou outras, vá) deve conhecer em Aveiro?
DS:
Mercado Negro é um espaço muito bom [Facebook aqui]. Não tem muita confusão, a musica é boa, costuma ter concertos e agora até tem uma livraria, o "Elefante Balão" [cliquem aqui para ir ter ao Facebook]: aconselho.
HOTM:
E eu também aconselho, local obrigatório para quem tiver preocupações artísticas. Tu que és artista, literalmente, na área do design, se estou correcto, que achas do estado da arte em Portugal? Há emprego? Há condições? Um designer é reconhecido pelo que faz?
DS:
Ainda sou muito novo nisto no mundo do trabalho. A pouco e pouco aprendo com o que vejo, com o que oiço e com os erros. Há condições que pouca gente as dá. Por vezes é ingrato, e é preciso ter uma paciência do caralho!
HOTM:
Qual o teu trabalho mais famoso?
DS:
De famoso não tenho nada, mas dos dois trabalhos que gostei mais de fazer e que tive um bom feedback foi com uma exposição fictícia que fiz no mestrado, o tema era sobre rockabilly. E o plusplus.collective que desenvolvi a imagem gráfica e criei o conceito. Ainda é um projeto que me dá prazer fazer.
HOTM:
Quais os teus objectivos profissionais?
DS:
Ter prazer no meu trabalho, e uma boa equipa para trabalhar; tenho muita coisa para aprender.
HOTM:
Ter passado por bandas rock ajudou-te no teu percurso académico e profissional?
DS:
Ajudou em tudo. Com os concertos conheci novas pessoas, cidades ou aldeias, experiências, e isso ajudou-me muito.
HOTM:
Por que é que ainda há muita gente a olhar de lado quando dizemos a alguém que estivemos numa banda rock? Eu sinto isso, pelo menos...
DS:
Eu também olho de lado para isso do rock, acho que kizomba é muito melhor! :)
HOTM:
Ahahah! Muito bem! Para acabar, que a entrevista vai longa, conta-nos uma história dos Jed Dickens, algo que recordes como um bom momento. Essas histórias abundam no universo musical underground (chamemos-lhe assim! ehehe).
DS:
São tantas, e em tão pouco tempo... Não consigo escolher uma mas só de pensar algumas coisas não paro de rir!
HOTM:
Muito obrigado pela entrevista. Se quiseres deixar algum comentário final, está à vontade; no meu blogue não há limites editoriais!
DS:
Obrigado eu, lembrei-me de muita coisa boa. Sorte para o Eduardo e o João que têm bandas no activo! (:
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
A vontade de deus
Por vezes não sei o que digo
e cobra-me a vida o seu custo,
magoei o meu melhor amigo
mas reconheço que fui injusto.
Ele não deixa que eu me esqueça
que mereço ser penitenciado,
trago esta cicatriz na cabeça:
fui mau mas fui castigado...
Pois foi esta a vontade de deus,
e eu que nem nele acredito
carrego a cruz até ao infinito...
Tenho o veneno debaixo de tecto
e não me livro deste parasita,
só queria que fosse correcto
este fora de tempo que me irrita.
Não deixas que de nós o afaste:
deus, anda cá baixo ver isto!
Este nosso mundo que acabaste
e me dá chagas como a cristo!
Se foi esta a vontade de deus,
e eu que nem nele acredito,
quero esta cruz até ao infinito?!
(28-9-2011)
e cobra-me a vida o seu custo,
magoei o meu melhor amigo
mas reconheço que fui injusto.
Ele não deixa que eu me esqueça
que mereço ser penitenciado,
trago esta cicatriz na cabeça:
fui mau mas fui castigado...
Pois foi esta a vontade de deus,
e eu que nem nele acredito
carrego a cruz até ao infinito...
Tenho o veneno debaixo de tecto
e não me livro deste parasita,
só queria que fosse correcto
este fora de tempo que me irrita.
Não deixas que de nós o afaste:
deus, anda cá baixo ver isto!
Este nosso mundo que acabaste
e me dá chagas como a cristo!
Se foi esta a vontade de deus,
e eu que nem nele acredito,
quero esta cruz até ao infinito?!
(28-9-2011)
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Sento-me e relaxado abro o jornal
Sento-me e relaxado abro o jornal
com a mesma satisfação de outrora,
só que os tempos mudaram e agora
qualquer jornalista escreve tão mal!
O pior de tudo é que é natural
o erro ortográfico que decora
um artigo que li há uma hora,
postado há anos na rede social!
Do vasto silêncio nasce o fragor,
irritação por falta de rigor:
"O entrevistado respondeu isto?!"!
Acalmo-me e rio: isto é humor!
Reajo a frio: será rumor?
Fecho o jornal: é tão mau que desisto!
com a mesma satisfação de outrora,
só que os tempos mudaram e agora
qualquer jornalista escreve tão mal!
O pior de tudo é que é natural
o erro ortográfico que decora
um artigo que li há uma hora,
postado há anos na rede social!
Do vasto silêncio nasce o fragor,
irritação por falta de rigor:
"O entrevistado respondeu isto?!"!
Acalmo-me e rio: isto é humor!
Reajo a frio: será rumor?
Fecho o jornal: é tão mau que desisto!
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Poema ao amor perfeito
Dedico este poema ao amor perfeito,
não a flor, claro, mas o indescritível
existir que aqui farei inteligível,
tal a simplicidade com que o aceito.
Como havera prometido, dito e feito,
creio que mais claro seria impossível:
ser algo tão simples e apetecível
como encostares a cabeça no meu peito.
Sonhos a dois, que ao destino se promete,
expressões verbais que o silêncio repete
pois os olhos declamam com um sorriso!
Saudades até ao esperado abraço,
minutos as horas que contigo passo:
nada é perfeito mas que mais é preciso?!
não a flor, claro, mas o indescritível
existir que aqui farei inteligível,
tal a simplicidade com que o aceito.
Como havera prometido, dito e feito,
creio que mais claro seria impossível:
ser algo tão simples e apetecível
como encostares a cabeça no meu peito.
Sonhos a dois, que ao destino se promete,
expressões verbais que o silêncio repete
pois os olhos declamam com um sorriso!
Saudades até ao esperado abraço,
minutos as horas que contigo passo:
nada é perfeito mas que mais é preciso?!
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Sanidade purificação e chama...
Nas paredes brancas deste quarto arejado
vejo o filme da nossa vida projectado:
para quê pensar no que poderia ter sido
se agora é hora de tomar um comprimido
que nos faz esquecer que podemos pensar?
Durmo acordado e sonho para não me cansar
para não ter de mover mais montanhas;
os ratos que pariram nas suas entranhas
são amigos da noite com quem converso
e que respondem animados sempre em verso
e tenho a certeza, sempre que estou contigo,
que não sei as palavras certas do que digo,
e mesmo assim tento apreender o significado
de estar tão certo quando estou enganado
e se isto a quem lê não faz qualquer sentido
estamos no sítio certo pois aqui é permitido
sermos malucos à vontade sem mais questões!
Olha para aqueles que contam os tostões,
todos os dias do mês, que sentido isso faz?
Olha as árvores lá fora calmas, olha que paz,
como é que não me lembrei antes deste lugar?
O tempo é outro e acho que passa devagar
pois ainda me lembro duma outra vida lá fora.
Quem a quer viver quando vejo com nitidez
que o meu único problema é reter alguma lucidez?
Quero, por fim, e sem reservas, ensandecer,
é o passo em frente quando já quis desaparecer,
e é o movimento certo quando não há resposta
à questão de por que é que de alguém se gosta.
Esta questão que de coração que é tão profícua,
assim como ela para mim é a pessoa mais conspícua
tem de haver, ainda que não queira, uma guerra!
Pois que a mente sim mas o amor nunca erra,
a irracionalidade é um elevador que só sobe,
deitamos fogo às camas e dançamos à luz do strobe
e ao som das sirenes, preocupado e agudo,
agora daqui não saímos porque aqui temos tudo
e sinto o cheiro forte a porco assado
e é tão bom tudo o que temos passado
e é tão forte a dor que nem sequer sentimos
neste fogo em que nos extinguimos
para sempre...
vejo o filme da nossa vida projectado:
para quê pensar no que poderia ter sido
se agora é hora de tomar um comprimido
que nos faz esquecer que podemos pensar?
Durmo acordado e sonho para não me cansar
para não ter de mover mais montanhas;
os ratos que pariram nas suas entranhas
são amigos da noite com quem converso
e que respondem animados sempre em verso
e tenho a certeza, sempre que estou contigo,
que não sei as palavras certas do que digo,
e mesmo assim tento apreender o significado
de estar tão certo quando estou enganado
e se isto a quem lê não faz qualquer sentido
estamos no sítio certo pois aqui é permitido
sermos malucos à vontade sem mais questões!
Olha para aqueles que contam os tostões,
todos os dias do mês, que sentido isso faz?
Olha as árvores lá fora calmas, olha que paz,
como é que não me lembrei antes deste lugar?
O tempo é outro e acho que passa devagar
pois ainda me lembro duma outra vida lá fora.
Quem a quer viver quando vejo com nitidez
que o meu único problema é reter alguma lucidez?
Quero, por fim, e sem reservas, ensandecer,
é o passo em frente quando já quis desaparecer,
e é o movimento certo quando não há resposta
à questão de por que é que de alguém se gosta.
Esta questão que de coração que é tão profícua,
assim como ela para mim é a pessoa mais conspícua
tem de haver, ainda que não queira, uma guerra!
Pois que a mente sim mas o amor nunca erra,
a irracionalidade é um elevador que só sobe,
deitamos fogo às camas e dançamos à luz do strobe
e ao som das sirenes, preocupado e agudo,
agora daqui não saímos porque aqui temos tudo
e sinto o cheiro forte a porco assado
e é tão bom tudo o que temos passado
e é tão forte a dor que nem sequer sentimos
neste fogo em que nos extinguimos
para sempre...
terça-feira, 12 de novembro de 2013
E do conforto da vetusta idade
E do conforto da vetusta idade,
de quem viveu e viu já quase tudo,
o grave conselho soou agudo
àquele que ouve em ansiedade.
Detentor da experiente verdade,
embora quedando, por opção, mudo,
fitou ternamente o jovem rombudo
que criticou por sincera amizade:
"Dá-lhe tempo...", disse com paciência
mas o jovem na sua impaciência
queria resolver os seus problemas!
Completou "Dá-lhe tempo e nada temas..."
mas quem ouve bem insistiu ser mouco:
a pressa ceifou-o jovem e louco...
de quem viveu e viu já quase tudo,
o grave conselho soou agudo
àquele que ouve em ansiedade.
Detentor da experiente verdade,
embora quedando, por opção, mudo,
fitou ternamente o jovem rombudo
que criticou por sincera amizade:
"Dá-lhe tempo...", disse com paciência
mas o jovem na sua impaciência
queria resolver os seus problemas!
Completou "Dá-lhe tempo e nada temas..."
mas quem ouve bem insistiu ser mouco:
a pressa ceifou-o jovem e louco...
Pois é...
- Sabes aquele momento em que... Como dizer?
Aquele momento em que sentes que...
Aquilo que não consigo explicar, percebes?
Como dizer? Não sei mesmo, não por palavras...
- Sei.
- Pronto, e nesse momento... Como dizer?
Quando sentes aquilo que...
Aquilo que não consigo explicar, percebes?
Como dizer? Não sei mesmo, não por palavras...
- Sim, também sei...
- Ainda bem porque após senti-lo fico como...
Como dizer? Eu sei o que é mas não sei como dizer...
- Sim...
- Exacto, é isso que te quero dizer!
- O quê?
- Não sei...
- Nem eu...
- Não digas...
- Não digo...
- É só isso que tens para me dizer?
- Mas eu não disse nada!
- Pois...
FIM
Aquele momento em que sentes que...
Aquilo que não consigo explicar, percebes?
Como dizer? Não sei mesmo, não por palavras...
- Sei.
- Pronto, e nesse momento... Como dizer?
Quando sentes aquilo que...
Aquilo que não consigo explicar, percebes?
Como dizer? Não sei mesmo, não por palavras...
- Sim, também sei...
- Ainda bem porque após senti-lo fico como...
Como dizer? Eu sei o que é mas não sei como dizer...
- Sim...
- Exacto, é isso que te quero dizer!
- O quê?
- Não sei...
- Nem eu...
- Não digas...
- Não digo...
- É só isso que tens para me dizer?
- Mas eu não disse nada!
- Pois...
FIM
Mas? E se? O quê? Esquece...
Pi, pi, pi, pi, pi, pi, pi, ...
Está escuro!
Está...
Está mesmo!
Está!
Está...
Não sei se está mesmo!
Mas está!
Está...
...
Nada a dizer...
Nada...
Nada a fazer...
Nada...
Será?
É.
Sim?
Não sei...
Talvez...
Sim, talvez.
Ou não?
Não, talvez.
Mas...
Mas?
E se?
O quê?
Esquece...
...
Está escuro!
Está...
Está mesmo!
Está!
Está...
Não sei se está mesmo!
Mas está!
Está...
...
Nada a dizer...
Nada...
Nada a fazer...
Nada...
Será?
É.
Sim?
Não sei...
Talvez...
Sim, talvez.
Ou não?
Não, talvez.
Mas...
Mas?
E se?
O quê?
Esquece...
...
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Não sei, ninguém sabe mas acredito
Não sei, ninguém sabe mas acredito
no destino, maldito, que me calha;
se este meu cego crer um dia falha
vou odiar tudo o que tenho escrito!
Ou feio miséria ou paixão bonito:
quem sabe, se não há deus que me valha?
Somente ouço a terna voz que me ralha
pois confio em tudo o que me tem dito!
O que é diferente é que não me aborrece
a presença de quem mais me parece
equilibrar os pratos da balança!
Amor, assim sou uma marioneta
mas aceito o que o destino acarreta
pois és a minha única esperança!
no destino, maldito, que me calha;
se este meu cego crer um dia falha
vou odiar tudo o que tenho escrito!
Ou feio miséria ou paixão bonito:
quem sabe, se não há deus que me valha?
Somente ouço a terna voz que me ralha
pois confio em tudo o que me tem dito!
O que é diferente é que não me aborrece
a presença de quem mais me parece
equilibrar os pratos da balança!
Amor, assim sou uma marioneta
mas aceito o que o destino acarreta
pois és a minha única esperança!
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Kairos
Tempo, dando tempo ao tempo,
tento ter tempo para o resto,
presto-me ao que me atempo,
atento ao tempo que empresto,
ultrapassando cada contratempo,
ao que penso que ainda presta,
ainda que isso venha a destempo
como a paciência que me resta...
Que festa, esta, que de mim se alimenta,
tenta, esquece o tempo passado,
fado, forte e feito de tormenta,
aguenta, o futuro é tão desejado
dado o momento que a gente enfrenta,
a mudança de paradigma e sentimento,
tento, e até consigo, enquanto aguenta
a chama que vive para o teu vento...
Vendo, de olhos fechados sem ser cego,
pego na esperança que o vento agita,
grita o grito de revolta a que me apego,
nego a paz que num certo tempo habita,
acredito nas competências que te delego
e logo é tempo de rever a participação,
são vicissitudes que levo quando me relego,
junto ao ego a tempo da minha realização...
tento ter tempo para o resto,
presto-me ao que me atempo,
atento ao tempo que empresto,
ultrapassando cada contratempo,
ao que penso que ainda presta,
ainda que isso venha a destempo
como a paciência que me resta...
Que festa, esta, que de mim se alimenta,
tenta, esquece o tempo passado,
fado, forte e feito de tormenta,
aguenta, o futuro é tão desejado
dado o momento que a gente enfrenta,
a mudança de paradigma e sentimento,
tento, e até consigo, enquanto aguenta
a chama que vive para o teu vento...
Vendo, de olhos fechados sem ser cego,
pego na esperança que o vento agita,
grita o grito de revolta a que me apego,
nego a paz que num certo tempo habita,
acredito nas competências que te delego
e logo é tempo de rever a participação,
são vicissitudes que levo quando me relego,
junto ao ego a tempo da minha realização...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Não sei.
Não sei que mais te diga,
talvez nem diga tudo o que consiga...
Não sei se é loucura ou fadiga
ou uma simples dor de barriga...
Não sei e não sei se posso saber
se é algo possível de perceber...
Não sei se devo acreditar
ou se me deva irritar
pois nem sempre se acredita
na pessoa que mais irrita
e nem se houve uma mensagem
que foi lida durante a viagem...
Não sei mas tento adivinhar
se amanhã vamos definhar,
pode ser um sinal de fome
mesmo quando à mesa se come,
a tensão baixa sem comprimidos
e logo se perdem os sentidos:
o sentido do equilíbrio correcto,
o sentido do ser circunspecto,
o sentido da precoce imaginação
e o sentido da nossa realização.
Não sei mas se soubesse dizia
o que por vezes nos causa a azia;
será o marisco estragado?,
será o líquido estagnado
ou será simplesmente a solução
que tomamos para a constipação
que nos assola neste momento
em que começa a soprar o vento?
Até sei mas finjo que não sei
pois fico-me pelo que já pensei,
e sinto que posso estar certo
mas se penso é tudo tão incerto
que a certeza é um mito urbano
e só estou certo que me engano...
Digo que não sei mas e se souber?
Esconder-me-ei onde couber?
Se sei não sei como o posso expressar
quando nem sei o que se está a passar!
Passado um pouco de novo desconheço
as razões para tudo ter um preço,
as razões para ser tão elevado;
haverá um momento desenganado
em que os saldos desçam à cidade
e comprarei montes de verdade
para saber tudo aquilo que quero
e para saber se fui mesmo sincero.
Não sei e se soubesse saber não queria
pois a verdade consegue ser tão fria
que às vezes só apetece pode-la aquecer
com um abraço que só pode desaparecer
quando o sol brilha de novo no horizonte.
E se se desfaz já nos encontramos defronte
da fonte de todos os nossos anseios,
olhos penetrantes de humores cheios,
inquietos e fugidios como a paciência
que é preciso para se fazer a ciência
e que devia ser facilmente controlável
mas que é tão volátil e instável...
Não sei se não devia ter já parado,
afinal já passou um bom bocado,
e as horas passam de outra maneira
quando a conversa não é passageira,
quando a viagem não conhece destino,
quando a fé contacta com o peregrino
e o milagre surge e não se acredita
pois a visão é demasiado bonita
para poder ser uma realidade!
Diz-me, por favor, o que é a verdade?
Diz-me pois eu nunca sei e não saberei
as palavras que não mais encontrarei
para completar os poemas inacabados!
E então para mal dos meus pecados
não posso completar as velhas obras
à espera desses sinos que dobras
e ouço o vagaroso bater das horas
e atento pois sei como te demoras
e agora mergulho num silêncio profundo
e vou observar os males do Mundo.
Não sei se era bem isto,
não sei se já foi visto
ou se era suposto
mas relembro um rosto
que também não sabe
onde quer que este poema acabe...
Não sei...
Não sabes...
Quem sabe?
Não sei...
talvez nem diga tudo o que consiga...
Não sei se é loucura ou fadiga
ou uma simples dor de barriga...
Não sei e não sei se posso saber
se é algo possível de perceber...
Não sei se devo acreditar
ou se me deva irritar
pois nem sempre se acredita
na pessoa que mais irrita
e nem se houve uma mensagem
que foi lida durante a viagem...
Não sei mas tento adivinhar
se amanhã vamos definhar,
pode ser um sinal de fome
mesmo quando à mesa se come,
a tensão baixa sem comprimidos
e logo se perdem os sentidos:
o sentido do equilíbrio correcto,
o sentido do ser circunspecto,
o sentido da precoce imaginação
e o sentido da nossa realização.
Não sei mas se soubesse dizia
o que por vezes nos causa a azia;
será o marisco estragado?,
será o líquido estagnado
ou será simplesmente a solução
que tomamos para a constipação
que nos assola neste momento
em que começa a soprar o vento?
Até sei mas finjo que não sei
pois fico-me pelo que já pensei,
e sinto que posso estar certo
mas se penso é tudo tão incerto
que a certeza é um mito urbano
e só estou certo que me engano...
Digo que não sei mas e se souber?
Esconder-me-ei onde couber?
Se sei não sei como o posso expressar
quando nem sei o que se está a passar!
Passado um pouco de novo desconheço
as razões para tudo ter um preço,
as razões para ser tão elevado;
haverá um momento desenganado
em que os saldos desçam à cidade
e comprarei montes de verdade
para saber tudo aquilo que quero
e para saber se fui mesmo sincero.
Não sei e se soubesse saber não queria
pois a verdade consegue ser tão fria
que às vezes só apetece pode-la aquecer
com um abraço que só pode desaparecer
quando o sol brilha de novo no horizonte.
E se se desfaz já nos encontramos defronte
da fonte de todos os nossos anseios,
olhos penetrantes de humores cheios,
inquietos e fugidios como a paciência
que é preciso para se fazer a ciência
e que devia ser facilmente controlável
mas que é tão volátil e instável...
Não sei se não devia ter já parado,
afinal já passou um bom bocado,
e as horas passam de outra maneira
quando a conversa não é passageira,
quando a viagem não conhece destino,
quando a fé contacta com o peregrino
e o milagre surge e não se acredita
pois a visão é demasiado bonita
para poder ser uma realidade!
Diz-me, por favor, o que é a verdade?
Diz-me pois eu nunca sei e não saberei
as palavras que não mais encontrarei
para completar os poemas inacabados!
E então para mal dos meus pecados
não posso completar as velhas obras
à espera desses sinos que dobras
e ouço o vagaroso bater das horas
e atento pois sei como te demoras
e agora mergulho num silêncio profundo
e vou observar os males do Mundo.
Não sei se era bem isto,
não sei se já foi visto
ou se era suposto
mas relembro um rosto
que também não sabe
onde quer que este poema acabe...
Não sei...
Não sabes...
Quem sabe?
Não sei...
Ao sabor duma época nutricionalmente desequilibrada.
Sabes que uma vez fiz sonhos para uma
e como essa vez não há mais nenhuma,
posso fazer mais, e com frequência,
que sonhos passados são de outra essência.
Se a receita não pode ser repetida
como queres doçuras nesta vida?
Se corre bem e nunca mais se repete
como executar o doce que se promete?
Um dia vais sentir a volatilidade
e vais sucumbir à vulnerabilidade
da época dos frescos ingredientes
e vais perceber por que o sentes.
Nesse dia vai ser possível acreditar
que um dia vai haver bem-estar
e se calhar tudo o resto fará sentido
quando pensares no que podia ter sido.
É simples demais para nele ter reparado,
um mimo também é doce ao ser recordado,
até as saudades são formas de nutrição
quando as sentes e sabes por que o são.
e como essa vez não há mais nenhuma,
posso fazer mais, e com frequência,
que sonhos passados são de outra essência.
Se a receita não pode ser repetida
como queres doçuras nesta vida?
Se corre bem e nunca mais se repete
como executar o doce que se promete?
Um dia vais sentir a volatilidade
e vais sucumbir à vulnerabilidade
da época dos frescos ingredientes
e vais perceber por que o sentes.
Nesse dia vai ser possível acreditar
que um dia vai haver bem-estar
e se calhar tudo o resto fará sentido
quando pensares no que podia ter sido.
É simples demais para nele ter reparado,
um mimo também é doce ao ser recordado,
até as saudades são formas de nutrição
quando as sentes e sabes por que o são.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
why...
I don't know why...
I don't know why...
Why do I realize?
I don't know why!
One day I will know.
One day I'll show.
One day I'll go!
To the mountains and fly,
to the rivers and cry,
to the end but why?
Why if I realize
that was a bunch of lies
flying around!
I love butterflies
but I can't leave the ground!
I love flowers
when they bloom,
I hate the hours
when you gloom...
And then I realize
I was seeking lies,
I was seeking disease,
feeling the sea breeze,
feeling the sea cold
and no one to hold!
I don't know why!
Tell me, please, why!
If I do realize
these are not lies!
I see the shore
and what for
if the way is so away...
I want to stay...
I want to stay...
I want to say
that I want to stay...
Not only today
but every day!
If all these were lies
let me realize
that I must live a dream
and catch the sunbeam
and hold you so tight...
And if I was not right?
I will tell the same old story
and one day I'll reach the glory
of the days of sunrise!
That's why I realize
that nothing were lies
but just if I could know why...
I don't know why...
Why do I realize?
I don't know why!
One day I will know.
One day I'll show.
One day I'll go!
To the mountains and fly,
to the rivers and cry,
to the end but why?
Why if I realize
that was a bunch of lies
flying around!
I love butterflies
but I can't leave the ground!
I love flowers
when they bloom,
I hate the hours
when you gloom...
And then I realize
I was seeking lies,
I was seeking disease,
feeling the sea breeze,
feeling the sea cold
and no one to hold!
I don't know why!
Tell me, please, why!
If I do realize
these are not lies!
I see the shore
and what for
if the way is so away...
I want to stay...
I want to stay...
I want to say
that I want to stay...
Not only today
but every day!
If all these were lies
let me realize
that I must live a dream
and catch the sunbeam
and hold you so tight...
And if I was not right?
I will tell the same old story
and one day I'll reach the glory
of the days of sunrise!
That's why I realize
that nothing were lies
but just if I could know why...
A luz no escuro.
Há luzes na sombra
que te assombra,
que te ensombra
e te torna obscura!
Ri, chora, procura:
a luz, a da ribalta!
Dança, grita, salta
e encontra o teu lugar!
Em frente, sim, devagar,
estás a chegar,
é mesmo aí, à direita,
essa porta, espreita!
Que vês? Descreve.
Nada disso, algo breve,
quero ter uma ideia
do que se estreia
para lá da cortina!
Em surdina,
que é segredo,
sei que tens medo
da verdade,
de verdade,
compreendo...
Depreendo,
contudo,
que não é tudo
o que tens a dizer.
Que fazer?
Desconheço
mas apareço
amarelecido,
apodrecido,
escarificado
e sei o que dizes:
são cicatrizes
do tempo ido
e tenho vivido
na esperança
e na cobrança
do que procuro,
a luz no escuro...
que te assombra,
que te ensombra
e te torna obscura!
Ri, chora, procura:
a luz, a da ribalta!
Dança, grita, salta
e encontra o teu lugar!
Em frente, sim, devagar,
estás a chegar,
é mesmo aí, à direita,
essa porta, espreita!
Que vês? Descreve.
Nada disso, algo breve,
quero ter uma ideia
do que se estreia
para lá da cortina!
Em surdina,
que é segredo,
sei que tens medo
da verdade,
de verdade,
compreendo...
Depreendo,
contudo,
que não é tudo
o que tens a dizer.
Que fazer?
Desconheço
mas apareço
amarelecido,
apodrecido,
escarificado
e sei o que dizes:
são cicatrizes
do tempo ido
e tenho vivido
na esperança
e na cobrança
do que procuro,
a luz no escuro...
A chuva ácida no rio doce.
Doce é o rio que banha a tristeza
pois suga-lhe toda a sua doçura,
corre grosso e privado de frescura
pois a saturação já o retesa.
Na foz é travado p'la incerteza,
a peste obscura p'rá qual não há cura,
não desagua ou avança, satura!,
ecossistema que não se reveza!
Água mole em pedra dura, era outrora,
agora a água dura em pedra mole
não encontra líquido que a console.
Chove agora ácido, o gás evapora
mas a solução nunca se dissolve;
um rio é tudo aquilo que o envolve...
pois suga-lhe toda a sua doçura,
corre grosso e privado de frescura
pois a saturação já o retesa.
Na foz é travado p'la incerteza,
a peste obscura p'rá qual não há cura,
não desagua ou avança, satura!,
ecossistema que não se reveza!
Água mole em pedra dura, era outrora,
agora a água dura em pedra mole
não encontra líquido que a console.
Chove agora ácido, o gás evapora
mas a solução nunca se dissolve;
um rio é tudo aquilo que o envolve...
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Pois o bem que advém não tem qualquer preço!
Um tudo ou nada ansioso mas certo
das incertezas que vou compilando:
paro!, sonho!, sorrio!, sonho! e ando
para a frente pois é sempre mais perto!
Olhos fechados e sorriso aberto
ao ver o oásis que vou criando:
ajoelho, deito, rebolo e mando
mensagens aqui do fim do deserto!
Tão longe e tão perto que é aqui mesmo;
às vezes penso se não foi a esmo
que joguei, sem pretensões à taluda!
Mas a verdade é que tive uma ajuda
e mesmo sem ter pedido agradeço,
pois o bem que advém não tem qualquer preço!
das incertezas que vou compilando:
paro!, sonho!, sorrio!, sonho! e ando
para a frente pois é sempre mais perto!
Olhos fechados e sorriso aberto
ao ver o oásis que vou criando:
ajoelho, deito, rebolo e mando
mensagens aqui do fim do deserto!
Tão longe e tão perto que é aqui mesmo;
às vezes penso se não foi a esmo
que joguei, sem pretensões à taluda!
Mas a verdade é que tive uma ajuda
e mesmo sem ter pedido agradeço,
pois o bem que advém não tem qualquer preço!
Felicidade
Felicidade é ter toda a certeza
do que se quer e estar pronto p'ra luta!
Se ele é um bom amigo então escuta
todos os conselhos que te dá à mesa!
Felicidade rima com beleza
em dias de chuva que o sol permuta
com borboletas, flores e neve enxuta
até seres abraçado com firmeza!
Sinto-me tão feliz e estou sozinho,
descobri na encruzilhada o caminho
para esse local outrora vedado!
Não esperes mais pelo meu regresso,
não quero mais porque tenho o que peço:
um lugar no Mundo p'ra mim reservado!
do que se quer e estar pronto p'ra luta!
Se ele é um bom amigo então escuta
todos os conselhos que te dá à mesa!
Felicidade rima com beleza
em dias de chuva que o sol permuta
com borboletas, flores e neve enxuta
até seres abraçado com firmeza!
Sinto-me tão feliz e estou sozinho,
descobri na encruzilhada o caminho
para esse local outrora vedado!
Não esperes mais pelo meu regresso,
não quero mais porque tenho o que peço:
um lugar no Mundo p'ra mim reservado!
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Nada dizendo...
Nada, não digas nada, não vale a pena
porque não adianta nem mereço
a atenção, a amizade e o apreço
que prestas a esta alma tão pequena...
Mas e se eu quiser dizer?
Não dizes! Devias tê-la perdido!
A sério, muito mau, foi impensado!
Onde tinha a cabeça? É escusado
e vais dar o tempo como perdido...
Não és só tu que tens medo...
Não és mesmo...
Não sei por que pensas assim...
Não sei mesmo...
Também não sei...
Eu não sei o que te diga
mas digo sempre a verdade:
não há mal que não persiga
a quem sofra de ansiedade,
não há vitória alcançada
quando não vais competir,
pensas que não vales nada
se tens medo de existir.
E por mais que me digas o contrário
esses teus olhos são sempre sinceros,
se vivesses num mundo imaginário
os comentários não eram austeros,
mas vives neste, finito e precário,
e à sua semelhança são feros!
Zangas-te? Ou te zangaste?
Tempo, sempre relativo...
Recordas-te ou recordaste?
Pararia mas se vivo
mais é por ter atenção
ao sal que se adiciona,
e que blinda a repulsão
que tanto me condiciona.
E se acreditasses no que te digo
esses momentos eram poesia,
por mais que tente sei que não consigo
pregar sozinho a esta freguesia,
mas vivo nesta e sinto-me em perigo
por poder ouvir tudo o que dizia!
A tensão superficial, nada superficial, atenção, blindada!,
no seu canto escuro onde a vigia é constante, não vá haver interrupções...
Não posso ver, não quero ver, há monstros escondidos e de tez zangada,
prontos a visitar-me em sonhos para roubar a memória das emoções!
Sim!
Não!
Sim, pode ser...
Não há monstros...
Sim, tens de perceber...
O quê?
Monstros e seus rostros...
Certo.
Esquece...
Não!
Sim!
Em fase de negação...
Em fase...
Faz!
Faz bem!
Bem não faz...
Mas faz...
E...
A água escorre e...
E não vale a pena e...
E volta ao início e...
E volta ao fim e...
Deu uma volta.
Um nó.
Cego.
Seco.
Que por incúria
descurou a cura
e apenas por fúria
destilou secura
e retirou a essência
por não ter paciência...
Cheira-me...
Cheira a mar. E a mar
é que se quer,
e cheira a incêndio...
E o ar tem fumo...
Acende-o.
Mas como?
Parece um jogo,
combater fogo com fogo,
mas se resulta...
Resulta?
Envidam-se esforços...
Com reforços...
Sem remorsos...
Ou com...
Com...
Contente.
Queres que tente?
Eu tento.
Aguento!
O unguento.
É forte.
É.
Até é.
Sim.
Pois.
Exacto.
Isso.
Ora...
Ora bem, vamos lá ver onde encaixa.
A menina Pandora, o que é que acha?
- Hmm... Tudo te dou e tudo te tiro:
deixa-me em paz, que é o que prefiro.
Certo. Em paz. Te deixo.
Hoje já não me queixo.
Hoje já não te chamo.
Hoje já não te sei dizer o que disse outrora.
Olha lá para fora.
O céu está cinzento.
Mas como se é Verão?
Oh, porque eu cimento
assim o teu serão.
Não há Sol.
Nem Lua.
Nem luz.
Nem mais...
Quem quer mais porque hoje a liquidação é total?
Ouçam as minhas palavras pois é fundamental!
Percebam que nada tenho a ganhar com tal oferta!
A vitória é vossa, a vitória e fácil e certa!
Fecha os olhos... Vou-te vendar...
Tenho uns segredos a desvendar...
Podes ouvir mas não olhar,
quer dizer, se calhar...
Se calhar é injusto...
Mas a verdade é que tudo tem um custo...
E uma vez
eram duas,
ou até três,
luas
e estranhava-se,
entranhava-se,
alinhava-se
pelo mesmo diapasão
toda a frequência
sonora e luminosa...
Goza, goza...
Mundo paralelo?
Era bem belo...
Azul, verde e amarelo,
e estrelas saltitantes!
Antes fosse, antes...
Antes ainda havia uma cancela
que abria o caminho à Verdade
e ela saltava por uma janela
para encontrar a Mentira,
uma relação proibida,
o Amor a foder a Vida,
e a Justiça cega vira
que ali não havia Futuro
e a Desgraça sorriu!
E a Luz caiu no escuro
e apagou-se e fugiu
e ainda hoje não voltou
a ser vista e mais ninguém gostou
das trevas assim lançadas!
Populações assustadas,
pânico lançado,
Desgraça e Morte lado a lado
a beber a água estagnada
da lagoa alterada
pelos corpos putrefactos:
é um facto que são factos,
tudo deitado pelo chão
pela imprudência duma paixão...
Não interrompes,
muito pelo contrário...
Nem sequer me corrompes
quando é necessário
porque os rios correm numa só direcção...
Os rios são como são...
Açudem-nos, barragem-nos, esterilizem-nos
e mesmo assim correm em direcção ao mar...
Porque há sempre um destino que nos vem chamar...
Não! Não! Nããããããão!
Eu quero subir o rio!
Com esta jangada de ideias!
Xiu!
Aqui não há panaceias
para a tua doença...
A tua doença chamada crença.
Que se trata num asilo,
aquilo
a que os povos chamam realidade!
Uma nulidade!
Exactamente!
A sociedade!
Efectivamente!
A realidade,
sempre aparente,
é que não há unidade
e que só tu estás doente
quando só tu estás minimamente são...
Chamam-lhe teorias da conspiração...
Corre!
Dá-lhe brita!
Dar brita inspira muita gente!
E a gente anda descontente!
Porque a gente não acredita!
E morre...
Um manual de auto-destruição,
sempre actual...
Factual...
Irrepreensível,
irresponsável,
incrível,
improvável
mas possível...
Até ao dia, ou à noite, em que o acto se consuma...
Não há razão nenhuma que possa justificar o acto que tens em mente,
jovem,
tu estás doente!
Olha à tua volta e tudo o que temos para te oferecer!
Betão, alcatrão, poluição e outras maravilhas da civilização
que com toda a certeza farão as delícias dos teus sonhos capitalistas!
Não desistas!
O comunismo acabou para bem dos nossos pecados!
Agora somos felizes e bem educados!
É tudo tão transparente e puro e correcto que nunca há enganos!
Perfeitos! Megalómanos! Deus nos abençoe! Olé!
Duas bandarilhas e festa brava durante uma dúzia de anos!
Porco no espeto e outras iguarias gratuitas para todos! Ah pois é!
Ah...
Ah pois...
É...
- Digam-me só uma coisa, se não for muita a maçada,
mas por que é que tudo o que dizem é nada de nada?!
Nada de nada...
Nada...
Nada mais...
Atravessa o mar se for preciso...
A nadar...
Nada...
Nada...
Nada...
Nada...
Nada...
A nadar nada dizendo
alcanças o porto
e daí tens um cruzeiro de luxo
até um belo horizonte
onde o sol não se põe...
E as feiticeiras que aparecem no caminho
para incomodar a tua saga
são apenas ilusões
que aparecem nos teus receios
e que evaporam no ar
à medida que percebes
que não estás só.
Toda a determinação que te acompanha
e que nada contigo
nunca te apanha
porque o que te digo
é tão simples se o puderes compreender...
Só te falta aprender...
A ouvir...
E tu ouves nada...
E tu...
Tu...
Tu...
E eu...
E...
Nada...
Não digas nada...
porque não adianta nem mereço
a atenção, a amizade e o apreço
que prestas a esta alma tão pequena...
Mas e se eu quiser dizer?
Não dizes! Devias tê-la perdido!
A sério, muito mau, foi impensado!
Onde tinha a cabeça? É escusado
e vais dar o tempo como perdido...
Não és só tu que tens medo...
Não és mesmo...
Não sei por que pensas assim...
Não sei mesmo...
Também não sei...
Eu não sei o que te diga
mas digo sempre a verdade:
não há mal que não persiga
a quem sofra de ansiedade,
não há vitória alcançada
quando não vais competir,
pensas que não vales nada
se tens medo de existir.
E por mais que me digas o contrário
esses teus olhos são sempre sinceros,
se vivesses num mundo imaginário
os comentários não eram austeros,
mas vives neste, finito e precário,
e à sua semelhança são feros!
Zangas-te? Ou te zangaste?
Tempo, sempre relativo...
Recordas-te ou recordaste?
Pararia mas se vivo
mais é por ter atenção
ao sal que se adiciona,
e que blinda a repulsão
que tanto me condiciona.
E se acreditasses no que te digo
esses momentos eram poesia,
por mais que tente sei que não consigo
pregar sozinho a esta freguesia,
mas vivo nesta e sinto-me em perigo
por poder ouvir tudo o que dizia!
A tensão superficial, nada superficial, atenção, blindada!,
no seu canto escuro onde a vigia é constante, não vá haver interrupções...
Não posso ver, não quero ver, há monstros escondidos e de tez zangada,
prontos a visitar-me em sonhos para roubar a memória das emoções!
Sim!
Não!
Sim, pode ser...
Não há monstros...
Sim, tens de perceber...
O quê?
Monstros e seus rostros...
Certo.
Esquece...
Não!
Sim!
Em fase de negação...
Em fase...
Faz!
Faz bem!
Bem não faz...
Mas faz...
E...
A água escorre e...
E não vale a pena e...
E volta ao início e...
E volta ao fim e...
Deu uma volta.
Um nó.
Cego.
Seco.
Que por incúria
descurou a cura
e apenas por fúria
destilou secura
e retirou a essência
por não ter paciência...
Cheira-me...
Cheira a mar. E a mar
é que se quer,
e cheira a incêndio...
E o ar tem fumo...
Acende-o.
Mas como?
Parece um jogo,
combater fogo com fogo,
mas se resulta...
Resulta?
Envidam-se esforços...
Com reforços...
Sem remorsos...
Ou com...
Com...
Contente.
Queres que tente?
Eu tento.
Aguento!
O unguento.
É forte.
É.
Até é.
Sim.
Pois.
Exacto.
Isso.
Ora...
Ora bem, vamos lá ver onde encaixa.
A menina Pandora, o que é que acha?
- Hmm... Tudo te dou e tudo te tiro:
deixa-me em paz, que é o que prefiro.
Certo. Em paz. Te deixo.
Hoje já não me queixo.
Hoje já não te chamo.
Hoje já não te sei dizer o que disse outrora.
Olha lá para fora.
O céu está cinzento.
Mas como se é Verão?
Oh, porque eu cimento
assim o teu serão.
Não há Sol.
Nem Lua.
Nem luz.
Nem mais...
Quem quer mais porque hoje a liquidação é total?
Ouçam as minhas palavras pois é fundamental!
Percebam que nada tenho a ganhar com tal oferta!
A vitória é vossa, a vitória e fácil e certa!
Fecha os olhos... Vou-te vendar...
Tenho uns segredos a desvendar...
Podes ouvir mas não olhar,
quer dizer, se calhar...
Se calhar é injusto...
Mas a verdade é que tudo tem um custo...
E uma vez
eram duas,
ou até três,
luas
e estranhava-se,
entranhava-se,
alinhava-se
pelo mesmo diapasão
toda a frequência
sonora e luminosa...
Goza, goza...
Mundo paralelo?
Era bem belo...
Azul, verde e amarelo,
e estrelas saltitantes!
Antes fosse, antes...
Antes ainda havia uma cancela
que abria o caminho à Verdade
e ela saltava por uma janela
para encontrar a Mentira,
uma relação proibida,
o Amor a foder a Vida,
e a Justiça cega vira
que ali não havia Futuro
e a Desgraça sorriu!
E a Luz caiu no escuro
e apagou-se e fugiu
e ainda hoje não voltou
a ser vista e mais ninguém gostou
das trevas assim lançadas!
Populações assustadas,
pânico lançado,
Desgraça e Morte lado a lado
a beber a água estagnada
da lagoa alterada
pelos corpos putrefactos:
é um facto que são factos,
tudo deitado pelo chão
pela imprudência duma paixão...
Não interrompes,
muito pelo contrário...
Nem sequer me corrompes
quando é necessário
porque os rios correm numa só direcção...
Os rios são como são...
Açudem-nos, barragem-nos, esterilizem-nos
e mesmo assim correm em direcção ao mar...
Porque há sempre um destino que nos vem chamar...
Não! Não! Nããããããão!
Eu quero subir o rio!
Com esta jangada de ideias!
Xiu!
Aqui não há panaceias
para a tua doença...
A tua doença chamada crença.
Que se trata num asilo,
aquilo
a que os povos chamam realidade!
Uma nulidade!
Exactamente!
A sociedade!
Efectivamente!
A realidade,
sempre aparente,
é que não há unidade
e que só tu estás doente
quando só tu estás minimamente são...
Chamam-lhe teorias da conspiração...
Corre!
Dá-lhe brita!
Dar brita inspira muita gente!
E a gente anda descontente!
Porque a gente não acredita!
E morre...
Um manual de auto-destruição,
sempre actual...
Factual...
Irrepreensível,
irresponsável,
incrível,
improvável
mas possível...
Até ao dia, ou à noite, em que o acto se consuma...
Não há razão nenhuma que possa justificar o acto que tens em mente,
jovem,
tu estás doente!
Olha à tua volta e tudo o que temos para te oferecer!
Betão, alcatrão, poluição e outras maravilhas da civilização
que com toda a certeza farão as delícias dos teus sonhos capitalistas!
Não desistas!
O comunismo acabou para bem dos nossos pecados!
Agora somos felizes e bem educados!
É tudo tão transparente e puro e correcto que nunca há enganos!
Perfeitos! Megalómanos! Deus nos abençoe! Olé!
Duas bandarilhas e festa brava durante uma dúzia de anos!
Porco no espeto e outras iguarias gratuitas para todos! Ah pois é!
Ah...
Ah pois...
É...
- Digam-me só uma coisa, se não for muita a maçada,
mas por que é que tudo o que dizem é nada de nada?!
Nada de nada...
Nada...
Nada mais...
Atravessa o mar se for preciso...
A nadar...
Nada...
Nada...
Nada...
Nada...
Nada...
A nadar nada dizendo
alcanças o porto
e daí tens um cruzeiro de luxo
até um belo horizonte
onde o sol não se põe...
E as feiticeiras que aparecem no caminho
para incomodar a tua saga
são apenas ilusões
que aparecem nos teus receios
e que evaporam no ar
à medida que percebes
que não estás só.
Toda a determinação que te acompanha
e que nada contigo
nunca te apanha
porque o que te digo
é tão simples se o puderes compreender...
Só te falta aprender...
A ouvir...
E tu ouves nada...
E tu...
Tu...
Tu...
E eu...
E...
Nada...
Não digas nada...
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Três meses e sempre...
Fevereiro, Setembro, Outubro,
meses de sentimento rubro,
dou voltas e nunca descubro
o mês, destes três, em que habito...
Ora frio, ora quente e morno,
cheguei a um ponto sem retorno,
regressar seria um transtorno,
se possível, mas não admito...
Dia e noite e sempre celeste,
não sei se te ame ou te deteste,
se simulo que estou a leste
é porque rumo ao infinito...
Invisto no nunca antes visto,
é um hábito em que insisto,
revisto-me no que acredito
e imortalizo-o por escrito...
meses de sentimento rubro,
dou voltas e nunca descubro
o mês, destes três, em que habito...
Ora frio, ora quente e morno,
cheguei a um ponto sem retorno,
regressar seria um transtorno,
se possível, mas não admito...
Dia e noite e sempre celeste,
não sei se te ame ou te deteste,
se simulo que estou a leste
é porque rumo ao infinito...
Invisto no nunca antes visto,
é um hábito em que insisto,
revisto-me no que acredito
e imortalizo-o por escrito...
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
O isqueiro branco...
Nem sempre o conforto do lar nos deixa menos tristes;
se não te posso abraçar, para quê saber que existes?
Acende uma vela e reza para que não se repita;
a melhor religião é aquela em que se acredita...
Toma, guarda este isqueiro que tiro do bolso, branco,
já não me faz falta e usa quando estiveres de banco,
não se sabe quando precisamos de atear o fogo
assim como não se mudam as regras a meio do jogo
e como não se sabe quando temos de ir em viagem
para um destino distante e com pouca bagagem...
Por mais que tentes, as lentes amplificam a luz,
que emana dos corpos que deixam o peso da cruz
que sempre carregaram desde o sagrado baptismo,
turvam a visão, que ironia, e o meu cepticismo...
Foi verdade, foi mentira, parece fantasia,
uns dias erva, outros quatro paredes, outros maresia,
todos eles uma companhia e momentos de paz,
o que uma cara bonita, jovem e imatura faz,
há cheiro, há cor, rosa e baunilha e coco em perfume,
pega nesses voláteis, no isqueiro e chega-lhes lume!
Arde... Arde... Arde... E faz-se tarde para o resto da nossa vida...
Siga! Em frente! Contente cantando no meio da gente!
Falso, tudo falso, siga em frente, amanhã futuro!
Dei-te o meu isqueiro branco e agora estou no escuro...
Não preciso mais dele porque tu é que me escapaste,
não há luz acesa pois a tua hoje mesmo a apagaste,
há esperança... Num raio de Sol... Mas nem há Lua...
Há a realidade e essa é descolorida, crua,
estéril... e contigo chegou a ser tão bela...
Guarda o meu isqueiro para um dia me acenderes uma vela...
se não te posso abraçar, para quê saber que existes?
Acende uma vela e reza para que não se repita;
a melhor religião é aquela em que se acredita...
Toma, guarda este isqueiro que tiro do bolso, branco,
já não me faz falta e usa quando estiveres de banco,
não se sabe quando precisamos de atear o fogo
assim como não se mudam as regras a meio do jogo
e como não se sabe quando temos de ir em viagem
para um destino distante e com pouca bagagem...
Por mais que tentes, as lentes amplificam a luz,
que emana dos corpos que deixam o peso da cruz
que sempre carregaram desde o sagrado baptismo,
turvam a visão, que ironia, e o meu cepticismo...
Foi verdade, foi mentira, parece fantasia,
uns dias erva, outros quatro paredes, outros maresia,
todos eles uma companhia e momentos de paz,
o que uma cara bonita, jovem e imatura faz,
há cheiro, há cor, rosa e baunilha e coco em perfume,
pega nesses voláteis, no isqueiro e chega-lhes lume!
Arde... Arde... Arde... E faz-se tarde para o resto da nossa vida...
Siga! Em frente! Contente cantando no meio da gente!
Falso, tudo falso, siga em frente, amanhã futuro!
Dei-te o meu isqueiro branco e agora estou no escuro...
Não preciso mais dele porque tu é que me escapaste,
não há luz acesa pois a tua hoje mesmo a apagaste,
há esperança... Num raio de Sol... Mas nem há Lua...
Há a realidade e essa é descolorida, crua,
estéril... e contigo chegou a ser tão bela...
Guarda o meu isqueiro para um dia me acenderes uma vela...
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
A observação atenta da arte de lavar o chão.
Movimentos circulares,
ciclos circadianos,
opiniões angulares,
inverdades, desenganos
e muita água corre...
Lixo outrora residente,
um sem-abrigo forçado,
entranha-se mais, impotente
à força de ser lavado,
e pelo cimento escorre...
É preciso um detergente,
menos tensão superficial,
fosse vista a não aparente
e este dia seria especial
pelos caminhos que percorre...
Ainda é pouca a altura
quando não há certeza
e até magoa a brancura
quando não significa beleza
e em pecado incorre...
Maculam a calçada imaculada
a água, vassoura e trabalho:
para quê se logo fica manchada
a cada passo dado no soalho?
Tal como se nasce e logo se morre...
ciclos circadianos,
opiniões angulares,
inverdades, desenganos
e muita água corre...
Lixo outrora residente,
um sem-abrigo forçado,
entranha-se mais, impotente
à força de ser lavado,
e pelo cimento escorre...
É preciso um detergente,
menos tensão superficial,
fosse vista a não aparente
e este dia seria especial
pelos caminhos que percorre...
Ainda é pouca a altura
quando não há certeza
e até magoa a brancura
quando não significa beleza
e em pecado incorre...
Maculam a calçada imaculada
a água, vassoura e trabalho:
para quê se logo fica manchada
a cada passo dado no soalho?
Tal como se nasce e logo se morre...
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Mentira, verdade, sonho, esperança e fim.
Mentiras, que tu vais negar,
mesmo mentindo devagar,
um dia o dia há-de chegar
mas nunca se vai apagar
a memória do nosso ougar...
Contarás toda a verdade,
até lá vivo na ansiedade
que é a eterna saudade
desta já mais do que amizade
que o meu peito aperta e invade...
O sonho, que o tempo esmorece,
que cada vez mais me parece
que a espera ninguém merece,
afinal ele até se esquece
ainda que não o quisesse...
Para quê a alegre esperança
caída triste na lembrança?
Se este meu braço não te alcança,
e se a luta é duma criança,
quero crescer com confiança!
Restam sempre as doces memórias,
amargadas, mesmo vitórias,
em poesias aleatórias
pois circunstâncias peremptórias
findam as mais belas histórias...
mesmo mentindo devagar,
um dia o dia há-de chegar
mas nunca se vai apagar
a memória do nosso ougar...
Contarás toda a verdade,
até lá vivo na ansiedade
que é a eterna saudade
desta já mais do que amizade
que o meu peito aperta e invade...
O sonho, que o tempo esmorece,
que cada vez mais me parece
que a espera ninguém merece,
afinal ele até se esquece
ainda que não o quisesse...
Para quê a alegre esperança
caída triste na lembrança?
Se este meu braço não te alcança,
e se a luta é duma criança,
quero crescer com confiança!
Restam sempre as doces memórias,
amargadas, mesmo vitórias,
em poesias aleatórias
pois circunstâncias peremptórias
findam as mais belas histórias...
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
O tempo em que com mau tempo ainda arde
O tempo, que é num momento oportuno,
noutro com contratempos me importuna
("amor ardente, erros meus, má fortuna"),
ligeiro passa e se não me afortuno.
Na cronologia fui bom aluno,
mas sentindo-lhe o peso na coluna,
nada é certo e em mim não se coaduna,
ligeiro passa e como me premuno?
"Dá-lhe tempo", mas como se escasseia?,
para a erosão haverá panaceia?,
sei que receio que a solução tarde!
Sequência, consequência, coincidência,
não há definição em toda a ciência:
pinga o mau tempo e ainda assim arde?!
noutro com contratempos me importuna
("amor ardente, erros meus, má fortuna"),
ligeiro passa e se não me afortuno.
Na cronologia fui bom aluno,
mas sentindo-lhe o peso na coluna,
nada é certo e em mim não se coaduna,
ligeiro passa e como me premuno?
"Dá-lhe tempo", mas como se escasseia?,
para a erosão haverá panaceia?,
sei que receio que a solução tarde!
Sequência, consequência, coincidência,
não há definição em toda a ciência:
pinga o mau tempo e ainda assim arde?!
sábado, 17 de agosto de 2013
À lareira, a recordar o tempo que há-de vir...
Realidade, abstracta mas em concreto
estudo, aprofundo e não tenho conceito,
"Para quê?", pergunto, se nada é perfeito,
"Porquê?", penso, mas não sei o que é correcto.
Verdade, ilusão, uma casa sem tecto,
os pilares abanam mas fi-los a direito,
as fundações são boas mas perdi o jeito
de construir, imaginar, ou tudo é recto?
As linhas de fuga são longas e curvas,
os esboços esbatem-se em folhas turvas,
a chuva cai ácida e limpa o horizonte...
Arquitectura sem função mas com beleza,
arriscar é com vontade mas sem certeza:
edificar!, outra história, queres que a conte?
estudo, aprofundo e não tenho conceito,
"Para quê?", pergunto, se nada é perfeito,
"Porquê?", penso, mas não sei o que é correcto.
Verdade, ilusão, uma casa sem tecto,
os pilares abanam mas fi-los a direito,
as fundações são boas mas perdi o jeito
de construir, imaginar, ou tudo é recto?
As linhas de fuga são longas e curvas,
os esboços esbatem-se em folhas turvas,
a chuva cai ácida e limpa o horizonte...
Arquitectura sem função mas com beleza,
arriscar é com vontade mas sem certeza:
edificar!, outra história, queres que a conte?
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Fecha-se uma porta, abre-se uma janela
Fecha-se uma porta, abre-se uma janela:
fecha, está frio! Vem aí o desconforto...
Que me interessa ser rico se estou morto,
rilho os meus ossos secos à luz da vela.
Abrem-se os olhos, outros fecham-se, os dela:
fecha, está feio! Vomito-me, um aborto,
atrasado e ausente pois sempre absorto
negligencio o velho amor da cautela.
Não tapa buracos a manta de retalhos
quando esta se estica até ao impossível:
abrange mais e menos o fim alcança.
Passam os dias, não findam os trabalhos,
ergo a testa e o horizonte é invisível:
a luta continua, sempre, mas cansa...
fecha, está frio! Vem aí o desconforto...
Que me interessa ser rico se estou morto,
rilho os meus ossos secos à luz da vela.
Abrem-se os olhos, outros fecham-se, os dela:
fecha, está feio! Vomito-me, um aborto,
atrasado e ausente pois sempre absorto
negligencio o velho amor da cautela.
Não tapa buracos a manta de retalhos
quando esta se estica até ao impossível:
abrange mais e menos o fim alcança.
Passam os dias, não findam os trabalhos,
ergo a testa e o horizonte é invisível:
a luta continua, sempre, mas cansa...
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