segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sobre os resultados das eleições legislativas de 2015...

Vou deixar aqui o meu comentário aos resultados das eleições de ontem. O que me apetece é mandar os portugueses à merda, a maioria dos portugueses, como é óbvio, que há sempre boa gente e má gente em todo o lado. Mas não vou mandar os portugueses à merda, vou dar os parabéns por acreditarem que estão no bom caminho. Eu não acredito... Também podia dizer que o povo é medíocre e estúpido, inculto e mal formado mas também me vou escusar de dizer isso porque, no fundo, a culpa disso nem é do povo, é dos políticos que se aproveitam dessa mesma ignorância que lhes é favorável... De igual modo, parecer-me-ia relevante salientar o carácter masoquista do povo, nomeadamente o culto sodómico, mas se o povo tem como um dos últimos prazeres baixar as calças, votar nos mesmos e persignar-se enquanto suporta a dor divina, só lhes posso louvar a fé. E, acima de tudo, o que tenho a dizer é que não tenho qualquer moral para criticar o bom povo português apenas porque sou bastante diferente da maioria deles. Por isso quando criei este blogue chamei-lhe como lhe chamei, já então gostava de estar no cimo da montanha a apreciar a desgraça que grassava no vale... Assim como se poderia chamar "alone in the island", e então imaginar-me-ia numa ilha distante a ver a desgraça no continente. Mas estou cá no meio, voto diferente de vós, maioria, admiro as nossas diferenças e tento ser aquele que se contenta em apreciar o espectáculo do mundo...

Está dito mas ainda posso acrescentar umas reflexões. O PAN elegeu um deputado: óptimo! Foi das minhas poucas alegrias de ontem. É pena só ter sido um, quando há mais 229 lugares que estão ocupados pelos mesmos de sempre. Ainda assim, há dois partidos que por não terem ainda experimentado o poder merecem esta ressalva. De resto, das 16 cruzes possíveis (nem o Totobola tem tantas linhas...), curiosamente só agora reparei na força da palavra cruzes mas avancemos, 11 não merecem ser alternativa às alternativas que o povo pede; curioso... Claro que por exemplo, havia um partido que achava imensamente e particularmente redutor (além da coligação vencedora, entenda-se), o PURP (Partido Unido dos Reformados e Pensionistas). Redutor porque o país é muito mais do que reformados e pensionistas, e na verdade acho que a nação precisa de sangue novo... O PURP teve 0,26% dos votos... Os diferentes movimentos de cidadãos, que acho extremamente louváveis (mesmo o PURP, pois prefiro a acção à apatia), não conseguiram captar os votos que mereciam pois lutavam, logo à partida, com forças desiguais. O povo, que tanto se chora e critica os políticos, nomeadamente os carreiristas, gosta de os eleger quando tem o poder de não o fazer. Aqui do alto da montanha vejo nevoeiro no vale mas um céu limpo à altura dos meus olhos... Os pequenos partidos e movimentos de cidadãos (que não são partidos políticos, felizmente) conseguiram mais de 5% dos votos. O meu conselho é que além dos partidos que têm, doravante, lugar no parlamento, que se forme apenas mais um partido (ou movimento), e que se lhe chame Tudo o Resto! Penso que, apesar da feliz excepção PAN, é o modo de alguém diferente entrar no parlamento pelo sufrágio.

Falando dos de sempre (surgiu-me o adjectivo escumalha mas vou escusar-me a usá-lo), e começando pelos da ressalva, a CDU teve mais um deputado do que da última vez e perdeu, segundo os entendidos, e o BE teve uma estrondosa vitória e passou a terceira força política (depois da coligação e PS). PAN, eles quando lá chegaram nem meia dúzia eram... A coligação perdeu a maioria e venceu as eleições e o PS perdeu as eleições e ganhou deputados. Há sempre muitas maneiras de ver a mesma questão...

Aguardo cenas dos próximos capítulos pois sem uma maioria absoluta talvez seja difícil governar mas com este presidente da república tudo é possível, como se tem visto...

(Um parêntesis para dizer que o Vilhena deixa saudades...)

E por falar em República, foi implantada há 105 anos mas parece que já não é importante esse facto pois, primeiro, deixou de ser feriado e agora o presidente da mesma fez saber que nem a comemorará... Como Republicano que sou, e nesta República onde vivo, aqui no cimo da montanha é feriado e esta é a minha comemoração.


P. S. (post scriptum, para não haver dúvidas): a República apresenta-se com as mamas descobertas e talvez por isso não faltem mamões desde que aqui chegou; se a foto fosse mais recente, veríamos como desgraçada está a República, mais sugada que a puta que os pariu!

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