sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SHIVERS - ROCK POPULAR CARAMELO

FINA FLOR DO ENTULHO

Parece que no final de 2008 alguém se lembrou que o entulho também deve ser evocado! Não um entulho qualquer, apenas o melhor entulho, aquele que alastra mais e mais nesta sociedade decadente! Uns, à moda dos rebanhos, baixam a cabeça e seguem o caprino que percorre um qualquer caminho à sua frente; não interessa para onde vai… Outros pegam nas armas e fazem a guerra! E a guerra neste caso começa com dois dissidentes que são, verdadeiramente, o núcleo desta banda: armados com guitarras a destilar distorção, Daniel vocaliza a revolta enquanto Tiago inventa novos caminhos de disparar o bacamarte eléctrico! Rock em Português, sem truques, com vontade de experimentar novos caminhos; cada concerto da banda é único e irrepetível! Esta constante novidade é difícil de perceber pelo cidadão médio comum, pelo que as mudanças de formação têm sido necessárias. Desde o início deste ano que se juntam a estes dois veteranos de guerra 2 novos recrutas que também se abstêm de bater continência: Rui na bateria e Pedro no baixo, reforços tirsenses, marcam o passo a que o entulho é despejado mesmo à nossa frente. Se querem ouvir um som completamente diferente do habitual, se gostam de temas recorrentes da nossa sociedade como a inaptidão para o serviço militar, se querem ver o circo político a arder, se não ficarem chocados por verem bonecas insufláveis a voar em palco, se não se importam de ver um concerto em locais tão inóspitos como o meio da rua ou mesmo uma prisão, então têm de ver como se faz a festa aqui no Porto!

Tenho ouvido...

Quando não há tempo para ler... ouço! É mais fácil ter o leitor de mp3 no bolso do que um livro, é mais cómodo ir na rua com os phones nos ouvidos e os olhos bem abertos do que a ler um livro e não ver o que se pisa... Aqui vão ficar alguns dos mais marcantes momentos sonoros que tenho escutado ultimamente!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Governo aponta Ferreira Leite como deusa da sensatez" - um comentário

Quem clicar no título será remetido para a página do Diário Económico (onde hoje se pode ler a versão completa desta notícia) no Sapo, onde se pode ler ainda:

"Ex-líder do PSD marcou debate do Orçamento do Estado ao dizer que é aquilo que o país “precisa” e arrancou elogios ao próprio primeiro-ministro."

Vou deixar aqui o meu comentário. Não a esta notícia em particular, mas ao estado das coisas no geral. Esta é a minha visão do que se passa aqui, em Portugal, neste Outono de 2010. E para que daqui a uma década não tenha de escrever o mesmo, apenas mudando o nome dos intervenientes, deixo aqui uma possível solução para a crise! Não exactamente a económica, uma crise maior e que afecta Portugal desde que nasci; pelo menos desde que me lembro de existir e ter atenção a estas "coisas" (esta "coisa" que mais tarde vim a saber que era a política) que ouço falar em crise, "apertar o cinto", "isto-e-aquilo-que-todos-sentem-mas-ninguém-sabe-bem-o-que-é", ... Será um problema do povo Português? Uma certa propensão para a tristeza, a melancolia? Pessimismo!? Se ouvirmos o actual primeiro-ministro a discursar creio que ficamos com essa impressão.

Por que havemos de ser pessimistas? Não somos o Norte da Europa onde as horas de Sol são poucas, comparando com a nossa praia lusitana; podemos passear nesta bela nação, esticar-nos ao Sol como um qualquer pacato lagarto, sarar as nossas "nódoas negras sentimentais", como diz o poeta, banhando-nos à luz do astro-rei. Temos comida à mesa (bom, pelo menos costumávamos ter...) ao contrário de povos africanos, por exemplo. Mais do que comida, temos boa comida, temos gastronomia, a boa Gastronomia Portuguesa, a Dieta Mediterrânica, saudável e apreciada. Temos, talvez, o melhor jogador de futebol do Mundo! Mas nada chega! Somos pessimistas... Por que será?

Talvez porque não temos dinheiro... Temos tudo o que precisamos para viver, sem dúvida; então pela Fórmula do Cardeal Cerejeira (dizia que chegava pão e vinho...) até temos demais!

Há dias, (bem, já passou mais de um mês, o tempo voa...), ou melhor, há mais de um mês, regressava da Polónia, via Bruxelas, e vi um Eurodeputado Português na mesma porta de embarque e de imediato pensei: "De certeza que vai viajar em primeira classe!". Acho que qualquer pessoa adivinharia... Mas porquê em primeira classe? Chegou ao Porto ao mesmo tempo do que eu! Por que razão uns têm de "apertar o cinto" e outros têm de encher a pança? Não fica tudo na mesma?!

Continuo a achar o mesmo: sem uma revolução, daquelas a sério onde o vermelho é do sangue e não das flores, isto não muda! Claro que me parece que esse " povão mamão e preguiçoso que vive à custa de prestações sociais... e empregos do Estado", como ouvi alguém dizer recentemente, mais depressa engoliria um revolucionário que se dispusesse a mudar isto do que a apoiá-lo... Sócrates, Coelhos, Leites, Barrosos, Guterress, ..., é tudo igual, está tudo compremetido com este sistema político, daí não me surpreender o que foi dito por Ferreira Leite; afinal quando o PS sair de lá entra o PSD e vice-versa. Talvez se devesse pensar que não há PS e PSD, há partidos que governam, alternadamente, e eternos partidos da oposição que eventualmente, pontualmente, ajudarão estes a governar e a ter as maiorias necessárias para aprovar o que for preciso (leia-se o que lhes convier). Então, admitindo isso, se veria que não há alternativa ao que temos. Poder-se-ia arriscar num dos partidos da oposição, claro, mas é bastante provável que também estes tivessem os seus "boys" cheios de gula. E se não os tivessem então os outros "boys" converter-se-iam! E imbuídos dessa nova fé partidária teríamos mais do mesmo, apenas com outra cor. Resta saber o que de facto foi negociado, nos bastidores, acerca deste Orçamento de Estado; terá sido a taxa do IVA e afins ou a manutenção/promoção dos lugares para os "boys" dos partidos da oposição quando, inevitavelmente (e está necessariamente para breve), o PSD chegar ao poder? Até lá vamos continuar com estes teatros de parlamento... E quando lá chegarmos continuarão, mas então a maioria do povo aplaudirá e sorrirá quando Passos Coelho ganhar, pelo menos durante algum tempo, assim como se congratulou com Sócrates, e tudo continuará na mesma... Porque, como li no fantástico livro que aconselho, "O Leopardo", "é preciso que tudo mude para que tudo fique como está"!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As portagens nas SCUT! pt. I

Vamos começar a desmontar o absurdo...
O que é uma SCUT? "É(ra) [adoro a Língua Portuguesa que permite estas coisas!] uma auto-estrada sem custos para o utilizador" (vejam a definição da wikipédia para mais pormenores http://pt.wikipedia.org/wiki/SCUT).

Era mas já não é. Não era já quando era mas agora ainda menos é! Passo a explicar: estas auto-estradas, como quase todas as outras em Portugal, foram financiadas pelos fundos comunitários europeus e pelos fundos... Portugueses! E quem é Portugal? Os Portugueses! Em grande parte estas estradas foram construídas com o dinheiro dos contribuintes Portugueses. Portanto aí já houve um custo para o utilizador. Porque quem vai utilizar as SCUT são... os contribuintes! E os contibuintes, para usufruirem das auto-estradas, têm de se deslocar em automóveis que pagam vários impostos para poderem circular, logo, indirectamente, mais uma vez estas auto-estradas estavam a ser pagas.

Desde o início que, absurdamente, estas estradas se chamam SCUT, quando se deviam chamar inicialmente SPORT. O que é uma SPORT? Pela mesma ordem de pensamento, é uma auto-estrada sem portagens, porque custos para os utilizador já antes tinha; portagens é que não.

Doravante, chamar-lhe-ei SPORT. Não que eu faça isto por desporto, mas sim por desagrado, ao ver que as coisas começaram mal logo no início: imaginem que tinham uma filha e lhe chamavam Joaquim! Era, para não dizer mais, estranho...

...

Palavras que tenho visto alteradas ao abrigo do novo acordo ortográfico...

... mas que escusam de contar comigo para o implementar, pois até me sinto mal ao ver isto:
domingo e diretor (em vez de Domingo e director, respectivamente, como se escreve em Língua Portuguesa).

Apenas mostro dois pequenos exemplos da desgraça que tenho visto; cada uma destas palavras alienígeas arrepia-me e dá-me nauseas, até porque dizem que agora a Língua Portuguesa é assim! Será, mas não para mim, e não neste blogue.

Os Domingos continuam a ser importantes para mim, assim como qualquer outro dia da semana e os meses do ano (interessante informação sobre os meses do ano nas ciberdúvidas: http://www.ciberduvidas.com/idioma.php?rid=2018).

Pelas regras que aprendi, diretor lê-se de maneira diferente de director, mas que eu saiba continuamos a pronunciar a palavra da mesma maneira portanto para quê mudar o que está bem? Por que razão decapitamos a etimologia da palavra? Por causa dessa língua não oficial, mas sem dúvida existente, o brasileiro? Eu falo Português, escrevo Português e não tenho nada a ver com os falantes e escritores de brasileiro. Aprendamos um bocado com a História e concedamos também a independência à língua que eles falam!

O Leopardo

Continuando ligado à Itália, o Leopardo foi outro dos livros que só me arrependo de não ter lido mais cedo. Lembro-me que o comprei em segunda-mão por 1,50 € e que foi um grande negócio. Desde que o conteúdo do livro esteja intacto, o preço ou a proveniência pouco me importam; claro que é bonito ter uma prateleira cheia de livros da mesma colecção ou ainda com aquele brilho que todas as coisas novas têm mas o meu interesse nos livros é, primariamente, o que neles posso descobrir ao lê-los.

A aristocracia em decadência, as mudanças inevitáveis que nada mudam (ou que tudo mudam, conforme a perspectiva) ou o último de uma família; tudo isto são temas presentes n'"O Leopardo". A par de outras leituras sobre a Sicília, o meu quadro mental da ilha vai-se completando (com ajudas das imagens dos filmes, claro), até ao dia em que, espero, pisarei o árido solo envolvido pelo Mediterrâneo. Outro romance histórico; com este livro muito há a aprender, desde a própria história à política, mantendo sempre a altivez dum condenado consciente, pois nestas páginas, como em tantas outras páginas da vida, "é preciso que tudo mude para que tudo fique como está"...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Família

A principal razão para ter comprado este livro (talvez há 3 anos atrás, na Feira do Livro do Porto) foi o autor; não idolatrasse eu a saga da Família Corleone e dificilmente conheceria a saga da Família Bórgia! O último livro de Mario Puzo, editado postumamente, foi o segundo que li e também adorei! Perante tanta emoção, positiva, que senti ao lê-lo decidi que tinha de "devorar" mais a obra deste autor e evitar tanto tempo em suspenso desde que posso tactear um livro mas não passo da capa até que percebo a sua verdadeira essência. Na minha estante, à espera, estão já "O Siciliano" e "O Último dos Padrinhos".

Este romance histórico é a verdadeira "saga de ambição e poder", como se lê na contracapa! Aconselho especialmente a quem, como eu, gostar de História, nomeadamente a época do Renascimento. E quem leu "O Padrinho" irá perceber que já no fim do século XV alguns dos "modernos" mecanismos da máfia já eram comuns no Vaticano.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Maya - O Romance da Criação

Gostei muito deste livro! Divinamente aconselhado por quem me parece conhecer antes de me conhecer (frase para fazer pensar), se há destino, este tratou de me colocar este interessante e complexo romance nas mãos. As reflexões nele constantes, o entusiasmo da prosa, reacenderam-me a vontade de queimar as pestanas; depois deste livro (que recomendo especialmente a Biólogos que queiram uma perspectiva interessante da criação, seja lá isso o que for..., num contexto pouco científico) não mais parei de saciar a minha fome de literatura.

Tenho lido...

Não tenho escrito, tenho lido... Muito! Muitas matérias diferentes! Comparo estilos, aprendo, aguço a curiosidade e tenho vontade de ler mais. E agora de voltar a escrever.
Olho para trás e vejo o quão pobre foi a minha escrita até agora. O quanto foi, como dizer... irreal! Não fingida mas irreal. Vazia de conteúdo. Superficial, vá. Felizmente que certa literatura se atravessou no meu caminho e me fez questionar, reflectir, enfim, evoluir...

domingo, 22 de agosto de 2010

POEMA 100

SEM TI...

É preciso ter muita fé
Quando nada mais existe
´bora lá tomar um café
E esquecer o que é triste

Para quê reflectir
Sobre quê, para quê?
É forçado o partir
Quando falta um porquê

A falta que fazes
Nunca mais superada
Não seremos capazes
De mais nada...

Não teremos vontade
Apenas saudade
E muita mágoa
Pura como água
Diluis-te em nós
Em gargantas nós
E no lacrimejar
E no flamejar
Na vela acesa
Da tua beleza
Da tua presença
Profunda, imensa
Perpétua chama
Para quem te ama
Para quem te chora
Para quem te adora
A quem fazes falta
A estrela mais alta
E sempre cintilante
Mesmo distante
Dás-nos vida!
Obrigado!

Nunca tanto me senti
Sem ti...
Rainha do mundo
Estaremos no fundo
Sem ti...
Deusa divina
É tão má a sina
Sem ti...
Altar sagrado
Para sempre condenado
Sem ti...

O café é bom
Pousa no pires
Essa colher
É tão bom
Tu existires
Jovem mulher
Terna, eterna...
A vida não o é,
Sem ti...

(28/3/2005)

POEMA 99

SEM PODER

Se me derem o poder eu escolho
Não era por isto que optaria
A minha personalidade é fria
E nela me isolo e recolho

Dente por dente, olho por olho
Ideias que não me permitiria
Viver bem comigo em todo o dia
Mas até perante mim me encolho

Solidão que não me dá solidez
Não tenho razões, não tenho ambição
Não é a primeira nem a última vez

Só queria poder escolher de tudo
Ou saber se tenho alguma missão
Ignoro-o e vivo calado e mudo...

(31/3/2005)

POEMA 98

A MAIS DESEJADA

Nunca antes estive tão certo
Que vai acontecer o que peço
O teu tão esperado regresso
Nunca antes esteve tão perto

Longa caminhada no deserto
Distâncias infinitas que não meço
Meço apenas o grande sucesso
Dum acreditar de onde desperto

Hás-de aqui chegar e ler isto
Sem ti tudo apenas vale nada
Alguém como tu nunca tinha visto

A tua vinda por mim anunciada
Porque a esta notícia não resisto
Vai chegar a pessoa mais desejada! =D

(20/4/2005)

POEMA 97

ACREDITAR NA SORTE

Basta acreditar no que é possível
E com sorte talvez se realize
Talvez seja tudo aquilo que eu precise
Para atingir um novo ansiado nível

A minha crença só é credível
Para quem na sorte se especialize
Venha a sorte e com ela eu não deslize
Porque com ela eu sou quase invencível

Mas a sorte não vem quando dela necessito
E então fico tão vulnerável
Que nem na esperança já acredito

Mas a vida pode ser adorável
Se nela virmos o que é bonito
Amá-la faz-me ser saudável...

(7/4/2005)

POEMA 96

A CHEGAR À CONCLUSÃO

Por favor tu já te podes acalmar
Isto está a chegar à conclusão
Achas que apenas foi uma desilusão?
Uma maré contra quem tive de remar

Não sou vazio, sou extenso como o mar
Só tu é que tiveste sempre a razão...
Foi para mim um tempo de confusão
Confundiu-me a sensação de amar...

Os sentimentos continuam confusos
Mas os olhos estão bem abertos
E já não me permito tais abusos

Assim como há destinos incertos
Há vidas boas que têm maus usos
Só os vemos tarde, se bem despertos...

(26/4/2005)

POEMA 95

...

Se todas as palavras fossem escritas
Dolorosas e não verdadeiras
Não seriam com certeza as primeiras
Por mim ou por ti necessariamente ditas

Palavras que dizes mas não acreditas
Pára de dizer inconscientes asneiras
Magoas-me de todas as maneiras
Com acções e palavras hipócritas

Na minha vida o que eu queria
Era a tua preciosa companhia
Mas tu preferiste magoar-me

As palavras que eu percebia
Não eram as mesmas que ouvia
Pois pensava que querias amar-me

(31/3/2005)

POEMA 94

ÓPIO

Já passei nas trompas de Falópio
Já fui um espermatozóide e um ovo
Já vivi e passei muito logo não sou novo
Já cheguei a ser visível só ao microscópio

Agora olho-me por um telescópio
Estou acima de todo este povo
Sou um astro que não causa estorvo
Pois podem inibir-me pelo ópio

Duma célula tornei-me um asteróide
Uma grandeza que não tinha esperado
Ajudem-me, dêem-me um ópio alcalóide

A minha dimensão deixou-me mesmo tolo
Só sobrevivo se o tiver inalado
Sobre mim só o ópio tem controlo

(13/4/2005)

POEMA 93

ÚTERO

Queria voltar a um útero materno
Onde estivesse em alta protecção
Às vezes não aguento tanta pressão
E a minha vida torna-se um inferno

Se voltasse ao útero seria eterno
Porque atingiria outra dimensão...
Infelizmente as coisas assim não são
E tenho de encarar o que é moderno

E ter de enfrentar um mundo caótico
É a única reacção e a que me apoquenta
Preferia mergulhar no saco amniótico

E repousar descansado numa placenta
Quando ainda por formar o nervo óptico
De modo a nunca ver uma vida violenta...

(13/4/2005)

POEMA 92

MATOSINHOS

Matosinhos é a minha terrinha
Onde nasci num Verão já distante...
O tempo não pára, sempre constante
Como de cá estar vontade minha...

O excelente tempo que se avizinha
É disfarçado pelo nevoeiro cortante
Que se abate na praia, errante
Pois chega ao meio-dia e definha...

Quando eu for grande e enfim perecer
É em Matosinhos que isso vai acontecer
Onde aparecerei em cada manhã de nevoeiro...

Estarei sempre vivo e sempre verdadeiro
Àqueles que comigo não estão sozinhos
Pois todos os caminhos vão dar a Matosinhos...

(13/4/2005)

POEMA 91

SEXO FORTE

A vida deixa-me mudo e confuso
Paro para reflectir um pouco
De tantos gritos mudos fiquei rouco
De tanta contradição fiquei obtuso

Das oportunidades que tenho abuso
De tanto não ouvir fiquei mouco
Tudo o que tive soube-me a pouco
Não sei ainda porque me recuso

Talvez porque nada disto me apraz
Sem sentido porque isto não me pertence
Simplesmente sinto que não sou capaz

Neste aspecto não tive sorte
Pois na vida o feminino vence
Pois é o verdadeiro sexo forte

(30/3/2005)

POEMA 90

FRUSTRAÇÃO QUANTO AO GÉNERO

Como eu gostava de ter um diário
Onde anotasse o que tenho vivido,
Aquilo que não me é permitido
O meu falso e belo calendário...

Chamam-me tarado e ordinário
E reconheço que o tenho sido
Pois sinto-me pela vida vencido;
Tudo o que queria era o contrário!

Não me sinto bem com aquilo que sou
Condição a que me encontro submisso
De mim minha alma se cansou

Porque dizem "Seja o que deus quiser"?
Eu não me contento com isso
Preferia ter nascido mulher!

(30/3/2005)

POEMA 89

VELHO ESPÍRITO

Agrada-me um pensamento positivo
Que por alguém me foi aconselhado
E agora eu o vejo publicado
Por mim que estou tão negativo

Devia voltar ao meu estado nativo
De optimismo quase descontrolado
Que em mim se havia destacado
E que me alegrava só por estar vivo

Mas amigos vêm e dão-me esperança
Preciso de voltar a ter segurança
Tenho de voltar a um estado anterior

Palavras que digo e não acredito
Preciso do meu velho espírito
Que outrora me fez superior...

(4/4/2005)

POEMA 88

SAUDADE DUM PASSADO DE ESPERANÇA

Porque é que perdi toda a vontade
Para fazer tudo aquilo que me apraz?
Já não estou bem porque aqui não estás
E não consigo superar a saudade

Envolto em crises de ansiedade
De me libertar não sou capaz
Penso tanto nas coisas más
Que me esqueci da felicidade

Como eu queria uma mudança
Pois assim não consigo viver
Preciso ser feliz como em criança

O único passado que gosto de rever
Era aquele onde tinha esperança
Que em cada acordar te pudesse ver

(6/4/2005)

POEMA 87

QUANDO EU ERA MAIOR QUE TUDO

Eu também um dia fui já uma criança
Era muito feliz e realmente sortudo
Gostavam de mim e eu era um bom miúdo
Notava-se que em mim tinham confiança

Eu era uma bênção e uma esperança
Não tinha a timidez em que me escudo
Naquele tempo eu era maior que tudo
A tempestade é que vem depois da bonança

Mas inevitavelmente também eu cresci
Assim como à minha volta tanto se alterou
Tenho saudades de mim porque desapareci...

A vida que me enganou, gozou e esperou
Corri atrás dela mas não mais venci
Quero voltar a onde a minha vida parou...

(11/4/2005)

POEMA 86

OITENTA E SEIS

Em oitenta e seis entrei neste mundo
Espero que seja amaldiçoado esse ano
Tudo o que em mim existe é desumano
De podridão foi um ano fecundo

Agora permaneço só e moribundo
Talvez eu exista só por engano
E toda a hostilidade que emano
São lamentos por estar no fundo

Eu não faço ideia de quem eu sou
Não sinto qualquer motivação
A minha alma de mim se cansou

Só tenho um impossível pedido
Que me ultrapassa a compreensão
Odeio-me e preferia não ter nascido

(28/3/2005)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

POEMA 85

EU, EU E EU

Só eu alimento o meu grande ego
Porque só me deparo com egoístas
Só preciso de mim para as conquistas
E para o bem e mal que carrego

Só em mim me confio e me entrego
Eu devo ser o pior dos narcisistas
E a culpa é das decisões esquisitas
De esquisitas pessoas que agora renego

Pois agora descobri que só conto comigo
Portanto que assim seja! Tratar-me-ei
Como faria a um inexistente maior amigo

Assim quando quiser coroo-me como rei
E mereço o título! Sou eu que o digo!
Já que outros só sabem dizer que eu errei...

(21/4/2005)

POEMA 84

O PODER DA VERDADE

Alguém dúvida do poder da verdade?
Penso que seja do domínio comum
Que o valor da verdade é nenhum!
Para ser sincero perdi a vontade...

Quem ainda acredita na sinceridade
Sabendo que não leva a lado algum?!
Sabendo que no final apura-se só um
Aumenta e muito a competitividade...

Portanto de que adianta ser verdadeiro
Se nunca nada ganhei com isso antes
Apodero-me da mentira primeiro

Os sucessos são poucos e distantes
O poder da verdade é apenas passageiro
E quero as minhas vitórias constantes

(22,24/4/2005)

POEMA 83

ESTADOS MENTAIS

Não confies nos meus estados mentais
Porque ainda te podes arrepender...
Na vida há ganhar e também perder
Mas os empates é que são habituais...

E só mesmo às questões fundamentais
É que me dá vontade de responder...
Mudei para melhor e não vou ceder
Agora que contornei situações letais!

Já imaginaste se sou um fingidor
Que somente reconstruiu o passado
Para passar para ti a própria dor?!

Já antes terias alguma vez realizado
Se sou alguém sem moral nem pudor?!
Não se perde nada em ser desconfiado...

(21/4/2005)

POEMA 82

O DIA EM QUE A MINHA VIDA RENASCEU

Seria mais fácil se estivéssemos juntos
Qualquer ser procura o que lhe é ideal,
Quer seja uma utopia ou seja bem real;
A Natureza organiza-se em conjuntos...

É tão linda a abordagem destes assuntos
Uma condição linda que é quase irreal
Pois a magia deste dia em tudo normal
Está em dar vida aos quase defuntos...

Foi mais um dia em que subi as escadas
Da minha vida! E algo de bom aconteceu!
São tão fáceis as tarefas se partilhadas!

Escadas onde foste tu quem apareceu
E juntos subimo-las de mãos dadas!
Nesse momento a minha vida renasceu!...

(13/4/2005)

POEMA 81

SEM FOME, SEM SONO, COM SEDE

Acho que não sei o que se passa comigo
Sou complexo e denso como uma rede,
Estou sem fome, sem sono mas com sede
Sedento desses sonhos que persigo...

Sozinho sem confiança sou um perigo
Não esperes mesmo assim que eu cede
Não como não durmo mas com esta sede
Ganho forças e já tudo consigo!

E devem estar correctas as teorias,
Estou desidratado sem esse beijo
Que involuntariamente me oferecias...

Deste meu mau conteúdo me despejo
E fiz tudo exactamente como querias
Só para alimentar-me desse desejo...

(13/4/2005)

POEMA 80

TU ÉS A DOENÇA, TU ÈS O REMÈDIO

Tu és a indiferença, e o assédio,
A vida, a felicidade, a paz, a sorte,
O azar, a guerra, a tristeza, a morte,
És o cume, o vale, nunca um ponto médio!

És o meu divertimento, e o meu tédio,
O positivo, um optimismo, um suporte,
O negativo, um pessimismo bem forte,
Tu és a doença e tu és o remédio!

És só tu quem me cura quando doente,
E também só tu me dás esta doença,
És o remédio e de ti estou carente!

És tu quem o meu destino sentença,
O remédio sempre que estás presente,
A doença quando a saudade é imensa...

(13/4/2005)

POEMA 79

DESTINATÁRIOS ETERNOS

Porque é que ainda se faz poesia
Que é algo tão obsoleto e antigo
Vejam-se velhas Cantigas de Amigo
Má escrita mas já versos se dizia

Inspirados em verdura e maresia
Poemas que entender não consigo
Para quê estes temas que persigo
Que não me preenchem a vida vazia

Porque é que ainda se fazem versos
Cheios de subjectividade e sentir
E que nos deixam os olhos submersos?

Sentimentos que se hão de repetir
A destinatários eternos, dispersos,
Que também chorarão quando outrém partir...

(15/4/2005)

POEMA 78

O MEU PARAÍSO

Caracóis que devagar encaracolo
Enquanto me movem para o meu paraíso
De flores e vida! Cenário que preciso
Neste mundo em que me enrolo

Agora já não me levam ao colo
Pois supostamente tenho juízo...
E neste chão em que me enraízo
De tanta felicidade rebolo

Tudo é belo e puro nesta Terra
Paraísos vários aqui os tenho
Quem não acredita é que erra

Convicto e feliz me mantenho
Deste chão ninguém me desenterra
Nem deste paraíso em que me embrenho

(7/4/2005)

POEMA 77

UM NOVO NÍVEL

Hoje quando acordei senti-me incrível
Tinha vontade de começar este novo dia
Longe vai o tempo em que me perdia
Pensando numa realidade inatingível

Reconheço-me agora como sendo invencível
Derrotei uma vida que só me agredia
Um pouco mais de sorte era o que pedia
Mas deram-me também um novo nível!

Uma nova vida da velha tomou o lugar
E vão desaparecendo as cicatrizes
Que me deixavam demasiado vulgar

Acredita que até oiço quando me dizes
Que sou diferente... Tive de rasgar
O passado, reconstruí-me com boas raízes!

(11/4/2005)

POEMA 76

DEPENDÊNCIA QUÍMICA DA QUINTA-FEIRA ;)

Até quinta-feira sinto-me esquizo
Pois as saudades vão-se acumulando
Mas desaparecem exactamente quando
Estou contigo e vejo o teu sorriso

És o único vício de que eu preciso
E fazes-me bem se te for inalando
A dependência a que me vais levando
Leva-me à pedrada que tanto viso

Preciso de ti, de te sentir e de te ver
E apelo à tua total compreensão
Por como tu outra química não haver

Não preciso de qualquer explicação
Apenas preciso de ti para viver
Continuas a bombeá-lo directo ao coração

(9/4/2005)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

POEMA 75

OLHA!

Hoje os meus olhos têm um novo olhar
Olha para mim, diz-me o que vês agora
Pois vê sempre melhor quem está de fora
Que sensações estás agora a empilhar?

Porque não dizes a verdade? Se calhar
Não consegues e queres que eu vá embora!
Acho que não mas porquê a demora?
A tua opinião não costuma falhar!

Olha para mim, por favor o que vês?
Querias mudanças mas agora então
Porque não dizes tudo de uma vez?

Se calhar não te devia pôr esta questão
Mas foste tu quem primeiro me a fez,
A responsável pelas mudanças que cá estão

(9/4/2005)

POEMA 74

O MILAGRE QUE EU TINHA PEDIDO

Agora que te vi tudo é lindo
Antes também mas maus bocados
Mantiverm-me os olhos fechados
Até chegares e os ires abrindo

Lentamente da confusão vou saíndo
E vou juntando todos os lados
Que da minha figura desligados
Foram! O mal vai-se extinguindo!

Devo-te tudo isto! E mais ainda
Pois quando se perde o sentido
Dum milagre espera-se a vinda

E alguém se deve ter apercebido
Pois vieste tu serena, pura, linda,
És o milagre que eu tinha pedido!

(8/4/2005)

POEMA 73

EU E A MINHA PEDRINHA

Estava eu e a minha pedrinha
Sentados a olhar para o rio
De vez em quando estava frio
Por isso eu tinha tossinha

Gostei do desenho que lá vinha
Fiquei muito feliz quando vi-o
A pedra caiu! E foi por um fio
Que não perdi uma florinha...

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(7/4/2005)

POEMA 72

MENTE REVISITADA (O DESENHO NA PEDRINHA)

"Por favor faz-me aqui um desenho
No meio da pedrinha por favor
Podias desenhar-me uma flor?
Tens tanto jeito e eu não tenho :(

Espera aqui que eu já venho
Não olho agora para ti por pudor!
É feio olhar! Se isso tivesse cor
Ficava perfeito! Nele me contenho

Porque está tão lindo! Como eu sou
Sortuda em conhecer-te! Tu dominas
Tudo! Sabes sempre o que se passou!

O que se passa! Devem ser divinas
As tuas mãos que o olhar alcançou
Quando traçaste as imagens pequeninas"

(6/4/2005)

POEMA 71

MENTE REVISITADA (COLHI UM MALMEQUER)

"Fui ao jardim colhi um malmequer
Com ele andei a tarde toda! Contente
Reparei na tua reacção diferente
Pois não me censuraste sequer!

Eu acho que cada um faz o que quer
Desde que seja um acto consciente
E desde que se tenha presente
O que cada pequeno ser requer

E estavas-te a rir desta filosofia
Para ti estava tudo muito bem
Porque te corria bem este dia

Também estou bem, a flor não fala
Vou esquecer coisas que se sabem
E vou andar com ela na mala!"

(8/4/2005)

POEMA 70

A VIDA AGORA (O PÓS-7 DE ABRIL)

Agora não há mais decadência
Tenho mesmo de mudar de atitude
A capacidade de mudar é a virtude
Que invoco para o fim da violência

Tens razão quanto à essência
Que a vida tem! Espera que eu mude!
Como pude eu ser tão feio, rude,
Se não é assim a minha consciência?

Mas para mudar não me atrasei
Porque nada fiz que ma vá arrepender
Nada irreversível ainda usei

Talvez o tenha feito para defender
Ideias de que receio! Sei que abusei!
Mas agora há uma vida que sei entender

(8/4/2005)

POEMA 69

SESSENTA E NOVE

Hmmm, diz-me aquilo de que mais gostas,
Aquilo que te dá mais gozo e mais prazer,
Para te ver excitada tudo sou capaz de fazer
Tenho este vício de vos adorar bem-dispostas...

Ah e não resisto quando em mim te encostas,
Te roças, gemes e te convidas a um lazer
Que se tornou um ritual, uma festa: devo dizer
Que aprecio particularmente este arrepio nas costas

Adoro quando o teu corpo no meu se move
E se agita e as emoções ficam ao rubro
Tricas-me a orelha e lhe pedes que te renove

E já sem roupas sou apenas eu quem te cubro
E atingimos o climax com este sessenta e nove
Contigo em cada noite um novo prazer eu descubro

(13/4/2005, e já bastante tarde...e estava escuro...ah ah ah)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

POEMA 68

A EXPLICAÇÃO DA INSPIRAÇÃO pt.V – A PROMESSA

«"Quando nasceres eu vou ajudar-te"
Assim te prometeu a Deusa da Vida
Antes da fecundação estar até decidida
"Vou cuidar de ti e tudo ensinar-te"

"Começarei pelo sentido da arte,
E quando vier o Sol ficarás florida
E serás tão famosa e conhecida,
Que todos quererão um dia adorar-te"»

Gostei de me terem contado esta história
E de ficar a sonhar com tal flor
Que não mais me saiu da memória

Escrevi-lhe uma tão selecta poesia
Inspirei-me no Sol e dias de calor
Sem saber que ela de facto existia

(30/3/2005)

POEMA 67

A EXPLICAÇÃO DA INSPIRAÇÃO pt.IV – A REACÇÃO

Vida em que não há nada que se faça
Ou para a qual não há apetite
Não fiques à espera que eu acredite
Que preferias viver a minha desgraça

Vida tão triste em que nada se passa
Que zomba de mim até que me irrite
Que me magoa e mesmo se eu grite
Continua o seu reino de terror e ameaça

Havia de ficar parado e sem reacção?
Havia de consentir isto mais um dia?
Como é óbvio tinha de passar à acção

E combato pesadelos com a minha poesia
Sirvo-me da arma da minha inspiração
Para enganar uma vida que não escolheria

(30/3/2005)

POEMA 66

A EXPLICAÇÃO DA INSPIRAÇÃO pt.III – A QUÍMICA

Há quem se drogue para construir,
Para ter inspiração... Não os compreendo
Se resmas de poemas vou fazendo
Sem necessitar de com químicos reagir

Talvez se queiram apenas destruir
Não os censuro nem os emendo
Mas para inspiração só recomendo
Que a aprendam a fazer surgir

Encaixem-se neste fato que trajo
Que me reveste de inspiração bulímica
E não é com drogas que assim reajo

Nada de químicos, sõ mesmo uma química
Que me inspira quando com ela interajo
E que me conforta de força anímica

(30/3/2005)

POEMA 65

A EXPLICAÇÃO DA INSPIRAÇÃO pt.II – A CULPA

Foi extremamente bem levantada
Essa questão!Porque me inspiro
Quase tão facilmente quanto respiro?
Gostaria de ver a resposta dada...

Mas não me ocorre mais nada
Que não tenha já dito! Prefiro
Escrever isolado no meu retiro
Do que caminhar outra estrada...

Escrevo tudo o que me dá sensação
De pertencer ao meu imaginário;
Chame-se então a isso inspiração...

Sinto que o meu mundo ao contrário
De outros desaba!Talvez seja a lição
A tirar!Culpe-se este meu cenário...

(30/3/2005)

POEMA 64

A EXPLICAÇÃO DA INSPIRAÇÃO pt.I – O AGRADAR

Onde vou buscar tanta inspiração?
Bolas, é que nem sei a resposta
Porque isto não é só porque se gosta
Há que aprofundar a explicação...

Talvez seja esta a minha missão
Para a vida! E que vida de bosta!
Nua de compreensão e exposta
Àqueles que gostam do que são!

O que não é de todo o meu caso
Escrevo o que/para quem me apetece
Conforme o espírito e o azo

Mas esta questão não se esclarece
A única explicação para o meu caso
Talvez seja agradecer a quem merece...

(20/3/2005)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

POEMA 63

EFEITO LAMINADO

Trago sempre uma lâmina ao pescoço
Gosto do aspecto e do laminado efeito
E quando o desespero vem é perfeito
Porque consegue cortar até ao osso

Muitas vezes estive já num fosso
Onde a minha lâmina deu tanto jeito
Alimentei-me onde o golpe foi feito
E cobri com sal para não ficar insonso

Todos têm um dia aquilo que merecem
Eu tive-o para o de muitos regozijo
Mas eu vivo enquanto eles perecem

A terra que vos cobre calco e enrijo
A lâmina brilha e vocês escurecem
Num sítio onde não mais me aflijo!

(11/4/2005)

POEMA 62

LANA CAPRINA

Não aprecio o que me tens feito
Até parece que para ti não existo
O espírito é forte e não desisto
De te dizer que não te rejeito

Sei que tudo sou menos perfeito
Mas o que me fazes não tinha visto
Abusaste daquilo que consisto
A simpatia que trago no peito

Será que isto que eu vou colher
E que com tanto carinho plantei
É merecido de tal cruel mulher?

Mulher que outrora foi menina
Agora choro quando já cantei
Pois tornaste-te lana caprina

(30/3/2005)

POEMA 61

OS FRUTOS APODRECEM

Não mais sinto os teus doces beijos
Com sabor a frutos vermelhos
Frutos apodrecidos de já velhos
Também serem os teus desejos

Estagnaste com os teus tolos pejos
E quebraste todos os espelhos
Não mais vês e pões-te de joelhos
Rezas a um deus de lampejos

Não há soluções, só o teu soluçar
Perdeste o tempero e a frescura
Agora páras a chorar e pensar

Os frutos que te dei tu recusaste
Agarras-te a mim e pedes a cura
Mas só tu podes desfazer o que criaste

(30/3/2005)

POEMA 60

REACÇÕES TEMPORAIS

O vento sopra forte
E árvores de grande porte
Caem por terra...
E a força que ele encerra
Reside na vontade,
No poder da saudade,
Resultado da ansiedade
A força da verdade
Que foge entre os dedos
Pois o maior dos medos
É daquilo que se conhece
E que de súbito desaparece...

O tempo que piora
Não teve o começo agora
As razões que o motivam
São as que me desmotivam
A fúria que eu canalizo
Talvez não fosse preciso
Tudo isto que eu sinto
Mas sabes que eu não minto
Pois de vida estou faminto
E não controlo as emoções
Por isso estas reacções...

Há-de brilhar pelo temporal
O sol que me darás talvez
Quando tudo voltar ao normal
Se é que alguma vez
Isso vai acontecer...
Tudo mudou após te conhecer
Mas estou-te agradecido
Aquilo tinha de ser vivido
O meu tempo vai acabar
O sol vou-te eu roubar
O tempo que eu crio
Não faz de mim frio
Faz de mim natural
Faz de mim normal...

Cada um pode querer uma vida
Mesmo quando se está de saída
O sol ainda pode brilhar...

(26/3/2005)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

POEMA 59

CARNE FRACA, ESPÍRITO FORTE

A carne é fraca mas o espírito é forte
Embora corrompido deixe-se ser tentado
É tão apelativo o perigo que é o pecado
Que é quase impossível que eu me corte

Se não viver agora só me resta a morte
E quero ver o meu objectivo acabado
Se a minha passagem não tiver significado
De nada me servem estes acessos de sorte

Nem eu a esse pecado da carne resisto
Porque descobri que qualquer tentação
Existe desde o momento em que eu existo

E gostava de ter pelo menos uma explicação:
Porque é que do meu espírito não desisto?
Talvez porque este nunca entre em putrefacção...

(11/4/2005)

POEMA 58

SUICÍDIO - O MEDO

Só tenho medo...do nada
Da minha alma abandonada
Não há ninguém que me cure
Não esperem que eu mais dure

Só tenho medo da ausência
Que provoquei sem consciência
Viverei estes últimos minutos
A colher estes venenosos frutos

Sou o causador desta tristeza
Que me consome com avareza
Que não deixará um bocado

Na vida um dia tudo se cobra
Sou o resultado da minha obra
Realizar-me-ei após me ter suicidado

(25/3/2005)

POEMA 57

SUICÍDIO - A DOR

Voltaram as dores dilacerantes
O meu estômago está como antes
Voltou muito do desconforto
Parecia tudo direito mas está torto

Será isto apenas uma regressão?
Curar-me-ia mas odeio cada sessão
Agora que desapareceu a sorte
Voltei a pensar na fortuna da morte

À minha vida não acho sentido
Fiquei em pedaços depois de partido
Não há cola que me cole de novo

Sinto-me deitado ao abandono
Chegado a este ponto não há retorno
Quero morrer já que não posso voltar ao ovo

(25/3/2005)

POEMA 56

SUICÍDIO - A SOLIDÃO

Sou o meu único amigo
E o meu maior inimigo
Sinto-me só em todo o mundo
Toda a estima está lá no fundo

Toda a esperança se evanesceu
O meu velho fantasma renasceu
O que começa sempre acaba
O que construí sempre desaba

Porque não há uma explicação?
Qual deve ser a minha reacção?
Venha um sinal e convide-o

Estou atento mas nada capto
Provavelmente sou um mentecapto
Que se refugiará em suicídio...

(25/3/2005)

POEMA 55

HOSPITAL

Ouve-se ao longe uma ambulância
Que deve vir-me buscar...Inconsciente
Vou na maca... Estou indiferente
Para a vida... Prefiro distância...

Ambulância que avança com relutância
Como se eu ali não estivesse presente
Só sei que o espírito não está ausente
Do resto revisto-me de ignorância...

De olhos fechados só oiço sirenes
E não mais sinto a ponta dos dedos
De ti preciso para que me coordenes

Agora é tarde para enfrentar medos
Levo-te comigo porque te adoro ´enes´
Foste a única doçura nos momentos azedos...

(11/4/2005)

POEMA 54

ÀS VEZES FAÇO ASNEIRAS

Não seria esta vez a primeira
Em que naquilo de novo pensaria
Se tivesse coragem até o faria
Mas a depressão é passageira...

Não seria a segunda nem terceira
Vez em que o fazer consideraria
Talvez a saída que eu preferiria
Fosse mesmo a maior asneira...

Chama asneiras àquilo que às vezes faço
Que eu nem nome tenho para lhes dar
Pois transcendo-me quando me passo

Não faço o que o desespero me mandar
Faço o que faço e logo me desfaço!
Às vezes necessito de tudo me arredar...

(11/4/2005)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

POEMA 53

MWAH AT THE PERSON ABOVE

The person above, above my person
The brightest star, above the sun
The finest one, in a new level
I’ll slipper in the muddy gravel

To reach the peak of your throne
I’ll do it and I’ll do it alone
I’ll climb the highest tree
Away from you I cannot be free

My cheapness and my littleness
Will never disturb your greatness
To reach you my goods I’ll drop
I wanna reach you in the top
I wanna say thanks to the girl I love
I’ll give a mwah at person above

(4/3/2005)

POEMA 52

BLUSH

Nothing but true you deserve
Wrong ideas are not mine
I got to have a lot of nerve
To still stand up in line

The right word in its place
Has the magic power to change
And when I look to your face
That magic has lost its range



Grab ideas, don’t push
I’m telling all the true
You don’t have to blush
You’d better believe in you

Some words are so pretty
I’ll knit them for your dress
You rule and that’s a pity
You think I just wanna impress

Won’t you believe my honesty?
Even known what you know
You should be the royalty
And I the person below

I know I’m a disgrace
In my every single act
Don’t try to hide your face
That’s a blush don’t regret

You are being polite
And becoming colourful
Do it and do it right
Even blushing you are beautiful

Grab ideas, don’t push
I’m telling the true
You don’t have to blush
You’d better believe in you

(14/3/2005)

POEMA 51

WEEKS

In the time of a week
I’m going to stay weak
Last weak was gold
Like I’ve never been told

I’m capable to lie
I’m winged ´cause I fly
Fly with me to heaven
Week days are seven

I was happy in all
Now I’m sad and I fall
I feel dumb and cry
Please give me one more try

Weeks we’ll have ´till we want
Why you and me don’t?

(3/3/2005)

POEMA 50

O JOGO DA VIDA

A vida tem sempre um sentido
Ninguém escapa à morte certa
É preciso alguém que nos desperta
Para que o destino seja cumprido

Porque não aceitas o pedido
E esta minha gentil oferta
A minha alma está sempre aberta
A viver o que não foi vivido

Espero descobrir a sorte que traz
O xadrez da minha vida que o decida
Este é um jogo que tão bem me faz

Quero vencer também esta partida
E sinto que eu só serei capaz
Se entrares comigo no jogo da vida

(6/4/2005)

POEMA 49

CÉU

O céu de noite estrelado
Reflecte em luz a tua beleza
Se estrelas tivesse contado
Seriam infinitas com certeza

(28/3/2005)

E acabaram as divisões por partes!

Quando comecei a postar aqui a minha obra maior não esperava que um dia não me apetecesse continuar! As coisas mudam, por vezes tão rapidamente que nos fazem mudar! Mudar-nos! A nós próprios! E eu leio o que escrevi há mais de 5 anos já e não mais sinto o que escrevi... Nem acho, sequer, que esteja assim tão bem escrito, sinceramente. Até porque mais recentemente tenho escrito algo bem melhor e mais sentido! Também dizem que os artistas (passo a falta de modéstia) acham sempre a sua última obra a melhor! Não vou desiludir ninguém, e falo directamente para os milhares de seguidores deste meu modesto blogue (já passei a modéstia antes mas era referente a todo este texto), e vou continuar a postar aqui os meus poemitas do livro dos cem poemas embora sem mais comentários ao que já fiz há tanto tempo! As análises façam os que os lerem! E comentem os poemas!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

POEMA 48

NOITE

Fui ao meu quarto e abri a janela
A noite vi lá fora ao sabor do vento
Que tanto adoro e agora me contento
Pois a noite me parece tão bela

Até agora a noite era uma rela
Que não se calava... Agora tento
A reconciliação! Estou mais atento!
Estou mais nocturno e gosto mais dela!

E se há na noite mais escuridão
Assim o meu mundo estava escuro
E a precisar duma nova rectidão

Porque é que eu via o mundo tão duro
E sentia-me mal, estranho e em solidão?!
Tudo mudou com um sorriso tão puro

(8/4/2005)

POEMA 47

PEDRAS DA CALÇADA

São lindas as pedras da calçada
Mas mesmo assim todos as pisam
Mas é só assim que se utilizam
Se não fosse assim valiam... nada!

Calçada que está sempre parada
Onde tropeçamos se não nos avisam
Das imperfeições que não precisam
De haver mas que lá está repousada

E também eu já me senti pisado
Mas mantive-me sereno e forte
Abusei e dizem que tenho abusado

Mas fiei-me na vida e na sorte
E a vida amiga de mim tem cuidado
Pois tanto sou chão como suporte

(8/4/2005)

POEMA 46

DECISIVA

Hoje algo de muito estranho se passa
Parece que ontem foi um renascer
Tudo o que queria vejo aparecer
Devo ter atingido um estado de graça

É tão bom poder sair da desgraça
Agradeço a quem me quis convencer
Que afinal eu também posso vencer
E que a vida não é uma ameaça

Agora sinto-me bem como já me senti
E como já tinha saudades de mim
A ligação com a confusão eu parti

Ainda bem que não fui até ao fim
E te ouvi, li, vi e esperei por ti
Pois és decisiva para eu estar assim :)

(8/4/2005)

POEMA 45

ACREDITA!

Ainda não foi há muito tempo atrás
Que eu prório nem me reconhecia
Enquanto a minha alma perecia
Memórias vinham sempre de trás

Foi um tempo de guerra e nunca paz
Em que eu inconsciente adormecia
Tinha pesadelos e até adoecia
De me manter de pé já nem era capaz

Mas já posso ver-te, sentir-te, sair
Da confusão onde me vim meter
E que não me deu razãoes para rir

Situação que desejo sempre manter
Agora que não vou nunca mais cair
Acredita em mim que te estou a prometer

(8/4/2005)

POEMA 44

MOMENTOS

Olho para a frente e vejo o que está atrás
Também há quem lhe chame espelho
Estou tão só a tornar-me velho
Agora vejo o que vem de trás

Coisas boas no lugar de más
É o que encontro e assim emparelho
Rimas que me levam a um quelho
Sem saída porque agora mal me faz

Maldito seja o fuso cronológico
Que me faz passar os bons momentos!
Neles ficar é muito mais lógico

Mas a vida tem os seus incrementos
Mas só contigo o mundo é mágico
Só contigo passo bons momentos

(12/4/2005)

POEMA 43

LÁBIOS

Beijei tua boca e gostei do sabor
E dos teus lábios flamejantes
Já os tinha visto belos antes
Mas não lhes tinha sentido o calor

Gosto do gosto, da forma, da cor
São sensuais e estonteantes
Só falas mas espero que cantes
Esses lábios dão-te um som superior

E fixo-me neles uma tarde inteira
E fixo-me em ti o resto da vida
Desta fixação és mesmo a primeira

Lábios com que falas desinibida
Lábios que te mantêm verdadeira
Lábios que deixam a minha alma perdida

(14/4/2005)

POEMA 42

CABELOS ONDULADOS

Hoje no teu cabelo fiquei colado
E nem consegui dar um pequeno passo
Preferi dislumbrar-me e isso bem faço
É tão lindo e original o ondulado

Estavas longe quando te tinha avistado
Correr até ti não seria um cansaço
Permiti-me dar-te mais algum espaço
Ver o teu cabelo pelo vento acariciado

Como não tinha eu reparado antes
Nos teus finos cabelos castanhos
Ao Sol ondulados e tão brilhantes

Só tu consegues feitos tamanhos
Estávamos tão perto e tão distantes
E nunca tão certos sentimentos estranhos

(14/4/2005)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

You When I But When There're We Sometimes I Forget Everything!

Mas antes de ir trabalhar...

You know that I love to play my guitar
But hey!, it has never kissed me so far!

When I wake up each morning it doesn't talk
And it never holds my hand when we walk!

I like to listen to music, and I like it a lot,
But even then you're the one I never forgot!

But never say never because no one can tell
If the devil is great unless it goes to Hell!

When you ask me, so politely, to behave,
It makes me smile like a freed master's slave!

There're no masters like me and no devils like you
We should slave each other in our unique true!

We don't hide what we both know that is happening,
We are just making an undercover happy living!

Sometimes I'm confused and I'd like to know
If I can also be fast and if you can also be slow!

I know but if you don't know your own importance
Then I'll have to show you in our next dance!

Forget that thoughts that make us hesitate:
Let the bodies flow, let's dance, I can('t) wait!

Evertyhting can be so perfect when we connect!
The rest of the time we can just simply act!

;)

pt. VII

Um poema com 5 partes que só por si já faz toda uma parte do livro! Mas quando há certezas... Deve ser difícil ter estas certezas, visto que demorou 5 anos a voltar a acontecer! Já falam menos de 60...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

POEMA 41

A CERTEZA pt. I

Amar é um sentimento forte
Mas não o invoco à sorte
Pois é mesmo o que sinto
Amo-te tanto que não te minto

De manhã quando me levanto
Faço-o porque te amo tanto
Tento fazer o que é correcto
Até cuido do meu aspecto

Quero parecer bem se me vires
Faço tudo isto por existires
Penso em ti em qualquer momento
És o meu melhor pensamento

Mesmo que te veja à ditância
Para mim tem muita importância
Adoro tudo o que em ti vejo
Não escondo o que eu desejo

Se por uma franja te reconheço
Qualquer atitude tem o seu preço
Se te vejo apresso-me a te alcançar
Adoro ver-te e em ti pensar

Acredito em ti como mais ninguém
Não faz mal que não me liguem
Pois mereces qualquer sacrifício
Perto de ti, longe do precipício

(1/3/2005)

A CERTEZA pt.II

Em mim estás sempre presente
Mesmo quando estás ausente
Confio no que o coração sente
Conforta-lo e fica quente
Devido a ti somente
Porque eu sou mau e frio
Nunca falo nem me rio
Sinto-me só e vazio
Nada mais me motiva
Que tu tão bela diva
A minha tendência esquiva
Que não me vale nada
Pois desde que falamos
Já está alterada
Se nos adoramos
Nem se nota nada
O tempo que passamos
Vida não alterada
Não mudou nada...
Tenho a certeza?
Claro que sim que não!

(1,2/3/2005)


A CERTEZA pt.III

Se tu nada sentes
Porque é que consentes
As palavras que te dedico?

Sabes que asssim fico
Com um rubor na cara
O sangue pára
Coração mais não pode
Pára, implode
Ai quem me acode?
Tu por favor
Isto é um nó que causa dor
Isto é uma nova cor
Sentimentos de amor
Tenho a certaza
Tenho a avareza
A comida na mesa
E sem fome
Porque é que se come
Quando não há vontade?
Só ansiedade
E tanto medo...

(2/3/2005)


A CERTEZA pt.IV

É tanto o medo
Cortes num dedo
O sangue escorre
O meu corpo morre
Uma passagem sofrida
De que vale a vida
Quando só há uma certeza
E muita tristeza
E sentimentos
Obscuros, tormentos
Mas prefiro nunca acabar
O mundo não vai desabar
Não pode ser agora
Conheci-te agora
E conhecer demora
Concede-me mais uma hora
Para o meu tratamento
Mais uma sessão
Outro acontecimento
Mais uma lição...

(2/3/2005)


A CERTEZA pt.V

Só eu é que sei
O que sinto quando te chamo
A tua árvore escalei
Dela pendo num ramo
De onde grito a mensagem
Agora que ganhei coragem
Pois tenho a certeza que te amo!

(2/3/2005)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

pt. VI - o regresso!

O regresso a quê? Às origens! A um estado básico que há cinco anos me fazia escrever poemas e agora me faz sorrir!
Deve ser o pólen que andar no ar! Aposto tudo no pólen! Apostaria, não soubesse eu que há pólen o ano todo!
Então deve ser o calor! Os dias aqueceram! Mas nunca é no Verão e o calor incomoda-me; preferiria sempre um pouco de vento a revoltar-me os cabelos!
Deve ser das flores! Sim, deve ser isso! Da beleza das flores, do cheiro, da graciosidade, da leveza, da subtileza, da forma, do espírito, do humor, da cor! É a cor! Uma! Só uma e chega! Outra para fazer contraste, por vezes, mas tudo se resume a uma cor!

O regresso a quê? Às viagens! Viagens mentais! Ir daqui para todo o lado sendo que apenas um breve momento passou para a história do Mundo! Mas para mim não foi um breve momento, foi um longo e inesquecível momento que se repetirá incontáveis vezes na minha memória até a uma exaustão que nunca vai chegar; estes momentos não me cansam!

O regresso a quê? Às dúvidas! Dúvidas que pairam no ar como... pólen! E eis que dos espirros inevitáveis de quem duvida nascem as certezas, levemente, docemente, demoradamente como as flores a abrir pela manhã beijadas pelos raios de Sol! E quando tenho a certeza de alguma coisa ninguém me pára!, mesmo que comece lentinho... ;)

Mas falando agora do livro que escrevi há cerca de 5 anos... Está aqui um conjunto engraçado de poemas, sim. Espero que gostem! 60, já faltaram mais...

POEMA 40

ADOCE-O

Porque é que sou como sou hoje em dia
Sempre triste, mal, oco, abandonado,
Talvez esteja tão bem e enganado
Não era nada disto o que eu pedia

Enquanto à pressão a mente cedia
Só me sentia para aquilo destinado
O acabar há já muito programado
Mas que eternamente se adia

Não dês tudo porque já nada adianta
Àquilo que sou já não renuncio
Salva-te porque vida tens tanta

Não há razão para este ócio
Onde está a deusa que me encanta?
Meu coração vive! Desde que ela adoce-o...

(19/4/2005)

POEMA 39

TEMPO...

O céu azul é tão lindo e agradável
Mas até nele passam as nuvens
O céu fica nublado se não vens
E fico como o tempo, desagradável...

O bom tempo apenas é viável
Quando para vires razões válidas tens
De nada me serve a maioria dos bens
Se o espírito estivesse incontrolável

Eu às vezes devo parecer mesmo parolo
Mas até agora não me tinha importado
Porque até agora tenho estado tolo

O tempo esteve sempre nublado
Mas agora que exerces o teu controlo
Eu vejo que o Sol tem brilhado

(9/4/2005)

POEMA 38

UMA NOVA CERTEZA

A verdade devia ser ouvida
Mesmo por mim que não acreditava
E enquanto no que escrevia pensava
Fui mudando a imagem da vida

Procurei um ponto de partida
Senão a minha mente estagnava
Percebi os conselhos que ela me dava
Para salvar a minha alma perdida

Agora olho para o sol e já me alegro
É maravilhosa e linda a natureza
E as mágoas eu agora desintegro

E reconstruo-as como beleza
Nesta nova vida em que me integro
Nunca estarei só! Tenho a certeza!

(5/4/2005)

POEMA 37

AINDA À PROCURA

Tu eras tão apenas e só toda a luz
Que eu via na minha penal solidão,
Que eu via na minha ré escuridão,
A vida que a fatal morte seduz

Quando da esperença se deduz
Que as virtudes não se darão
E que sonhos não se realizarão
A vida lentamente vai para a cruz

E agora vou perdido na minha rua
Espero um milagre que ocorra
E de súbito reparo na Lua

A Lua brilha com luz que ofusca
Mais que alguma vez... Mesmo que morra
Morre feliz quem encontra o que busca...

(3/4/2005)

POEMA 36

PALMEIRAS

Uma tarde bem passada
Após as probabilidades
Há já muito esperada
E que deixará saudades

Aos fechos agradeço
A fácil localização
Tenho aquilo que mereço
Devo-te a dedicação

Fotocópias na pasta
Onde havemos de ir?
Acreditar basta,
Bsta te ver a sorrir

Chocolate gelado
Que devoro sem vontade
Como mais um bocado
Já sem ansiedade

Tens um riso engraçado
Que nunca evitas
Sou só um desgraçado
Que faz coisas bonitas

Sinto-me bem contigo
És tão grande para mim
O meu único perigo
Era não o imaginar assim

Não escondas o que tens
Mostra-te ao mundo
Os melhores bens
São os que estão lá no fundo

Passou tão depressa
Tão curta a viagem
A realidade regresa
´bora para a paragem

Pelo mesmo se espera
A realidade nua pura
Por ti ele desespera
Bate só e ainda dura

No autocarro vamos
Só se ouvem asneiras
Ambos paramos
Tu sais em Palmeiras

O resto do caminho
Não tem história
Permaneço sozinho
No meio da escória

Penso em ti de todas as maneiras
Nem a música me acalma
Ficaram abertas as torneiras
Que me inundam a alma

De todo o arvoredo
Por razões verdadeiras
Sinto paixão e medo
Só pelas palmeiras

De toda a vegetação
De qualquer estação
Sinto grande amor
Por apenas uma flor

(28/2/2005)

domingo, 9 de maio de 2010

pt. V

Acho que está aqui um conjunto interessante de poemas para encerrar mais uma parte do livro! Estes meus versos começaram a ficar algo pessimistas, parece-me! Já se passaram 5 anos; as memórias vão desaparecendo como monumentos de pedras erodidos pela Natureza... Mas está ali uma lagrimita no último poema desta série, deve querer dizer alguma coisa! Os próximos posso já adiantar que são mais optimistas! E já só faltam 65!

POEMA 35

PARA LÁ DAS PALAVRAS...

As palavras são só o que eu vejo
A beleza é tudo o que escreves
Fazes e pensas o que não deves
Agimos felizes sem qualquer pejo

Vejo doçura e cor em cada beijo
Em cada momento que te atreves
Prefiro conversas longas às breves
Falar contigo é o que mais desejo

Porque não vivemos mais a ilusão?
Conhecermo-nos era a nossa vontade
E sentimentos acima da razão

Mas agora que finalmente nos vemos
Desiludo-me, pois a verdade
Dói agora que nos conhecemos =´(

(28/3/2005)

POEMA 34

UM SONHO (DEIXADO PARA TRÁS POR RAZÕES QUE DESCONHEÇO)

És talvez aquilo que em sonhos ocorre
Aquela que aparece e explica
Todo o sentido que na vida fica
Quando pela face uma lágrima corre

És talvez a alma que nunca morre
Aquela que acompanha e indica
Toda a razão que a vida implica
Quando a mágoa em mim discorre

És tudo aquilo que num sonho desejo
E se há sonhos que se tornam reais
Espero realizar o que ensejo

Mesmo sabendo que não somos iguais
Evito raciocínios em que me aleijo
Pois contigo quero sonhar mais

(30/3/2005)

POEMA 33

AGOSTO

Acontece tudo no mês de Agosto
Por razões que de todo desconheço
Cada manhã novamente amanheço
É mais um dia, é mais um desgosto

De tal vergonha cubro o meu rosto
Mas não é vergonha que reconheço
Embora ruborize quando apareço
Passo-me por lhes ter tomado o gosto

Consegue confundir-me o padrão cíclico
Costumo ter grande compreensão
De sol e calor é um mês rico

Mas é seco, vazio, indiferente
Adoro-vos mas sinto esta tensão
De nunca vos ter presente...

(25/3/2005)

POEMA 32

PRIMAVERA

Tardou em chegar a Primavera
Que prometia tirar as dores
E presentear-nos com as cores
Que marcarão uma nova era

Afinal valeu a longa espera
Que mudou os nossos humores
E despertou outros amores
Com tal poder que nos regenera

Chegou a estação que dá vida
Chegou aquilo que eu ansiava
Uma chegada e uma partida

Chegam os momentos mais quentes
Partem os que eu tanto esperava
Pois entretanto ficamos diferentes

(28/3/2005)

POEMA 31

A CALMA DUMA MENTIRA

Estou debaixo dum pinheiro manso
Vejo as nuvens a passar além
Pois só vejo o que me convém
E estou feliz enquanto descanso

Ao vento estou parado, eu danço
Sem um gesto mexo-me com desdém
Ignoro a realidade, estou bem
Faço o fosso em que me lanço

Prefiro a calma desta mentira
Pois é a única maneira de viver
E é um bem que ninguém me tira

Prefiro bem acompanhado do que só
Alguém que a verdade me vá reaver
Mas no fim todos seremos pó
Mesmo que no fim todos ficaremos em pó
Mesmo que ninguém passe de pó

(16/3/2005)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

POEMA 30

CARTAS

A cartomante deitou as cartas
Para prever o nosso destino
O que aqui se passa não imagino;
De que fim, mulher, nos apartas?

De que nó nossa vida desatas?
Porque é que eu perdi o tino
E acredito neste falso divino
E nestas filosofias baratas?

Não há cartas que nos adiantem
Quando o destino está traçado
E outra hipótese não se tem

Há que encarar pois não há qualquer ser
Nem mago, nem espírito alado
Que possa mudar o que tiver de ser

(28/3/2005)

POEMA 29

PAIXÃO EM TRAÇOS LEVES

Sinto a paixão nos traços tão leves
Com que escrevo estas palavras carinhosas
Sinto a leveza do teu cheiro a rosas
Que inspiro devagar em momentos breves

Vejo-te bela e pura como brancas neves
Assim brancas como as tuas mãos carinhosas
Que sinto debaixo de árvores frondosas
Onde um apaixonado passeio me deves

E sinto-me tão bem! Olhos brilhando
À medida que em sonhos te revelas
Majestosa como te estou imaginando

E só quero mesmo uma explicação
Porque é que todas as coisas belas
Que adoro só existem na minha imaginação?

(6/4/2005)

POEMA 28

DESTINO

Pouco falamos e nunca nos vemos
Muito me custa pois tanto te admiro
Se o sentes sabes a que me refiro
Este destino que não percebemos

O pouco tempo que nunca temos
É ansiado em cada suspiro
Saudades pesam sempre que respiro
Destino porque nos intrometemos?

E pergunto-me o nosso destino
E de quem o saberá senão nós
O fio da lâmina é tão fino...

Estamos sós e sempre afastados
Não me sentes, não ouves a minha voz
Destinas-me a imaginar bons bocados?!

(23,24/3/2005)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

POEMA 27

UM DESEJO MAIOR QUE A ARTE

Preciso sempre de uma meta
E sempre que possível um tema
Escrever poesia é um problema
E também a motivação predilecta

A minha mente não se quer quieta
Após isto não mais será a mesma
Qualquer desafio deve ser o lema
Para a sobriedade que a vida acarreta

E se este desafio implica
Fazer o que gosto de fazer
A minha alma fica mais rica

E com estas palavras acariciar-te
Além dum desafio é um prazer
E um desejo maior que a arte

(28/3/2005)

POEMA 26

O ÚNICO DESAFIO

Agora que o mundo está contra mim
Sinto-me fraco e só definho
Quem me dera não estar sozinho
Agora que sinto chegar o fim

Por este caminho que não vim
E este imaculado amargo vinho
Em que não toco pois caminho
Com o fim de não ser assim

Não me deixes cair em tentação
Pois sabes bem do que sou capaz
Ajuda-me a alcançar outra dimensão

Penso só em ti em quem confio
Nesta nova era em que não há paz
Manter-me vivo é o único desafio

(29/3/2005)

POEMA 25

A MÁGOA, OS REMORSOS

A inspiração escapa-me entre os dedos
Era inevitável chegar este momento
Já chega de soturnidade e sofrimento
Mas não consigo exorcizar os medos

Estou duro e frio como os penedos
Ao pé do mar! Erodidos pelo vento,
Água... Só esta mágoa erodir tento
Mas a vida prendeu-me em seus enredos

Inspiração que se evaporou devagar
E que me chupou até ao tutano dos ossos
Pois entendeu que eu lhe devia pagar

Grandes dramas sejam os vossos
Agora que às palavras me vou desligar
Fiquem vocês com a mágoa, os remorsos...

(6/4/2005)

domingo, 18 de abril de 2010

nada a dizer

Não sei o que dizer...
A sério que não sei...
Nem sei o que fazer...
E se até agora rimei
Foi mesmo por acaso...
Não façam caso...
Às vezes também temos de saber,
Por muito que custe a perceber,
Que não há nada para dizer...
"Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e, pera mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau; mas fui castigado.
Assim que só pera mim
anda o mundo concertado."
Camões

As folhas caem

As folhas caem, devagar,
Caem sempre, e devagar,
E caem em qualquer lugar;
As folhas caem, inevitavelmente!
Caem folhas e estou presente,
Caem folhas constantemente,
Caem e não se levantam mais!

Se há tantas folhas iguais
Por que me razão dói mais
Quando caem folhas que amo?
Folhas que para mim reclamo...

"Altruísmo egoísta" é como chamo
À vontade de mudar o destino.
Se nem aprendo o que ensino
Como posso ser por vós ouvido,
Se o destino está tão bem decidido
E mais folhas têm, assim, caído?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

POEMA 24

NÃO BEM, NÃO MAL

Nada mais me ocorre para expresssar
Aquilo que sinto! Não me sinto bem
Como outrora me sentia mas também
Não me sinto mal como estou a pensar

Já sobrevivi quando tive de atravessar
O deserto do meu passado! Acabem
Com a minha confusão! Digam se sabem
Porque é que me estou sempre a passar

Se já não sinto a calma de antigamente
E mesmo assim permaneço sereno
É porque devia estar inconsciente

O clima tornou-se afável, ameno...
Só eu é que nunca fico diferente...
Sinto-me sempre mal, sinto-me pequeno

(6/4/2005)

POEMA 23

INÚTIL

A vida era mais fácil quando estavas presente
Tinha sentido e eu estava feliz
Tinha tudo o que sempre na vida quis
Eras aquilo que procurava incessantemente

O destino traçado fatalmente
Para merecer isto que é que eu fiz?
Quero uma resposta mas ninguém me diz
Porque é que me arrancaram tudo de repente?

Só sei que me sinto tonto e mal
Já não tenho vontade de viver
Porque é que eu não sou um animal?

Que vive sem quaisquer sentimentos...
Se não te posso mais sentir e ver
De nada me serve recordar os bons momentos

(30/3/2005)

POEMA 22

AGORA QUE NÃo PODES APARECER

Agora que não podes aparecer
Lágrimas correm em todo o momento
A realidade encara-se com sofrimento
A única hipótese é um renascer

Há que mudar para se vencer
Não o queria mas agora tento
Pois continua em ritmo lento
A vontade do retorno do teu ser

A realidade é por vezes mais forte
Do que aquilo que mais desejamos
E que só se realiza por sorte

É esta vida que vamos caminhando
A honra vem se não paramos
É melhor desaparecer do que ir definhando...

(28/3/2005)

terça-feira, 6 de abril de 2010

POEMA 21

LIQUIDEFEITO

Lágrimas escorrem de olhos escuros
Que te vêem para lá do infinito
O mar é vasto, pleno, bonito
Mas por ele só caminham os puros

Só percorro os caminhos mais duros
Mas para te alcançar nada evito
És a minha deusa, musa e mito
E também a razão dos meus agruros

Porque é que ainda finges ignorância
Porque me inundas de violência
Porque te permites esta distância?

Porque recusas tantas verdades
Se sabes que nado em resistência
Mas afundo-me num mar de saudades...

(24/3/2005)



("liquid" from www.chopperdanceblog.com)

POEMA 20

CHUVA LÁ FORA

Detesto hoje que está a chover
Porque fico frio e molhado
Se pelo Sol tivesse esperado
Não cumpriria o meu dever

Na vida não deve de haver
Um outro tão perfeito estado
Que a Natureza, que tenho reparado
Que age como me tem feito ver

Hoje que não podes estar comigo
Já não há qualquer perigo
Venham chuvas e inundações

A meteorologia são corações
Quando o meu coração por ti chora
Vê as lágrimas na chuva lá fora...

(14/4/2005)



("rain" from www.static.bethsoft.com/blog)

POEMA 19

ROSAS ESPINHOSAS

Diz-me de que são feitas as rosas
Se de pétalas, cheiro ou espinhos
Diz-me: porque estamos sozinhos
E porque temos vidas espinhosas?

Vida, gozamos-te ou tu nos gozas?
Quando pões flores nos caminhos
E nos confundes com carinhos
De inacessíveis flores vistosas

Para que nos dás a beleza
Se com espinhos a proteges
Se de a ter não temos certeza?

Porque me deixas ver a flor
Se apenas tu as leis reges
E não deixas que haja amor?

(16/3/2005)


("rose thorns" from www.photos.somd.com)

pt. IV?

Isto das partes do livro é novo para mim também. Não arranjei os poemas aleatoriamente mas não estive com estas preocupações de divisão por partes, há 5 anos atrás...

Há 5 anos atrás estive no Jardim Botânico a ver umas tulipas com aquela a quem fiz os poemas... Voltei lá esta semana e havia de novo tulipas. Há cinco anos atrás estavam bem mais bonitas! Enfim, um sítio que me marcou e que inspirou algumas dos poemas que aqui vão estar. Continua bonito e recomendo a quem gostar de flores e beleza e .

Cinco anos e nem tudo mudou felizmente. Cinco anos e tudo mudou felizmente. Cinco antes e nem tudo mudou infelizmente. Cinco anos e tudo mudou infelizmente.
Dependendo dos dias cada uma destas quatro frases faz sentido. Ainda faltam 82... Poemas...

Talvez me falte um encosto

Talvez me falte um encosto
Talvez...

Talvez me falte um rosto
Talvez o veja outra vez
Talvez...

Talvez me falte um bom descanso
Talvez...

Talvez me chegue o que alcanço
Talvez mais do que a vocês
Talvez...

Talvez seja esta a última vez
Talvez...

Talvez seja esta a primeira
Talvez mais uma noite inteira
Talvez mais um dia arrastado
Talvez mais um sono adiado
Talvez...

Talvez seja esta a derradeira
Talvez durma a noite inteira
Talvez esqueça todo um sonho
Talvez mais uma que componho
Talvez...

Talvez não te ligue um ovo
Talvez comece tudo de novo
Talvez...

Talvez, talvez, talvez:
Essa palavra outra vez!

Talvez eu até perceba metade
Talvez eu não saiba a verdade
Talvez eu tenha feito este poema
Talvez eu tenha um problema
Talvez...

Talvez eu já tenha jantado
Talvez eu já tenha almoçado
Talvez eu não tenha sequer fome
Talvez seja eu quem te come
Talvez...

Talvez na cabeça esteja demais
Talvez esteja a cabeça até a mais
Talvez numa frase seria tudo dito
Talvez chegasse mas não acredito
Talvez...

Talvez eu tivesse tanto a dizer
Talvez tudo se resuma ao prazer
Talvez a vontade de reconquistar
Talvez a certeza do meu bem-estar
Talvez...

Talvez um dia...
Talvez...

06-04-2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

POEMA 18

DENTRO DA MINHA MENTE, PELO MENOS SUPOSTAMENTE...

Meu amigo, isto já tinha de ser
Pois ele pouco fez para me merecer
Sabes que sou muito egocêntrica
Sinto-me bem em ser autêntica
Isto tinha mesmo de ter um fim
Eu não podia continuar assim...
Contigo descobri a verdade
Não é comum a nossa amizade
É tão boa e é tão sincera,
Algo de que não estava à espera...
Sortuda em te ter encontrado
Passo contigo um excelente bocado
Só te sinto e não te vejo
Só te ouço não te aleijo
Também eras incapaz de o fazer
Tens pela vida outro prazer
Vês tudo de maneira diferente
Tens o optimismo sempre presente
Confesso que me sinto bem contigo
Mas não te conheço e é um perigo
Serã que isso aumenta a tentação?
Nunca outrora tive esta sensação...
Creio haver algo em ti que me atrai
Mas o desconhecido também retrai
Se ao menos eu tivesse mais respostas
Porque sinto que de mim gostas
Erros cometem-se e com eles cescemos
Mas também é bom que os evitemos
Dizes que eu sou a tua musa
A inspiração que a arte te recusa
Dizes-me a mais perfeita do mundo
És exagerado mas sincero lá no fundo
Embora às vezes não te compreenda
Pareces querer que de ti dependa
Tenho medo que nada resulte
E que tudo em vão se exulte...
Serão os erros ou a futilidade?
Porque é tão difícl saber a verdade?
Será só mais uma coincidência?
Não conheces o sabor da desistência
És persistente e tão confuso...
Confundes-me porque não te acuso...
Confundes-me com a tua poesia
A tua mente não está vazia
Fazes-me pensar o contrário
Mas basta ler o teu poemário...
Tens capacidades incríveis
Mas foges desses níveis
Dizes coisas tão bonitas
Mas nem em ti acreditas
Ensinaste-me uma felicidade
Da qual só por vezes tens vontade
Abriste-me o caminho para o paraíso
Pois para ti não é preciso
Haverá melhor exemplo de bondade
Que a tua falta de perplexidade
Que a tua calma profunda
Que no mundo já não abunda?
E páro um pouco no verso sessenta
Pois o meu coração já não aguenta...

(21/2/2005)

POEMA 17

INTRODUÇÃO AO POEMA 18

É este o poema que eu fiz por ti
Aquele em que eu por ti senti
Aquele em que eu tu eras
E no qual as palavras são sinceras
Ou pelo menos é suposto que sejam!
E antes que quaisquer outros o vejam
Dignei-me a aqui deixá-lo
E para ti passá-lo
Pois é para ti apesar de tu o teres feito
Um presente para ti própria em que não aceito
Alguma vez sequer ter participado
Pois o que está escrito naquele bocado
De papel que um dia talvez vejas
Não é mais do que as palavras que desejas
Que lá estejam escritas!
E algumas daquelas palavras são bem profundas e bonitas...
E como calculavas fiz-te a vontade
E o que lá está escrito só tu sabes se é verdade
Por isso se algo correr mal só podes acusar-te
A ti própria! Eu só contribui com tempo e arte!
E também não espero que percebas este poema
Mas isso já me daria mais um tema
E eu faria um novo poema
Que não sou preguiçoso
E gerava-se aqui um ciclo vicioso
Do qual me quero libertar! Não sou um viciado!
Ou pelo menos não era até te ter assegurado
Que escrevia tanta poesia em tempo tão limitado...
Agora faz parte do passado o que foi prometido
Mas não me encontro nada arrependido! =)
Grande lata a minha em fazer um poema e dar-te a responsabilidade
Da sua aparição... Agora era engraçado se de verdade
Tivesses pensado tudo aquilo enquanto falamos
No prodigits... Parece que agora longe estamos...
Não achas o mesmo? Mas em simultâneo
Acho que não se podia encontrar melhor sucedâneo
Que a última abençoada quinta-feira
Em que me senti bem a tarde inteira
Em que me senti mais próximo de alguém
E que voltei a sentir que também
Tenho lugar no mundo! Mais que alguma vez anteriormente
Senti que havia alguém presente
E que dizia algo que fazia sentido...
Hmmm, acho que estás, como tinhas pedido,
A entrar na minha mente...
Este poema é tão diferente...
Desculpa mas ainda não é hoje que a minha mente vai estar exposta :p
Mas se inconscientemente levantou o véu é porque de ti muito gosta...
E nunca te esqueças que as palavras não passam disso, palavras,
As acções é que podem mudar vidas...:

(11/4/2005)

os interesses - pt. III

Creio que encerro aqui a terceira parte do livro, onde descrevo os principais interesses da mariana (pelo menos o eram na altura): dormir, tulipas e tudo o que eu fizesse! Sou convencido? Não, realista! E o que é a nossa alma senão aquilo que temos a dar ao Mundo?! Eventualmente também terei feito uma música com daquele poema 15. Creio que não está gravada mas felizmente permanece na minha memória, talvez a volte a gravar um dia destes. Sim, já foi gravada uma vez mas foi uma gravação bem efémera que só duas almas ouviram...
Agora vou entrar numa outra dimensão que é a mente das mulheres... E já so faltam 84!

POEMA 16

ALMAS

Almas juntas são ricas
Se separadas estão nuas
Diz-me que comigo ficas
E ambas serão tuas...

(28/3/2005)

POEMA 15

(AH AH AH) HMMM... AH E TAL...

Os passarinhos cantam lá fora
Enquanto tu é quem mais cora
Mas as vergonhas sou eu que passo
Em tudo aquilo que te digo e faço

Sou eu quem canta agora
Por favor não vas já embora
Ouve aquilo que te dedico
Se preferires aqui não fico

Hoje sinto-me bem
Espero que tu também
És tu quem me faz sentir assim

Ri-te à vontade
Só te digo a verdade
Preciso de ti perto de mim...

(24/3/2005)

segunda-feira, 22 de março de 2010

POEMA 14

LILIÁCEA

Eu provarei a eficácia
Do teu suave perfume,
Da tua perspicácia,
Mesmo que nada arrume
E diga uma falácia
Entrarei no teu lume
Com cor de liliácea
E dor de um só gume,
E espero sair vivo
Pois sou muito esquivo...

Gostava de te ajudar
Mas tenho um problema
Poemas para te dedicar
Sem qualquer nexo ou tema
Prometi-tos, vou-tos dar
Produção é por sistema
Inspiras-me para acreditar
Na vida e seu dilema,
Morrer por um perfume eterno
Ou viver sem flores no inverno...

(27/2/2005)


("tulips" from www.mundodeflores.com)

POEMA 13

TULIPAS

É verdade,
És uma flor,
Desconheço a tua idade,
Desconheço a tua cor,
Conheço a saudade,
Conheço o amor.

És a cura para uma doença,
És a justiça duma sentença,
És o dogma de uma crença,
És por quem meu coração pára,
És uma tulipa negra e rara...

São tantas as flores
E de saborosas cores
E de belos sabores
E de tantos odores,
Mas só tu és inconfundível,
Ninguém mais atingiu o teu nível,
Porque és da vida a mais incrível,
Tulipa negra és a perfeição à face da Terra,
Acredita neste humilde coração que nunca erra...

(27/2/2005)



("tulip" from www.fotothing.com/photos/cac)

POEMA 12

SONINHO

Acredita...sinto-me tão sozinho,
De cada vez que tens soninho,
De cada vez que eu não tenho...

Apenas permaneço sempre acordado
Porque estou sempre ao teu lado
Porque cá estás quando cá venho...

Mesmo quando o sono me consome
De ti ando sempre cheio de fome
Algum que eu tenha tu me tiras

Quero estar contigo cada momento
E o soninho não será impedimento
Os estados mentais são mentiras

(5/3/2005)

a mariana - pt. II

Esta deve ser a segunda parte do livro. Há uma certa caracterização da minha "musa inspiradora". E já só faltam 89...

sexta-feira, 19 de março de 2010

POEMA 11

AS TUAS MÃOS

As tuas mãos são tão bonitas
É pena porque não acreditas
Porque as escondes de mim?
Gosto tanto delas assim...

Quem me dera sentir o toque
Não seria para mim um choque
Mas sim um sonho realizado
Ser por essas mãos acariciado...

Mãos perfeitamente desenhadas
Dimensões bem proporcionadas
Porque não vês o que eu vejo?
Não sentes o que eu desejo?

Sem essas mãos não me chegariam
Letras que não me mudariam
Conforto ternura e tanta paz
De que só tu foste capaz

Não escondas aquilo que és,
Perfeita da cabeça aos pés,
Exibe-te sem tantos medos
Deves tanto aos teus dedos...
Devo tanto aos teus dedos...

(5/3/2005)

POEMA 10

O TEU CABELO

O teu cabelo é tão engraçado
Gosto muito desse teu penteado
A franja deixa um olho tapado
E a mim deixa-me muito excitado
Pois dá-te um ar tão sensual
Se outros não gostam não faz mal
Pior para eles, porque eu adoro
És tão gira que eu até coro
Vinte e cinco centímetros comprido
O teu cabelo é o meu preferido!
(E também gosto muito da cor
E sim o que sinto por ti é amor...)

(5/3/2005)

quinta-feira, 18 de março de 2010

POEMA 9

TU ÉS MARIANA

Mariana tu és linda xD
Mas mesmo que ainda
Outra eu tivesse visto
É so a ti que não resisto ;)

Mariana tu és doce =9
Mas mesmo que outra o fosse
Só a ti eu provaria
Sempre te preferiria ;)

Mariana tu és demais =D
E mesmo que outra fosse mais
Nunca estaria tão acima
Só tu me elevas a auto-estima =')

Mariana és tu quem manda (lol)
E se quem ao meu lado anda
Fosse só a tua pessoa
A vida seria mesmo boa! =D

Mariana cheiras tão bem xD
Mas se outra cheirasse também
Só contigo iria suportar
Respirar o mesmo ar ;)

Mariana tens um sorriso... xD
E de outro não preciso
Pois não tem qualquer jeito
Substituir o que já é perfeito ;D

Mariana esses teus lábios... xD
Por onde conselhos sábios
Passam, que sensuais são!
Não escondo a admiração =D

Mariana esse cabelo... xD
Quando deus fê-lo
Devia tar inspirado
Adoro vê-lo ondulado =D

Mariana os teus olhos... xD
São flores aos molhos
Para quem tanto gosta delas
Assim como íris belas =D

Mariana os teus sinais... ;D
São mesmo originais
E só teus! Mas como te disse
Era inevitável que eu os visse ;)

Mariana esse corpo que tens... xD
É lindo, perfeito! Parabéns
A quem o deu a alma tão pura!
Parabéns a quem o tem, me lê e me atura... ;)

Mariana tu és...
Perfeita da cabeça aos pés!
Hmmm e alguma vez atingiste o nirvana?
Eu atijo-o sempre que te vejo Mariana!...

(11/4/2005)

POEMA 8

A DEUSA DA VIDA

Também pertences à mitologia
De noite, de dia, é constante
Do cimo dos céus tão distante
Para te alcançar a vista fugia

Mas na baixa Terra sinto a magia
O teu poder em mim penetrante
Mudas-te uma vida num instante
Prevines mantendo-te de vigia

És a deusa da vida Mariana
Pois quem dá vida dá sentido
Àquilo que às vezes nos engana

Eu comum mortal não te resisto
Pois sem ti não mais teria vivido
É apenas para ti que agora existo

(5/3/2005)



("angel" from the Nirvana album "In Utero")

os números - pt. I

Acabou a primeira parte do meu livro de poemas, dedicada aos números. Acaba no 7 por ser o meu número favorito! Agora só faltam 93...

o número 7

segunda-feira, 8 de março de 2010

POEMA 7

SETE

Sete são as maravilhas do mundo
Sete mas não vi ainda nenhuma
Para quê sete se me chega uma
Que de amor me deixa rotundo?

Do paraíso de onde sou oriundo
Toda a soturnidade se esfuma
Ao mergulhar num banho de espuma
Numa bolha me conservas profundo

Tu que de vida e de amor fervilhas
És só uma que vale por sete
E és a maior das maravilhas

Eu que por ti sou sempre levado
Sou a vida que sempre repete
A vontade de te ter a meu lado

(29/3/2005)


("7" from www.musamos.wordpress.com/2010/02/15/emil-bertell/
por sugestão da anónima - vejam o blogue dela: http://napraiasecreta.blogspot.com)

quinta-feira, 4 de março de 2010

POEMA 6

SEIS

Mais um dia que foi passado
Inevitavelmente chegam as seis
Recolho-me em etéreos aneis
Que em etéreos dedos estão colocados

Recolho-me ao meu bem sagrado
Onde vivemos como sendo reis
As rotinas não são fáceis
Mas melhoram a teu lado

Se na vida eu tiver sofrimento
O passarei sem qualquer receio
Porque tenho o teu olhar atento

Se falhar qualquer meu objectivo
Continuarei de alegria cheio
Pelo prazer que contigo vivo...

(29/3/2005)


("6" from www.flickr.com/photos/carbonnyc/76463757/)

POEMA 5

CINCO

Enquanto chagas de cristo são cinco
As minhas são umas vinte vezes mais
E mesmo assim não são demais
Aceito-as com prazer e afinco

Estas chagas com que rio e brinco
São dolorosas e nada normais
Pois pegando nelas nunca, jamais
Me livrarei deste profundo vinco

Vincadamente marcadas em mim
Ficam palavras que nunca completas
Nunca serão um meio para um fim

Mas nem só as palavras são dolorosas
Pois o silêncio é pior que setas
E as acções ferem, espinhosas...

(29/3/2005)


("5" from www.dreamstime.com)

POEMA 4

QUATRO

Queria um amor elevado ao quadrado
Mas tenho um amor sem expoente
Será isto que tenho um amor realmente?
Estarei contente, vazio ou destroçado?

Sentir-me-ei bem, só ou magoado?
Como se pode exprimir o que se sente
Se o destinatário ou está ausente
Ou recusa-se a ser endereçado?...

Nós dois elevados a expoente par
Quatro são apenas dois vezes duas
E a reacção é tão distante e dispar

O coração sente que hoje não será diferente
Pois em cada acto de mim recuas
E perco-te de vista à minha frente

(29/3/2005)


("4" from www.hil-ink.com)

terça-feira, 2 de março de 2010

POEMA 3

TRÊS

A perfeição nos números é o três
Como um triângulo que se fecha
Que com três ângulos não deixa
Que a sua forma mude outra vez

O sentimento é em português
Um lamento, a dor, a queixa
Que não permite que me mexa
Pois a perfeição mantém a altivez

Mesmo aquilo que é feito perfeito
Só por existir perfeição não tem
É inevitável apontar um defeito

A perfeição é a bela da utopia
Que se associa a quem se quer bem
E cuja imagem por amor se esculpia

(29/3/2005)


("3" from the Soulfly album "3")

POEMA 2

DOIS

Há novamente uma certeza
No meu mar alto de confusão
Na falta de lógica da razão
Que me caracteriza com dureza

Que me confere tal aspereza,
Que me permite tal precisão?
Lixe-me a lixa da decisão
Que me suavizará com certeza

Convivência que se verá depois
Pois agora tenho a preocupação
De tentar que sejamos apenas dois

Se fui polido por mim, por ti,
É porque me dá a sensação
De te dever o que sempre senti

(4/3/2005)


("2" from www.kindbook.com/maths)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

POEMA 1

UM

Agora que por fim te conheço
Tudo o que imaginei é verdade
Vi-te uma vez e sinto saudade
És muito mais do que eu mereço

Sinto-me frio como o gesso
Moldado perante a vontade
Desta catatónia de ansiedade
Onde quedo mudo e espesso

Contigo à frente sou menos de um
A tua grandeza que me diminui
Adoro-a e não me faz mal algum

E não permaneças só e púdica
Acredita em ti pois se anui
Que o teu espírito te faz única

(2/3/2005)


("1" from www.balloons.co.uk)