Deixo-vos com um dos meus poemas favoritos...
Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
...
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca
quarta-feira, 21 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Os olhos no céu, as janelas abertas
Os olhos no céu, as janelas abertas,
os aviões passam e a vida avança,
reveste-se o fim duma fina esperança,
ouve-se de alguém as palavras certas...
Mentes dispersas, ideias desertas,
tão certas quanto as de uma criança,
inocentes e absurdas; ninguém descansa
quando, por amor, do amor não despertas...
Sente-se na voz e naquilo que mentes
como funciona o coração realmente,
contrário à lógica a nós ensinada;
não mais te ouvirei, por mais que tu tentes,
um dia serei outro ser mais contente
se bem que pareça que parto do nada...
os aviões passam e a vida avança,
reveste-se o fim duma fina esperança,
ouve-se de alguém as palavras certas...
Mentes dispersas, ideias desertas,
tão certas quanto as de uma criança,
inocentes e absurdas; ninguém descansa
quando, por amor, do amor não despertas...
Sente-se na voz e naquilo que mentes
como funciona o coração realmente,
contrário à lógica a nós ensinada;
não mais te ouvirei, por mais que tu tentes,
um dia serei outro ser mais contente
se bem que pareça que parto do nada...
segunda-feira, 12 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Só um momento
Só, num momento de paz,
vejo em ti uma ilusão,
olho de novo e satisfaz
só de saber que não há razão
para me iludir de novo por nada...
Só, num momento de luz,
vejo sobre ti uma emoção
que supostamente não me seduz
porque sei como as coisas são
e o recomeço é uma coisa complicada...
Só, num momento que não sabes,
vês em mim o olhar da paixão,
ocupas um lugar onde não cabes
e retribuo o olhar para o chão
que ambos pisamos de perna cruzada...
Só, num momento estranho,
vês o que não quero que se veja,
a estrada é longa como o tamanho
do sentimento que toda a gente inveja
e entreolhamo-nos de forma depreocupada...
vejo em ti uma ilusão,
olho de novo e satisfaz
só de saber que não há razão
para me iludir de novo por nada...
Só, num momento de luz,
vejo sobre ti uma emoção
que supostamente não me seduz
porque sei como as coisas são
e o recomeço é uma coisa complicada...
Só, num momento que não sabes,
vês em mim o olhar da paixão,
ocupas um lugar onde não cabes
e retribuo o olhar para o chão
que ambos pisamos de perna cruzada...
Só, num momento estranho,
vês o que não quero que se veja,
a estrada é longa como o tamanho
do sentimento que toda a gente inveja
e entreolhamo-nos de forma depreocupada...
Apenas.
Queria escrever, apenas...
Apenas queria escrever.
Tenho dito...
Bem, mas queria escrever
e não sabia bem o quê.
Então alguém me disse:
"Escreve apenas!"
E eu escrevi!
E fui mesmo bem comportado
e não me senti nada mal
pois, enfim, já está escrito!
E continuo a querer escrever
e sem saber o quê!
Mas mesmo para quem não sabe
ainda não parei,
o que é deveras interessante,
esta capacidade, vá, de escrever sem tema!
"Quem disse que tudo o que escrevemos tem de ter um sentido?" -
e tens toda a razão!
E agora estou a lembrar-me de garrafas!
Garrafas vazias! Vazias, com ar, vá!
Garrafas transparentes, ligeiramente esverdeadas.
Não, ligeiramente azuladas!
Não, também não... Incolores!
E nessas garrafas vazias de líquido havia ar!
Ar! E nada mais mas chega. E o ar é leve!
Leve! E as garrafas elevam-se no ar!
E são misturadas com as nuvens
e um dia choverão garrafas cheias de ar!
Suavemente cairão e será bonito!
Mas que estou para aqui a escrever?!
Não sei mesmo...
Será que alguém lê isto?
Ritinha, ao menos tu!
Só de ti espero algo! Vê lá!
Vê lá ao nível a que isto chegou!
Escrever para ti, sobre ti, sobre ti,
sobre ti como sobre uma folha, quis dizer,
uma folha que se reutiliza vezes e vezes sem conta!
E quando a tinta já é tanta que o fundo não se vê...
Muda-se de cor!
E então pode-se escrever mais!
Eu aproveito e desenho também.
Já desenhei melhor mas ainda se percebe
que tentei desenhar o meu estado de espírito;
percebe-se, não se percebe?!
Acho particularmente claro desta vez...
Está lindo! Poético!
Gosto, nomeadamente, daquele risco oblíquo,
bastante revelador...
Enfim, já nem sei desenhar,
só sei escrever...
Só sei...
Sei...
Sim...
Sim, sei!
Não sei se sei...
Sei lá se sei...
Quem quer saber?
Escrevo, apenas.
Percebes?
Até tu perdes o sentido?
Pois, como eu.
Não tenho mais a dizer...
Detesto isto!
Não, não detesto.
É viciante, é isso...
Que perda de tempo...
Apenas queria escrever.
Tenho dito...
Bem, mas queria escrever
e não sabia bem o quê.
Então alguém me disse:
"Escreve apenas!"
E eu escrevi!
E fui mesmo bem comportado
e não me senti nada mal
pois, enfim, já está escrito!
E continuo a querer escrever
e sem saber o quê!
Mas mesmo para quem não sabe
ainda não parei,
o que é deveras interessante,
esta capacidade, vá, de escrever sem tema!
"Quem disse que tudo o que escrevemos tem de ter um sentido?" -
e tens toda a razão!
E agora estou a lembrar-me de garrafas!
Garrafas vazias! Vazias, com ar, vá!
Garrafas transparentes, ligeiramente esverdeadas.
Não, ligeiramente azuladas!
Não, também não... Incolores!
E nessas garrafas vazias de líquido havia ar!
Ar! E nada mais mas chega. E o ar é leve!
Leve! E as garrafas elevam-se no ar!
E são misturadas com as nuvens
e um dia choverão garrafas cheias de ar!
Suavemente cairão e será bonito!
Mas que estou para aqui a escrever?!
Não sei mesmo...
Será que alguém lê isto?
Ritinha, ao menos tu!
Só de ti espero algo! Vê lá!
Vê lá ao nível a que isto chegou!
Escrever para ti, sobre ti, sobre ti,
sobre ti como sobre uma folha, quis dizer,
uma folha que se reutiliza vezes e vezes sem conta!
E quando a tinta já é tanta que o fundo não se vê...
Muda-se de cor!
E então pode-se escrever mais!
Eu aproveito e desenho também.
Já desenhei melhor mas ainda se percebe
que tentei desenhar o meu estado de espírito;
percebe-se, não se percebe?!
Acho particularmente claro desta vez...
Está lindo! Poético!
Gosto, nomeadamente, daquele risco oblíquo,
bastante revelador...
Enfim, já nem sei desenhar,
só sei escrever...
Só sei...
Sei...
Sim...
Sim, sei!
Não sei se sei...
Sei lá se sei...
Quem quer saber?
Escrevo, apenas.
Percebes?
Até tu perdes o sentido?
Pois, como eu.
Não tenho mais a dizer...
Detesto isto!
Não, não detesto.
É viciante, é isso...
Que perda de tempo...
quinta-feira, 1 de março de 2012
Florbela Espanca vive numa Charneca em Flor e escreve-me um Livro de Mágoas...
Anda-me dar muitos abraços.
Quero sentir o teu corpo quente junto ao meu.
Não faças o meu coração em pedaços,
não sou a Julieta, não te quero para Romeu,
esses morreram cedo mas tu vives e és meu!
Meu! E só podes ser meu! Porque eu quero!
E sabes que, acredita em mim, não exagero
quando digo que és tudo para mim,
sim, és tudo para mim, meu querubim,
minhas asas de anjo, meu toque de seda,
não há maior desejo que me conceda
qualquer génio da lâmpada das arábias
do que as tuas lições tão sábias!
Oh meu professor! Meu mestre de tantas horas,
se soubesses como contigo as demoras
são o meu tempo predilecto! Oh e a vontade,
a vontade que se faz prazer de ansiedade,
na esperança que o tempo não mais passe
e que mais o meu amor, minha perdição, me abrace!
Abro a cama à tua agradável presença,
fecho os olhos e ouço a tua sentença,
castiga-me a teu belo prazer pois mereço
tudo o que tu me fazes com tanto apreço
e desapareço do mundo para viver contigo
e só a ti admito esse teu severo castigo
que me soa a liberdade e me soa a paraíso,
que me traz a felicidade, o prazer e o riso,
que me escancara as portas para a redenção:
captar mais um minuto da tua boa atenção!
E como eu sonho mais e mais e sonho a cores,
como é tão bom suportar estas fortes dores
que só tu me infliges, como vetusta tradição,
que sigo sem pensar como louca perdição
e me desgraço, oh sim, desgraço-me... por ti...
Porque não és meu e até isso sempre te consenti...
Quero sentir o teu corpo quente junto ao meu.
Não faças o meu coração em pedaços,
não sou a Julieta, não te quero para Romeu,
esses morreram cedo mas tu vives e és meu!
Meu! E só podes ser meu! Porque eu quero!
E sabes que, acredita em mim, não exagero
quando digo que és tudo para mim,
sim, és tudo para mim, meu querubim,
minhas asas de anjo, meu toque de seda,
não há maior desejo que me conceda
qualquer génio da lâmpada das arábias
do que as tuas lições tão sábias!
Oh meu professor! Meu mestre de tantas horas,
se soubesses como contigo as demoras
são o meu tempo predilecto! Oh e a vontade,
a vontade que se faz prazer de ansiedade,
na esperança que o tempo não mais passe
e que mais o meu amor, minha perdição, me abrace!
Abro a cama à tua agradável presença,
fecho os olhos e ouço a tua sentença,
castiga-me a teu belo prazer pois mereço
tudo o que tu me fazes com tanto apreço
e desapareço do mundo para viver contigo
e só a ti admito esse teu severo castigo
que me soa a liberdade e me soa a paraíso,
que me traz a felicidade, o prazer e o riso,
que me escancara as portas para a redenção:
captar mais um minuto da tua boa atenção!
E como eu sonho mais e mais e sonho a cores,
como é tão bom suportar estas fortes dores
que só tu me infliges, como vetusta tradição,
que sigo sem pensar como louca perdição
e me desgraço, oh sim, desgraço-me... por ti...
Porque não és meu e até isso sempre te consenti...
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Algures a olhar para o mar e a pensar que vida era aquela...
E estava frio... Mesmo abraçados, estava frio que chegue para estarmos a tremer! E tremíamos...
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O angelicalm não tem resultado mas quiçá batatas ajudem!
E a frustração continua?
Oh... mas agora vais para a rua
libertar-te dessas amarras,
dessa almofada a que te agarras
na vã esperança da meditação,
deviam ser oito horas e nem metade são,
e eu que nem queria dormir invejo
o teu sono pouco mas bem vejo
que para ti tem um grande custo
e novamente acho o mundo injusto...
Oh... mas agora vais para a rua
libertar-te dessas amarras,
dessa almofada a que te agarras
na vã esperança da meditação,
deviam ser oito horas e nem metade são,
e eu que nem queria dormir invejo
o teu sono pouco mas bem vejo
que para ti tem um grande custo
e novamente acho o mundo injusto...
Valeriana
No teatro da vida estou bem-disposto
e é novamente a verdade que se adia,
deixa a máscara, eu conheço o teu rosto;
o carnaval passou e foi só um dia.
De ti não espero nem um abraço,
pois sei que não gostas de mangas,
e temo-nos dado tanto espaço
que assim não há azo a zangas!
Há ideias que só tu percebes,
pois o coração não é gelado
como aquele chá que não bebes;
frio é um espírito destroçado.
Há noites que passas em claro
mas sabes que não te abandono,
o teu raciocínio é-me tão caro
quanto o teu problema de sono.
E não entendo o teu desleixo
pois não tens formação em falta
e como vês não é assim que deixo
de te falar da tensão alta...
Há uma aldeia que é uma fantasia
e só tu sabes como a alcançar,
por esse rio acima, indo da maresia
até um sítio onde se possa descansar...
E até lá será só o destino
quem nos continua a juntar,
em cada chávena de cappuccino
é contigo que quero estar...
e é novamente a verdade que se adia,
deixa a máscara, eu conheço o teu rosto;
o carnaval passou e foi só um dia.
De ti não espero nem um abraço,
pois sei que não gostas de mangas,
e temo-nos dado tanto espaço
que assim não há azo a zangas!
Há ideias que só tu percebes,
pois o coração não é gelado
como aquele chá que não bebes;
frio é um espírito destroçado.
Há noites que passas em claro
mas sabes que não te abandono,
o teu raciocínio é-me tão caro
quanto o teu problema de sono.
E não entendo o teu desleixo
pois não tens formação em falta
e como vês não é assim que deixo
de te falar da tensão alta...
Há uma aldeia que é uma fantasia
e só tu sabes como a alcançar,
por esse rio acima, indo da maresia
até um sítio onde se possa descansar...
E até lá será só o destino
quem nos continua a juntar,
em cada chávena de cappuccino
é contigo que quero estar...
Há lodo, junto ao cais
Há lodo, junto ao cais,
no nosso local de embarque,
temos de ter cuidado...
O lodo escorregadio,
por onde temos de passar,
é algo que nos atrasa...
E então vamos devagar.
no nosso local de embarque,
temos de ter cuidado...
O lodo escorregadio,
por onde temos de passar,
é algo que nos atrasa...
E então vamos devagar.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A ver o mar com outros olhos
Olhei para o mar e pareceu-me igual a ontem,
igual ao que sempre vi nele e que sempre adorei,
há histórias que nunca espero que me contem
porque fui o actor principal e nunca as escreverei!
Muito simplesmente porque já as vivi e as protagonizei!
A lua incidia com fúria sobre o mar adormecido
mas este não queria acordar do seu sonho eterno,
estavas ao meu lado e apesar de nada ter ouvido
tudo o que disseste foi invulgarmente belo e terno
e nesta história soou ao incontornável amor materno!
Os barcos iluminados passeavam a milhas da costa
como caravanas de luzes que se estendem no infinito,
mesmo quando se passa algum tempo com quem se gosta
a sensação de vazio é tanta que nem em outrém acredito
mesmo que me convença que estou a viver um filme bonito!
O farol luzia com uma monótona intermitência,
como qualquer farol que até ora me tem alumiado,
se não há um fio condutor há que ter paciência
pois por mais que demore acabarei bem iluminado!
Nem que seja só por um instante, alguém verá o meu lado!
igual ao que sempre vi nele e que sempre adorei,
há histórias que nunca espero que me contem
porque fui o actor principal e nunca as escreverei!
Muito simplesmente porque já as vivi e as protagonizei!
A lua incidia com fúria sobre o mar adormecido
mas este não queria acordar do seu sonho eterno,
estavas ao meu lado e apesar de nada ter ouvido
tudo o que disseste foi invulgarmente belo e terno
e nesta história soou ao incontornável amor materno!
Os barcos iluminados passeavam a milhas da costa
como caravanas de luzes que se estendem no infinito,
mesmo quando se passa algum tempo com quem se gosta
a sensação de vazio é tanta que nem em outrém acredito
mesmo que me convença que estou a viver um filme bonito!
O farol luzia com uma monótona intermitência,
como qualquer farol que até ora me tem alumiado,
se não há um fio condutor há que ter paciência
pois por mais que demore acabarei bem iluminado!
Nem que seja só por um instante, alguém verá o meu lado!
Nem eu sei mas gostava de saber e se alguém souber então saberei que o sabe mas não espere que eu saiba como o soube
Sim, e estava na praia, e pensativo...
"Como é possível?!"!
E não tenho uma resposta para dar...
Sabes que também não me interessa
responder a tudo
mas agrada-me o trabalho de questionar.
Agrada-me imenso! E não há respostas.
Nunca há e achas que isso me importa?!
De todo! Já aprendi a não as ter,
já aprendi a não esperar por elas
portanto limito-me a colocar as questões
e se alguém quiser responder,
ou muito simplesmente tentar,
já me faz um pouco mais feliz!
Conheço uma pessoa mais fantástica do que o resto,
porque partilha o mesmo bom gosto,
aqueles que dizem que não presto
como pessoa por ser... como sou!
E então que faço quanto a isso?
Nada! Apenas... gosto de indagar
os gostos em comum, e são bastantes,
e no final achamos que é engraçado.
Apenas engraçado. Curioso, talvez.
Interessante, no mínimo,
estimulante, suponho,
cativante, quiçá,
motivante, até certo ponto,
apaixonante, se quisermos,
e doravante vai ser sempre assim:
cada passo dado vai ser questionado
"foi este mais um que gostavas de ter dado?!".
Então, a certa altura, olhei para o lado,
atentei nos olhos, gosto disso,
de olhar para os olhos de alguém,
e já não me lembro do que disse...
Gostei dos olhos, da profundidade;
quando olho alguém nos olhos, fixamente,
demoradamente, com vontade de observar,
vejo a pessoa nua, frágil, aberta
pois que me parece que consigo penetrá-la,
ainda que apenas com os olhos,
mas descubro imenso sem me mexer
e assim continuo o meu desporto
da constante análise do Mundo.
Estava calor nesse dia, bastante,
e não havia água por ali. E que sede!
Então fomos andando, à procura,
numa esperança de saciedade,
uma motivação como outra qualquer,
outra qualquer fisiológica, entenda-se,
e devemos ter andado vários quilómetros,
sem rumo mas com vontade e, desta vez,
a vontade não chegou porque parámos,
junto a um poste, muito alto e magro,
que nem sequer nos providenciou sombra,
e aí apercebemo-nos de que estávamos perdidos!
Completamente perdidos! Num deserto!
Um deserto de ideias, claro, como neve,
um deserto vazio, completamente vazio,
tão extenso que a vista se perde nele,
e nesse momento sentimos medo, muito medo,
medo de não sairmos de lá nesse dia...
Só que entretanto tivemos uma ideia!
Num futuro próximo, contudo,
talvez daqui a uns cem, duzentos dias,
mais coisa menos coisa, por aí,
o Mundo vai mudar e com este o meu mundo
e então verão como será boa a mudança!
Porque, actualmente, fala-se de crise,
de apócalipse, armagedeão, o que quiserem
mas eu sinto que a mudança está próxima
e será bem melhor do que o esperado!
"Como é possível?!"!
E não tenho uma resposta para dar...
Sabes que também não me interessa
responder a tudo
mas agrada-me o trabalho de questionar.
Agrada-me imenso! E não há respostas.
Nunca há e achas que isso me importa?!
De todo! Já aprendi a não as ter,
já aprendi a não esperar por elas
portanto limito-me a colocar as questões
e se alguém quiser responder,
ou muito simplesmente tentar,
já me faz um pouco mais feliz!
Conheço uma pessoa mais fantástica do que o resto,
porque partilha o mesmo bom gosto,
aqueles que dizem que não presto
como pessoa por ser... como sou!
E então que faço quanto a isso?
Nada! Apenas... gosto de indagar
os gostos em comum, e são bastantes,
e no final achamos que é engraçado.
Apenas engraçado. Curioso, talvez.
Interessante, no mínimo,
estimulante, suponho,
cativante, quiçá,
motivante, até certo ponto,
apaixonante, se quisermos,
e doravante vai ser sempre assim:
cada passo dado vai ser questionado
"foi este mais um que gostavas de ter dado?!".
Então, a certa altura, olhei para o lado,
atentei nos olhos, gosto disso,
de olhar para os olhos de alguém,
e já não me lembro do que disse...
Gostei dos olhos, da profundidade;
quando olho alguém nos olhos, fixamente,
demoradamente, com vontade de observar,
vejo a pessoa nua, frágil, aberta
pois que me parece que consigo penetrá-la,
ainda que apenas com os olhos,
mas descubro imenso sem me mexer
e assim continuo o meu desporto
da constante análise do Mundo.
Estava calor nesse dia, bastante,
e não havia água por ali. E que sede!
Então fomos andando, à procura,
numa esperança de saciedade,
uma motivação como outra qualquer,
outra qualquer fisiológica, entenda-se,
e devemos ter andado vários quilómetros,
sem rumo mas com vontade e, desta vez,
a vontade não chegou porque parámos,
junto a um poste, muito alto e magro,
que nem sequer nos providenciou sombra,
e aí apercebemo-nos de que estávamos perdidos!
Completamente perdidos! Num deserto!
Um deserto de ideias, claro, como neve,
um deserto vazio, completamente vazio,
tão extenso que a vista se perde nele,
e nesse momento sentimos medo, muito medo,
medo de não sairmos de lá nesse dia...
Só que entretanto tivemos uma ideia!
Num futuro próximo, contudo,
talvez daqui a uns cem, duzentos dias,
mais coisa menos coisa, por aí,
o Mundo vai mudar e com este o meu mundo
e então verão como será boa a mudança!
Porque, actualmente, fala-se de crise,
de apócalipse, armagedeão, o que quiserem
mas eu sinto que a mudança está próxima
e será bem melhor do que o esperado!
O céu num dia de Fevereiro
Olhei para o cé e estava tão belo,
cor-de-rosa, de laranja e amarelo,
melhor ainda do que o teria pintado
e nesse momento fiquei agradado
com o trabalho que vi na Natureza!
E tenho esta fé, esta quase certeza,
que tudo o que vejo no céu, no mar,
é aquela beleza feliz, é até amar!
Nunca lá vi nem um pequeno engano
nem a desonestidade de um ser humano
nem a mentira hipócrita dissimulada
nem a malícia a sorrir de uma boca calada...
Só vi prazer sobre a forma de paz
só vi o bem-estar que tanto me apraz
um ciclo que se fecha e se renova,
uma quase perfeição que me põe à prova
e reprovo contente apenas por respeito
pois está acima da humanidade tal conceito...
cor-de-rosa, de laranja e amarelo,
melhor ainda do que o teria pintado
e nesse momento fiquei agradado
com o trabalho que vi na Natureza!
E tenho esta fé, esta quase certeza,
que tudo o que vejo no céu, no mar,
é aquela beleza feliz, é até amar!
Nunca lá vi nem um pequeno engano
nem a desonestidade de um ser humano
nem a mentira hipócrita dissimulada
nem a malícia a sorrir de uma boca calada...
Só vi prazer sobre a forma de paz
só vi o bem-estar que tanto me apraz
um ciclo que se fecha e se renova,
uma quase perfeição que me põe à prova
e reprovo contente apenas por respeito
pois está acima da humanidade tal conceito...
Mas onde eu via...
E onde eu via o que todos viam
passei a ver o que mais ninguém vê,
apesar de o quererem ver,
o que faz de mim apenas um melhor observador
pois nunca o escondes...
passei a ver o que mais ninguém vê,
apesar de o quererem ver,
o que faz de mim apenas um melhor observador
pois nunca o escondes...
Mas só se...
Se eu te pudesse dizer o quanto gosto de ti,
o quanto me preocupas,
o quanto me demorou a percebe-lo
e o quanto evoluí para ter de o fazer,
então perceberias...
o quanto me preocupas,
o quanto me demorou a percebe-lo
e o quanto evoluí para ter de o fazer,
então perceberias...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Dois camaleões aos linguados ou, por outras palavras, como morrer por amor deixando-se mutuamente pendurados
Era uma vez um camaleão.
Gostava de uma camaleoa.
Ele actuava à campeão,
ela como se fosse boa,
mas ambos eram asquerosos
e acima de tudo babosos.
E aquelas línguas viscosas?!
E compridas e venenosas!
Ah, e colam nos insectos,
os aperitivos predilectos!
Que horror! Vi, é esquisito,
agoniante e nada bonito,
distantes e tão colados:
dois camaleões aos linguados!
Ao longe, pois quem os suporta?
Mas para o amor quem se corta?!
E as línguas, desenroladas,
ficaram uma na outra coladas!
E eles bem que se debatiam
mas após umas horas desistiam
não sem luta, não sem dor;
não é assim mesmo o amor?!
Então que resta? Morte lenta?
Nem um coração reptiliano aguenta!
Disseram, pelo olhar, "como te amo",
e cada um do seu lado no ramo
atirou-se com força igual;
enrolaram-se na corda lingual
e só com uma chance, sem errar,
giraram até se poderem agarrar
e fundiram-se no mesmo vermelho
e nenhum deles morreu de velho,
só de fome e tão bem agarrados,
originalmente para sempre pendurados.
Gostava de uma camaleoa.
Ele actuava à campeão,
ela como se fosse boa,
mas ambos eram asquerosos
e acima de tudo babosos.
E aquelas línguas viscosas?!
E compridas e venenosas!
Ah, e colam nos insectos,
os aperitivos predilectos!
Que horror! Vi, é esquisito,
agoniante e nada bonito,
distantes e tão colados:
dois camaleões aos linguados!
Ao longe, pois quem os suporta?
Mas para o amor quem se corta?!
E as línguas, desenroladas,
ficaram uma na outra coladas!
E eles bem que se debatiam
mas após umas horas desistiam
não sem luta, não sem dor;
não é assim mesmo o amor?!
Então que resta? Morte lenta?
Nem um coração reptiliano aguenta!
Disseram, pelo olhar, "como te amo",
e cada um do seu lado no ramo
atirou-se com força igual;
enrolaram-se na corda lingual
e só com uma chance, sem errar,
giraram até se poderem agarrar
e fundiram-se no mesmo vermelho
e nenhum deles morreu de velho,
só de fome e tão bem agarrados,
originalmente para sempre pendurados.
Dois flocos de neve a quebrar o gelo a tempo das comemorações do dia mais quente do ano que por acaso é no meio do Inverno
Um floco de neve, nevou.
E um outro consigo levou.
E pelo caminho tanto lhe prometeu!
Cairam na neve fofa e um derreteu!
O que ficou por baixo, pois, esmagado,
porque o amor entre eles era tão pesado
mas igualmente tão belo e tão leve
como dois insuspeitos flocos de neve.
E um outro consigo levou.
E pelo caminho tanto lhe prometeu!
Cairam na neve fofa e um derreteu!
O que ficou por baixo, pois, esmagado,
porque o amor entre eles era tão pesado
mas igualmente tão belo e tão leve
como dois insuspeitos flocos de neve.
O Príncipe - Maquiavel
O melhor livro que li até hoje!
E muito mais poderia ser dito... Quinhentos anos depois continua actual, e continuará, pois fala de política, de poder e, simplesmente, de pessoas.
Ficam aqui algumas citações do mesmo, de que gostei particularmente:
"não esqueçamos que não há coisa mais difícil de tratar, de resultado mais duvidoso nem de manejo mais perigoso do que aventurar-se alguém a impor novas instituições, pois aquele que as impõe tem como inimigos todos a quem a ordem antiga aproveitava, e como tíbios defensores apenas os que poderão aproveitar da nova."
"mas quando se vencem os perigos e se começa a inspirar estima, depois de aniquilados aqueles cuja qualidade suscitava o nascimento da inveja, fica-se poderoso, seguro, honrado e feliz."
"Aquele que pensa que, entre as grandes personagens, as benfeitorias recentes fazem esquecer as antigas ofensas, engana-se."
"Convém fazer o mal todo de uma vez para que, por ser suportado durante menos tempo, pareça menos amargo, e o bem pouco a pouco, para melhor se saborear."
"Nada é tão fraco ou instável quanto a fama de uma potência que se não apoia sobre as suas próprias forças. As forças próprias são aquelas compostas de súbditos, ou de cidadãos, ou de outras pessoas que tu tenhas formado: todas as outras espécies são mercenárias ou auxiliares."
"Há uma coisa que se pode dizer, de maneira geral, de todos os homens: que são ingratos, mutáveis, dissimulados, inimigos do perigo, ávidos de ganhar, enquanto lhes fazem bem, são teus, oferecem-te o seu sangue, os seus bens, a sua vida e os seus filhos (...) porque a necessidade é futura, mas quando ela se aproxima furtam-se."
"Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido, pois o amor mantém-se por um laço de obrigações que, em virtude de os homens serem maus, se quebra quando surge ocasião de melhor proveito; mas o medo mantém-se por um temor de castigo que nunca nos abandona."
"É justa a guerra feita para aqueles a quem é necessária e as armas santas desde que não haja esperança"
E muito mais poderia ser dito... Quinhentos anos depois continua actual, e continuará, pois fala de política, de poder e, simplesmente, de pessoas.
Ficam aqui algumas citações do mesmo, de que gostei particularmente:
"não esqueçamos que não há coisa mais difícil de tratar, de resultado mais duvidoso nem de manejo mais perigoso do que aventurar-se alguém a impor novas instituições, pois aquele que as impõe tem como inimigos todos a quem a ordem antiga aproveitava, e como tíbios defensores apenas os que poderão aproveitar da nova."
"mas quando se vencem os perigos e se começa a inspirar estima, depois de aniquilados aqueles cuja qualidade suscitava o nascimento da inveja, fica-se poderoso, seguro, honrado e feliz."
"Aquele que pensa que, entre as grandes personagens, as benfeitorias recentes fazem esquecer as antigas ofensas, engana-se."
"Convém fazer o mal todo de uma vez para que, por ser suportado durante menos tempo, pareça menos amargo, e o bem pouco a pouco, para melhor se saborear."
"Nada é tão fraco ou instável quanto a fama de uma potência que se não apoia sobre as suas próprias forças. As forças próprias são aquelas compostas de súbditos, ou de cidadãos, ou de outras pessoas que tu tenhas formado: todas as outras espécies são mercenárias ou auxiliares."
"Há uma coisa que se pode dizer, de maneira geral, de todos os homens: que são ingratos, mutáveis, dissimulados, inimigos do perigo, ávidos de ganhar, enquanto lhes fazem bem, são teus, oferecem-te o seu sangue, os seus bens, a sua vida e os seus filhos (...) porque a necessidade é futura, mas quando ela se aproxima furtam-se."
"Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido, pois o amor mantém-se por um laço de obrigações que, em virtude de os homens serem maus, se quebra quando surge ocasião de melhor proveito; mas o medo mantém-se por um temor de castigo que nunca nos abandona."
"É justa a guerra feita para aqueles a quem é necessária e as armas santas desde que não haja esperança"
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Estava chuva e abriguei-me e agora sou feliz com ele independentemente das condições climatéricas!
O dia estava frio, e o céu cinzento,
a chuva caía e procurei um abrigo,
não foi só água que trouxe o vento,
veio mais um que se safou do perigo.
Uma pneumonia, que é chata de curar,
não é melhor do que o cabelo ensopado,
em tempestades, e sem sequer procurar,
fui encontrar a bonança ao meu lado.
A simpatia aqueceu-me tanto o peito
como o resto do corpo, então tão gelado,
um dia de chuva pode ser tão perfeito
como um ser só que já se vê abraçado.
A chuva continua mas já não há pressa
quando se tem alguém com quem estar
e de repente o tempo nem interessa
pois o Sol és tu e estou a gostar.
Um dia mais tarde, mais soalheiro,
alguém perguntou como tudo começou,
talvez não tenha sido em Fevereiro,
talvez seja bipolar e nunca pensou.
Talvez um dia acabe por perceber
que o tempo que faz é uma ilusão
e até lá nunca se poderá saber
se há algum de nós que tenha razão.
a chuva caía e procurei um abrigo,
não foi só água que trouxe o vento,
veio mais um que se safou do perigo.
Uma pneumonia, que é chata de curar,
não é melhor do que o cabelo ensopado,
em tempestades, e sem sequer procurar,
fui encontrar a bonança ao meu lado.
A simpatia aqueceu-me tanto o peito
como o resto do corpo, então tão gelado,
um dia de chuva pode ser tão perfeito
como um ser só que já se vê abraçado.
A chuva continua mas já não há pressa
quando se tem alguém com quem estar
e de repente o tempo nem interessa
pois o Sol és tu e estou a gostar.
Um dia mais tarde, mais soalheiro,
alguém perguntou como tudo começou,
talvez não tenha sido em Fevereiro,
talvez seja bipolar e nunca pensou.
Talvez um dia acabe por perceber
que o tempo que faz é uma ilusão
e até lá nunca se poderá saber
se há algum de nós que tenha razão.
Folhas prestes a comemorar o dia de São Valentim pt. I
Uma folha olha para outra que se baloiça ao vento
e pensa para si mesma "o teu verde é um monumento";
todas as outras folhas são exactamente da mesma cor!
Então essa pequena folha sente de súbito uma dor,
uma ligeira picada no coração de que é desprovida,
e faz a fotossíntese invulgarmente aguerrida!
Não esperava casos de amor entre as folhas!
e pensa para si mesma "o teu verde é um monumento";
todas as outras folhas são exactamente da mesma cor!
Então essa pequena folha sente de súbito uma dor,
uma ligeira picada no coração de que é desprovida,
e faz a fotossíntese invulgarmente aguerrida!
Não esperava casos de amor entre as folhas!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Por que insistes em me seduzir
Por que insistes em me seduzir
se já sabes que a ti não me vendo?
Os dias passam, e não parecendo,
tout que tu as dit était avec plaisir...
Por que achas que me vais abduzir
se esse é um convite que não entendo?
Olha o mapa que nesta cama estendo
e deixa-me ser eu a te conduzir...
Mas devo confessar que, na minha óptica,
toda esta luta foi paranormal!,
uma saborosa descarga hormonal!
Devias saber que, nesta luta erótica,
não é não! Sobra-me uma escoriação
e na mão a razão que vence a emoção!
se já sabes que a ti não me vendo?
Os dias passam, e não parecendo,
tout que tu as dit était avec plaisir...
Por que achas que me vais abduzir
se esse é um convite que não entendo?
Olha o mapa que nesta cama estendo
e deixa-me ser eu a te conduzir...
Mas devo confessar que, na minha óptica,
toda esta luta foi paranormal!,
uma saborosa descarga hormonal!
Devias saber que, nesta luta erótica,
não é não! Sobra-me uma escoriação
e na mão a razão que vence a emoção!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A receita para a parasitose!
Como me livro deste parasita
que perante a carne nunca hesita?
Rasga-me a pele, chupa-me o sangue
e ainda espera que nunca me zangue!
Como me livro deste parasita
que se apresenta de cara bonita?
Come-me por fora e até ao tutano
e se me insurjo chama-lhe um engano.
Como me livro deste parasita
se lhe pago eu a casa onde habita?
Não tem pudor e faz-se convidado,
se eu o censuro sou eu censurado.
Como me livro deste parasita
se está tão entranhado que até me irrita?
- Irritas-me a pele e todas as mucosas,
sustento-te a vida e ainda me gozas!
Como me livro deste parasita
que tudo quanto diz ninguém acredita?
E mesmo assim ele nunca se cala;
já a mim tira-me o juízo e a fala.
Como me livro deste parasita
que sentindo poder logo se arrebita?
O poder é meu pois eu te carrego!
Eu abri os olhos, o poder fez-te cego!
Como me livro deste parasita
se a minha vida é por ele escrita?
Apenas tira-se a pena e faz-se um poema
e cada acção pequena resolve o problema!
Como me livro deste parasita
cuja idiossincrasia não se evita?
Evito-me eu do teu temperamento,
para me curar chegou agora o momento!
Como me livro deste parasita
cujos meus bons exemplos nunca imita?
A exemplo disso faça-se a mudança,
enquanto há Portugal ainda há esperança!
Como me livro deste parasita
que todos os cêntimos me debita?
Tira-se-lhe a mama e dá-se-lhe um caralho,
que suba por ele até avistar um trabalho!
Já me livrei deste parasita
pois a minha mente é-lhe restrita;
a cura é possível (é a minha única crença),
mate-se o parasita e cure-se a doença!
que perante a carne nunca hesita?
Rasga-me a pele, chupa-me o sangue
e ainda espera que nunca me zangue!
Como me livro deste parasita
que se apresenta de cara bonita?
Come-me por fora e até ao tutano
e se me insurjo chama-lhe um engano.
Como me livro deste parasita
se lhe pago eu a casa onde habita?
Não tem pudor e faz-se convidado,
se eu o censuro sou eu censurado.
Como me livro deste parasita
se está tão entranhado que até me irrita?
- Irritas-me a pele e todas as mucosas,
sustento-te a vida e ainda me gozas!
Como me livro deste parasita
que tudo quanto diz ninguém acredita?
E mesmo assim ele nunca se cala;
já a mim tira-me o juízo e a fala.
Como me livro deste parasita
que sentindo poder logo se arrebita?
O poder é meu pois eu te carrego!
Eu abri os olhos, o poder fez-te cego!
Como me livro deste parasita
se a minha vida é por ele escrita?
Apenas tira-se a pena e faz-se um poema
e cada acção pequena resolve o problema!
Como me livro deste parasita
cuja idiossincrasia não se evita?
Evito-me eu do teu temperamento,
para me curar chegou agora o momento!
Como me livro deste parasita
cujos meus bons exemplos nunca imita?
A exemplo disso faça-se a mudança,
enquanto há Portugal ainda há esperança!
Como me livro deste parasita
que todos os cêntimos me debita?
Tira-se-lhe a mama e dá-se-lhe um caralho,
que suba por ele até avistar um trabalho!
Já me livrei deste parasita
pois a minha mente é-lhe restrita;
a cura é possível (é a minha única crença),
mate-se o parasita e cure-se a doença!
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Os motivos que levam dois jovens a querer viajar à boleia à hora do fim da tarde, seja lá essa a hora que for...
Plim!
Pum!
Pliiiiiiiiim!
Puuuuuuuuuum!
:o
:)
:o
:(
:o
:p
:p
xD
XD
;)
;(
;p
:P
:1
E fomos tomar café...
Pum!
Pliiiiiiiiim!
Puuuuuuuuuum!
:o
:)
:o
:(
:o
:p
:p
xD
XD
;)
;(
;p
:P
:1
E fomos tomar café...
O início do fim das coisas visíveis
Este foi... o início do fim das coisas visíveis!
Ou talvez tenha sido o desabrochar das risíveis?!
Não quero saber!
O tecto desaba com o peso da responsabilidade
que é viver esta crise do quarto de idade,
seja lá isso o que for...
Pois não quero saber, já disse!
Mas, na eventualidade de mudar de opinião,
os alicerces vão segurando as paredes
e impedindo que tudo desabe
porque, bem se sabe,
a casa tem de estar de pé para arder!
Casa a arder! Trancas à porta!
Fuga adiada e a planta está morta!
Morreu de sede e sabemos o que significa,
aquela planta que me estupidifica,
que me deu asas para voar e agora aterrou,
no sofá onde antes o romance me errou
e tive de corrigir tudo a vermelho e ficou feio...
Já leio, calma que já o leio!
O romance? Não! O poema!
A verdade? Não, o problema!
Qual problema? O existencial?
Não, o racional ou emocional!
Não percebo!
Nem eu!
Nem tu percebes!
Mas estás a ler...
Estás a ver?
Ninguém percebe...
Contudo, um dia, num vale sombrio,
onde agora é areia houve um rio
em que navegavam barcos de papel,
feitos por seres bonitos, doces como mel,
mas ninguém os comia! Por respeito,
apenas por respeito, e não por vontade,
porque eram irresistíveis, de verdade;
pois um dia quebrei as regras e provei
e o que me aconteceu foi... sabedoria!
Gostei e repeti e foi muito bom!
E sou um assassino! Assassino!
E contribuí para um desequilíbrio populacional
entre estes seres vivos melíferos
irresistíveis para mamíferos.
Acordei do sonho e era tarde,
o Sol brilhava no céu e a febre com que arde
é só comparável à minha vontade
de me empanturrar até à saciedade
de raios de luz!
Olhei para o Sol, e com medo de não me chegar,
abri mais os olhos até a sua luz me cegar
e quando me achei cego mas iluminado
acreditei que tudo tinha compensado,
tudo o que fiz para chegar até onde estou:
um lugar ao Sol que me cegou.
Ou talvez tenha sido o desabrochar das risíveis?!
Não quero saber!
O tecto desaba com o peso da responsabilidade
que é viver esta crise do quarto de idade,
seja lá isso o que for...
Pois não quero saber, já disse!
Mas, na eventualidade de mudar de opinião,
os alicerces vão segurando as paredes
e impedindo que tudo desabe
porque, bem se sabe,
a casa tem de estar de pé para arder!
Casa a arder! Trancas à porta!
Fuga adiada e a planta está morta!
Morreu de sede e sabemos o que significa,
aquela planta que me estupidifica,
que me deu asas para voar e agora aterrou,
no sofá onde antes o romance me errou
e tive de corrigir tudo a vermelho e ficou feio...
Já leio, calma que já o leio!
O romance? Não! O poema!
A verdade? Não, o problema!
Qual problema? O existencial?
Não, o racional ou emocional!
Não percebo!
Nem eu!
Nem tu percebes!
Mas estás a ler...
Estás a ver?
Ninguém percebe...
Contudo, um dia, num vale sombrio,
onde agora é areia houve um rio
em que navegavam barcos de papel,
feitos por seres bonitos, doces como mel,
mas ninguém os comia! Por respeito,
apenas por respeito, e não por vontade,
porque eram irresistíveis, de verdade;
pois um dia quebrei as regras e provei
e o que me aconteceu foi... sabedoria!
Gostei e repeti e foi muito bom!
E sou um assassino! Assassino!
E contribuí para um desequilíbrio populacional
entre estes seres vivos melíferos
irresistíveis para mamíferos.
Acordei do sonho e era tarde,
o Sol brilhava no céu e a febre com que arde
é só comparável à minha vontade
de me empanturrar até à saciedade
de raios de luz!
Olhei para o Sol, e com medo de não me chegar,
abri mais os olhos até a sua luz me cegar
e quando me achei cego mas iluminado
acreditei que tudo tinha compensado,
tudo o que fiz para chegar até onde estou:
um lugar ao Sol que me cegou.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Isso é muito Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro, já não sei...
Irrita-me! Profundamente!
Estar sozinho acompanhado pela gente!
Sabes o que é? Ok, tu sabes o que é!
Beber tanto e conseguir estar de pé!
Ver-te a cambalear de saltos altos!
Enfim...
Essa profissão não é para mim...
La la la la la la la,
que eu hoje estou muito contente,
adormeci ao sol, cálido de tão quente.
Sinceramente...
Não! Não digo mais nada!
Estás apenas a ficar chateada...
Só digo coisas sem nexo
e não precisas deste mundo complexo
em que habito...
Mas em que acredito!
Oh sim, eu acredito em estradas feitas de imaginação!
Não sabes como são?
São... etéreas!
Aéreas!
Hey, então o trabalho? Hoje faltaste!
E quando menos esperavas... desligaste...
Liga-te ao mundo!
Ao Mundo! Com letra grande e bem visível!
Eu sei, e tu sabes, que é incompreensível
tudo aquilo por que nos fazem passar...
Mas vamos esquecer isso tudo por agora!
Ah e tal, está muito frio lá fora!
Temos de ir para os copos para aquecer,
porque tem muita força o que tem de ser,
e não sei mais que te diga... mas eu digo!
Atenção que eu digo! Eu sei que consigo!
Só não sei é o que queres que eu diga
mas não quer dizer que eu não consiga...
E siga!
Siga!
Quanto aos malucos que regem o nosso sistema solar,
aqueles que eu gostava de, mas não consigo, os calar,
é tudo, como tudo o resto, uma questão de energia:
quando encontrar alguém mentalmente são acreditarei em magia...
Estar sozinho acompanhado pela gente!
Sabes o que é? Ok, tu sabes o que é!
Beber tanto e conseguir estar de pé!
Ver-te a cambalear de saltos altos!
Enfim...
Essa profissão não é para mim...
La la la la la la la,
que eu hoje estou muito contente,
adormeci ao sol, cálido de tão quente.
Sinceramente...
Não! Não digo mais nada!
Estás apenas a ficar chateada...
Só digo coisas sem nexo
e não precisas deste mundo complexo
em que habito...
Mas em que acredito!
Oh sim, eu acredito em estradas feitas de imaginação!
Não sabes como são?
São... etéreas!
Aéreas!
Hey, então o trabalho? Hoje faltaste!
E quando menos esperavas... desligaste...
Liga-te ao mundo!
Ao Mundo! Com letra grande e bem visível!
Eu sei, e tu sabes, que é incompreensível
tudo aquilo por que nos fazem passar...
Mas vamos esquecer isso tudo por agora!
Ah e tal, está muito frio lá fora!
Temos de ir para os copos para aquecer,
porque tem muita força o que tem de ser,
e não sei mais que te diga... mas eu digo!
Atenção que eu digo! Eu sei que consigo!
Só não sei é o que queres que eu diga
mas não quer dizer que eu não consiga...
E siga!
Siga!
Quanto aos malucos que regem o nosso sistema solar,
aqueles que eu gostava de, mas não consigo, os calar,
é tudo, como tudo o resto, uma questão de energia:
quando encontrar alguém mentalmente são acreditarei em magia...
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
e o resto já se sabe...
O perfume irá acabar mas nem foi preciso esperar tanto tempo... Não me quero repetir mas o resto já se sabe. É algo que me custa a perceber, o porquê desta volatilidade! Volátil! Volátil! Que Mundo volátil! Hoje é, amanhã não! Não?! Por que não é?! Que mudou! Tudo! Nada! Sei lá... E muda mesmo... E o perfume, bem, fica na memória e sabes sempre que é o melhor que cheiraste até então! Embora nunca mais o cheires. Sabes, o perfume muda conforme a pessoa e nem todos estão ao nível do perfume que usam. E usam e abusam e maltratam um bom cheiro com a sua personalidade! Então perdeu-se um bom perfume mas uma não tão boa pessoa. Eventualmente alguém o terá e será melhor e encaixa e então sabes que, enfim, pelo menos desconfias que poderia ser tudo diferente com alguém assim! Mas é sempre tudo diferente em cada momento, em cada lugar e mais uma molécula aqui e mais um átomo acolá e tudo flui de um modo a que não estamos habituados, um modo não estudado, um modo livre e energético sem complexidade, apenas naturalmente! A energia flui sem nos apercebermos e o resto já se sabe...
E assim fecha-se um ciclo, para começar outro:
E assim fecha-se um ciclo, para começar outro:
Não me quero repetir
Não me quero repetir,
não te quero aborrecer,
mas o que estou a sentir,
e é tão estranho acontecer,
é algo que não cabe em mim,
que me infla demais o peito
como se fosse o inevitável fim,
como se fosse o início perfeito,
e não sei o que é isto!,
pois já por tanto passei
e há sempre algo nunca visto,
algo que nunca antes pensei...
E oscilo, pendularmente,
ora de uma tristeza fria,
ora de um calor de contente
e feitas as contas, sobra alegria!
E este outro nó na barriga
há já algum tempo escondido...
Sabes, nem sei que te diga,
é como se me tivesse esquecido
que são sempre estes os efeitos,
de alto astral e baixia de mar chão,
a visão isenta de defeitos,
a beleza pura da paixão,
a comoção, a sensibilidade,
o olhar cativo numa cativa,
pioneiramente repetida a saudade,
esta inesperada força viva,
este caixão destapado e vazio,
este jazigo soalheiro e abandonado,
este renascer do granito frio,
este sagrado feito de pecado,
este contentamento inesgotável,
esta dúvida constante persistente,
este síndrome que é tão estável,
esta doença que me faz tão carente...
E penso em ti a toda a hora:
"Onde estará? Como se sentirá?
Estará bem? O que faz agora?
Será parecido o que ela sentirá?".
Comove-me a beleza das flores,
sensibiliza-me o azul do céu,
alegra-me qualquer uma das cores,
é misteriosa a noite cor de bréu,
é tão agradável o amarelo do Sol,
é cristalino o verde azul do mar,
o listrado alvo-rubro dum farol,
a iridescente cor que é amar...
Amar... o que é tal sentimento?
A saudade esquecida retomada?
O clamor mudo, um tormento?
É tudo, é demais e será nada?!
Não, recuso acreditar que nada seja!
Pois já isto senti e julguei ido
até ao momento que a tua boca me beija...
Então tudo é vida e fico estarrecido,
toco o teu rosto, qual escultura,
pois sinto a tua mão, e sou camaleão,
tacteio a maior perfeição da natura
e percebo-te, pois o sinto, Pigmaleão
mas tenho mais sorte do que o teu mito,
este é de carne e osso e emana fervor,
e traço o rumo em que mais acredito,
e não preciso de outra deusa um favor
porque Afrodite é de quem tenho escrito!
Porque o destino tem sido favorável,
porque grego me verei nesta guerra
e lutarei até ser-me inevitável
cumprir o destino maior da Terra:
a sobrevivência! E quem ma permite
se não tu, frase-mistério de Canarim,
realismo surreal de Magritte,
ora fora, ora aqui, e nesse interim
houve tempo, e isto é inacreditável,
para um tudo completo que é nada,
para ver meio Mundo e descobrir
que basta uma face meia iluminada
que pára o tempo para o Sol abrir,
um soalheiro momento atemporal,
um vale de sonho que percorro,
a terra prometida, o mais fértil aral,
onde saltitando estes versos discorro
pois que haverá quem os leia,
pois que há a quem se destinam
e que não me liberta desta teia
em que recuso ser dos que procrastinam.
Chegou a hora, chegou a tempo,
chegou quando chegou e chegou forte,
não penses que chegou a contratempo,
chegou, talvez, por simples sorte
mas cá está, ca estás, e cá estou
e cá estamos e não descanso
porque uma vez já se conquistou
e acredito que o ainda alcanço.
E não vou dar mais voltas ao texto
porque é simples o que tenho a dizer,
não preciso de qualquer pretexto,
és tu quem me dás da vida o prazer
e é em ti que penso, por ti que anseio,
és tu quem quero, o sonho que reclamo!,
já foi mal uma vez mas apesar desse receio
como o posso esconder à única pessoa que amo?
23-7-2011
[aliás nem a ela nem a ninguém, nada a esconder ehehe]
não te quero aborrecer,
mas o que estou a sentir,
e é tão estranho acontecer,
é algo que não cabe em mim,
que me infla demais o peito
como se fosse o inevitável fim,
como se fosse o início perfeito,
e não sei o que é isto!,
pois já por tanto passei
e há sempre algo nunca visto,
algo que nunca antes pensei...
E oscilo, pendularmente,
ora de uma tristeza fria,
ora de um calor de contente
e feitas as contas, sobra alegria!
E este outro nó na barriga
há já algum tempo escondido...
Sabes, nem sei que te diga,
é como se me tivesse esquecido
que são sempre estes os efeitos,
de alto astral e baixia de mar chão,
a visão isenta de defeitos,
a beleza pura da paixão,
a comoção, a sensibilidade,
o olhar cativo numa cativa,
pioneiramente repetida a saudade,
esta inesperada força viva,
este caixão destapado e vazio,
este jazigo soalheiro e abandonado,
este renascer do granito frio,
este sagrado feito de pecado,
este contentamento inesgotável,
esta dúvida constante persistente,
este síndrome que é tão estável,
esta doença que me faz tão carente...
E penso em ti a toda a hora:
"Onde estará? Como se sentirá?
Estará bem? O que faz agora?
Será parecido o que ela sentirá?".
Comove-me a beleza das flores,
sensibiliza-me o azul do céu,
alegra-me qualquer uma das cores,
é misteriosa a noite cor de bréu,
é tão agradável o amarelo do Sol,
é cristalino o verde azul do mar,
o listrado alvo-rubro dum farol,
a iridescente cor que é amar...
Amar... o que é tal sentimento?
A saudade esquecida retomada?
O clamor mudo, um tormento?
É tudo, é demais e será nada?!
Não, recuso acreditar que nada seja!
Pois já isto senti e julguei ido
até ao momento que a tua boca me beija...
Então tudo é vida e fico estarrecido,
toco o teu rosto, qual escultura,
pois sinto a tua mão, e sou camaleão,
tacteio a maior perfeição da natura
e percebo-te, pois o sinto, Pigmaleão
mas tenho mais sorte do que o teu mito,
este é de carne e osso e emana fervor,
e traço o rumo em que mais acredito,
e não preciso de outra deusa um favor
porque Afrodite é de quem tenho escrito!
Porque o destino tem sido favorável,
porque grego me verei nesta guerra
e lutarei até ser-me inevitável
cumprir o destino maior da Terra:
a sobrevivência! E quem ma permite
se não tu, frase-mistério de Canarim,
realismo surreal de Magritte,
ora fora, ora aqui, e nesse interim
houve tempo, e isto é inacreditável,
para um tudo completo que é nada,
para ver meio Mundo e descobrir
que basta uma face meia iluminada
que pára o tempo para o Sol abrir,
um soalheiro momento atemporal,
um vale de sonho que percorro,
a terra prometida, o mais fértil aral,
onde saltitando estes versos discorro
pois que haverá quem os leia,
pois que há a quem se destinam
e que não me liberta desta teia
em que recuso ser dos que procrastinam.
Chegou a hora, chegou a tempo,
chegou quando chegou e chegou forte,
não penses que chegou a contratempo,
chegou, talvez, por simples sorte
mas cá está, ca estás, e cá estou
e cá estamos e não descanso
porque uma vez já se conquistou
e acredito que o ainda alcanço.
E não vou dar mais voltas ao texto
porque é simples o que tenho a dizer,
não preciso de qualquer pretexto,
és tu quem me dás da vida o prazer
e é em ti que penso, por ti que anseio,
és tu quem quero, o sonho que reclamo!,
já foi mal uma vez mas apesar desse receio
como o posso esconder à única pessoa que amo?
23-7-2011
[aliás nem a ela nem a ninguém, nada a esconder ehehe]
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